Portugal é o país convidado da quinta edição da The District, um dos maiores eventos imobiliários da Europa, que este ano se realiza em Madrid – nas quatro edições anteriores decorreu em Barcelona –, entre 22 e 24 de setembro. O país “foi escolhido porque atravessa um momento particularmente relevante no panorama do real estate europeu”, diz ao idealista/news Xavier González-Frias, Event Manager do The District.
Segundo o diretor de eventos responsável pela organização e execução do The District, Portugal “dispõe de um mercado cada vez mais diversificado, de uma elevada capacidade para atrair investimento internacional e de oportunidades” em vários segmentos do setor imobiliário, como o residencial, hospitalidade, logística, retalho, escritórios, residências de estudantes, residências seniores e centro de dados. “A isto junta-se a qualidade e o elevado nível de profissionalização do seu ecossistema imobiliário, composto por investidores, promotores, operadores e instituições com uma visão cada vez mais internacional”, acrescenta.
Salientando que Portugal continua a despertar um interesse significativo junto dos investidores imobiliários internacionais, Xavier González-Frias lembra que o país não está, no entanto, “imune à incerteza geopolítica, à evolução das taxas de juro ou ao aumento dos custos”. Ainda assim, frisa, “oferece uma combinação atrativa de estabilidade, procura estrutural e escassez de produto de qualidade”. “Além disso, possui um mercado com uma dimensão interessante para a indústria, onde os investidores conseguem identificar oportunidades tanto em ativos consolidados como em segmentos ainda pouco desenvolvidos”, sustenta.
O The District 2026 realizar-se-á este ano em Madrid, após várias edições em Barcelona. O que nos pode contar sobre o evento e que balanço faz das quatro edições anteriores?
O The District nasceu para ser a plataforma europeia de referência do setor do Real Estate, onde se concretizam operações, se antecipam as macrotendências do mercado e se partilham os casos de sucesso que estão a marcar o setor. Para isso, reunimos num único espaço investidores, fundos, family offices, promotores, proprietários, operadores e entidades públicas para analisar as tendências que estão a transformar o mercado, identificar oportunidades e, acima de tudo, impulsionar operações reais.
A quinta edição, que decorrerá de 22 a 24 de setembro, na IFEMA Madrid, reforçará esta vocação internacional e o papel da Península Ibérica como um dos principais polos de investimento do sul da Europa, com ligações privilegiadas tanto aos mercados europeus como à América Latina.
O balanço das quatro edições realizadas em Barcelona é muito positivo. O evento evoluiu até se consolidar como um encontro de referência para os responsáveis pelas decisões de investimento imobiliário. No entanto, o seu principal valor reside na qualidade das relações estabelecidas e das oportunidades de negócio geradas.
Qual é a importância do evento para o setor imobiliário à escala ibérica e mundial? Esta será a maior edição de sempre?
O The District consolidou-se como uma plataforma estratégica para o capital imobiliário internacional, ao reunir num único espaço os principais decisores nas áreas do investimento, financiamento, desenvolvimento e gestão de ativos. Para a Península Ibérica, a relevância reside na projeção de Espanha e Portugal como um mercado integrado, competitivo e capaz de atrair capital global, sobretudo num momento em que o sul da Europa ganha protagonismo face a outros mercados mais maduros.
"Prevemos que a edição de 2026 do The District seja a maior realizada até à data. Esperamos reunir mais de 15.000 profissionais, 360 empresas na Hospitality Area e mais de 450 especialistas internacionais, além de promover cerca de 1.400 reuniões de alto nível"
Sim, prevemos que a edição de 2026 seja a maior realizada até à data. Esperamos reunir mais de 15.000 profissionais, 360 empresas na Hospitality Area e mais de 450 especialistas internacionais, além de promover cerca de 1.400 reuniões de alto nível. Este crescimento resulta da expansão internacional do projeto, da chegada a Madrid, da posição estratégica da cidade como porta de entrada do capital latino-americano na Europa e da crescente atratividade do sul do continente.
O que motivou a decisão de transferir o evento de Barcelona para Madrid? Poderá vir a realizar-se um dia em Portugal?
A decisão de transferir o The District para Madrid responde à vontade de iniciar uma nova fase de crescimento do evento. Madrid reúne condições particularmente favoráveis, graças ao dinamismo do mercado imobiliário, à capacidade de atrair investimento e ao forte apoio institucional recebido. Barcelona foi essencial para consolidar o projeto durante as quatro primeiras edições, mas entendemos que a mudança para Madrid era o passo certo para continuar a evoluir e reforçar a participação internacional.
Quanto a Portugal, ocupa uma posição estratégica no mercado ibérico e europeu, e o facto de ser o país convidado da edição de 2026, juntamente com o roadshow realizado em Lisboa, demonstra a importância que tem para o The District.
"Portugal ocupa uma posição estratégica no mercado ibérico e europeu, e o facto de ser o país convidado da edição de 2026, juntamente com o roadshow realizado em Lisboa, demonstra a importância que tem para o The District"
Não fechamos a porta a nenhuma cidade onde o evento possa vir a realizar-se no futuro. No entanto, neste momento estamos totalmente concentrados na primeira edição em Madrid, ao mesmo tempo que continuamos a reforçar a relação com o ecossistema do capital imobiliário português.
No dia 18 de junho realizou-se, em Lisboa, um roadshow de apresentação do evento, que reuniu investidores, gestores de capital, representantes institucionais e profissionais do setor imobiliário da Península Ibérica. Que balanço faz do encontro?
As conclusões são muito positivas. Permitiu-nos ouvir, em primeira mão, investidores, gestores e representantes institucionais de ambos os países, bem como compreender de que forma está a evoluir o interesse do capital pelo mercado português. As conversas evidenciaram um interesse particularmente forte pelos segmentos residencial, PBSA (Purpose-Built Student Accommodation/residências de estudantes construídas de raiz) e Senior Living, mas também por ativos como logística, retalho, escritórios, hospitality (hospitalidade) e data centers. Além de apresentar o The District 2026, o encontro serviu para promover um diálogo prático sobre operações, necessidades de financiamento e oportunidades concretas de colaboração.
Espanha e Portugal partilham desafios como a escassez de habitação acessível, a necessidade de acelerar os processos de desenvolvimento urbano e a procura de novas formas de colaboração público-privada. Ao mesmo tempo, possuem vantagens complementares que permitem posicionar a Península Ibérica como um mercado com escala e diversidade.
O encontro confirmou ainda a importância de reforçar as relações entre ambos os ecossistemas e de dar maior visibilidade internacional às oportunidades existentes em Portugal.
Portugal será o país convidado da quinta edição do The District 2026. Porque foi escolhido?
Portugal foi escolhido porque atravessa um momento particularmente relevante no panorama do Real Estate europeu. O país dispõe de um mercado cada vez mais diversificado, de uma elevada capacidade para atrair investimento internacional e de oportunidades em segmentos como o residencial, hospitality, logística, retalho, escritórios, PBSA, Senior Living e data centers.
A isto junta-se a qualidade e o elevado nível de profissionalização do seu ecossistema imobiliário, composto por investidores, promotores, operadores e instituições com uma visão cada vez mais internacional.
"Portugal (...) atravessa um momento particularmente relevante no panorama do Real Estate europeu. Dispõe de um mercado cada vez mais diversificado, de uma elevada capacidade para atrair investimento internacional e de oportunidades em segmentos como o residencial, hospitality, logística, retalho, escritórios, PBSA, Senior Living e data centers"
Esta escolha responde também à vontade de reforçar a dimensão ibérica do The District. Espanha e Portugal não devem ser encarados como mercados isolados, mas sim como dois países complementares, capazes de oferecer ao capital maior escala, diversidade de ativos e um acesso estratégico à Europa, América Latina, África e ao Atlântico.
Portugal continua a estar no radar dos investidores imobiliários? Continua a ser uma espécie de “refúgio” para quem investe nos diferentes segmentos do setor? A que se deve esta atratividade?
Portugal continua a despertar um interesse significativo junto dos investidores imobiliários internacionais. O país não está imune à incerteza geopolítica, à evolução das taxas de juro ou ao aumento dos custos, mas oferece uma combinação atrativa de estabilidade, procura estrutural e escassez de produto de qualidade. Além disso, possui um mercado com uma dimensão interessante para a indústria, onde os investidores conseguem identificar oportunidades tanto em ativos consolidados como em segmentos ainda pouco desenvolvidos.
"Portugal continua a despertar um interesse significativo junto dos investidores imobiliários internacionais. O país não está imune à incerteza geopolítica, à evolução das taxas de juro ou ao aumento dos custos, mas oferece uma combinação atrativa de estabilidade, procura estrutural e escassez de produto de qualidade"
A atratividade assenta também numa procura diversificada. O turismo continua a sustentar o interesse pelos setores do hospitality e do retalho; a falta de habitação impulsiona o mercado residencial e as novas modalidades de living; e a posição atlântica do país favorece o desenvolvimento da logística, dos data centers e das infraestruturas. Lisboa e Porto continuam a concentrar grande parte da atividade, mas outras localizações começam a ganhar protagonismo. Por isso, mais que um mercado de refúgio entendido como um cenário de baixo risco, Portugal representa um mercado com fundamentos sólidos, capacidade de crescimento e oportunidades ajustadas a diferentes perfis de investimento.
De forma resumida e através de uma análise por segmentos — retalho e comércio de rua, logística, hotelaria, escritórios e residencial — como avalia o mercado português e o que podemos esperar de 2026?
No segmento do retalho e do comércio de rua, o interesse concentra-se nas localizações prime e em ativos capazes de combinar comércio, restauração e experiências diferenciadoras.
Por sua vez, a logística continua a apresentar um elevado potencial, devido à escassez de oferta disponível e à posição estratégica de Portugal.
O segmento hoteleiro continua a beneficiar da força do turismo, enquanto o mercado de escritórios evidencia uma recuperação seletiva, sobretudo nos edifícios modernos, eficientes e bem localizados.
Por outro lado, o setor residencial continuará a ser um dos principais focos de atenção em 2026, impulsionado pela forte procura e pela escassez de oferta, tanto em Lisboa e Porto como noutros mercados emergentes.
PBSA, Senior Living e Data Centers. São estas as principais tendências de investimento no país ou há margem para crescer noutras áreas?
O PBSA, o Senior Living e os Data Centers estão entre os segmentos com maior potencial de crescimento, uma vez que respondem a tendências estruturais como a mobilidade internacional dos estudantes, o envelhecimento da população e a expansão da economia digital. Nos três casos, verifica-se uma procura crescente e uma oferta institucional ainda insuficiente, embora o seu desenvolvimento dependa de fatores como a disponibilidade de solo, o acesso à energia, o enquadramento regulatório e a capacidade operacional dos projetos.
A logística continua igualmente a oferecer oportunidades devido à escassez de superfície disponível e à posição atlântica do país. O hospitality (hospitalidade) mantém perspetivas favoráveis graças à solidez do turismo, enquanto a habitação acessível exige novas formas de colaboração entre os setores público e privado.
Nos últimos anos, sobretudo desde a pandemia, o contexto internacional tem sido marcado pelos conflitos na Europa, entre Ucrânia e Rússia, e, mais recentemente, no Médio Oriente. Ao mesmo tempo, o BCE viu-se obrigado a aumentar as taxas de juro diretoras para combater a inflação elevada. Entre as consequências contam-se a perda de poder de compra das famílias, a subida da Euribor e... o aumento do custo do crédito habitação. Ainda assim, o setor imobiliário continua a dar sinais de resiliência. Partilha desta visão?
O setor continua exposto à evolução das taxas de juro, da inflação, dos custos energéticos, da regulamentação e do contexto geopolítico, pelo que não estamos perante um cenário linear. A incerteza está a prolongar alguns processos de decisão e obriga a analisar cada operação com maior prudência, incorporando diferentes cenários em matéria de financiamento, procura e custos.
"A robustez do setor imobiliário explica-se, em grande medida, pela existência de necessidades estruturais que não desaparecem com os ciclos económicos, como a habitação, a logística, as infraestruturas digitais ou determinados ativos operacionais"
A robustez do setor explica-se, em grande medida, pela existência de necessidades estruturais que não desaparecem com os ciclos económicos, como a habitação, a logística, as infraestruturas digitais ou determinados ativos operacionais. A isto junta-se um capital mais seletivo, que não abandonou o mercado, mas antes ajustou o seu perfil de risco, privilegiando localizações, projetos e operadores com fundamentos sólidos.
Os custos de construção continuam também a aumentar. Ao mesmo tempo, os players dos setores da construção e do imobiliário manifestam preocupação com a escassez de mão de obra. Como será possível, por exemplo, aumentar a oferta de habitação se há falta de mão de obra qualificada?
Este é um dos principais fatores que condicionam o aumento da oferta de habitação. O aumento dos custos dos materiais, da energia e do financiamento, aliado à escassez de mão de obra qualificada, está a elevar os custos de construção e a prolongar os prazos de execução dos projetos.
"O aumento dos custos dos materiais, da energia e do financiamento, aliado à escassez de mão de obra qualificada, está a elevar os custos de construção e a prolongar os prazos de execução dos projetos"
Não há uma solução única para este desafio. Será necessário atuar em várias frentes em simultâneo: reforçar a formação profissional, atrair talento, melhorar as condições de trabalho, reduzir os prazos administrativos que atrasam muitos projetos e apostar de forma mais decidida na industrialização dos processos construtivos.
Relativamente à crise da habitação em Portugal, ou às dificuldades de acesso à habitação, o Governo anunciou várias medidas destinadas a aumentar a oferta, como a redução do IVA da construção para 6%. Quais destacaria e porquê?
Destacaria, sobretudo, as que atuam diretamente sobre a oferta. A redução do IVA para 6% na construção e reabilitação poderá contribuir para melhorar a viabilidade económica dos projetos e facilitar que parte dessa redução de custos se reflita no preço final. São igualmente relevantes a simplificação dos processos de licenciamento e os incentivos fiscais associados ao arrendamento a preços acessíveis, uma vez que permitem reduzir prazos, mobilizar investimento privado e favorecer a entrada de mais habitação no mercado.
Em todo o caso, nenhuma medida será eficaz de forma isolada. Para alcançar um impacto real, será necessário combinar os incentivos fiscais com a disponibilização de solo, segurança jurídica, uma colaboração efetiva entre os setores público e privado e uma administração mais ágil na execução dos processos.
A direção seguida parece adequada se o objetivo for aumentar a produção de habitação. No entanto, a sua eficácia dependerá da capacidade destas medidas proporcionarem estabilidade e previsibilidade suficientes para que promotores e investidores possam planear os projetos a longo prazo.
Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.
Fica a saber mais sobre o idealista/news.
Whatsapp idealista/news Portugal







Para poder comentar deves entrar na tua conta