Mediadores imobiliários em choque com fim de benefícios fiscais para reformados estrangeiros

Mediadores imobiliários em choque com fim de benefícios fiscais para reformados estrangeiros
Luís Lima diz que tributação de IRS vai afetar setor e economia nacional APEMIP

A notícia de que o Governo pretende introduzir uma alteração ao regime fiscal para residentes não habituais, de modo a sujeitar a IRS os futuros reformados estrangeiros em Portugal, caiu como uma bomba no setor imobiliário. Os mediadores estão em choque e argumentam que estas eventuais alterações são "um erro crasso que colocará em causa o bom funcionamento deste programa, que muito tem beneficiado o setor imobiliário e a economia do País".

O objetivo do Governo, confirmado pelo próprio ministro das Finanças, é que possa ser aplicada uma taxa de IRS, a fixar entre os 5% e os 10%, de forma forma a atenuar o desagrado demonstrado por países como a Suécia, quanto à ausência de tributação dos reformados estrangeiros que vivam em Portugal ao abrigo deste regime.

Publicidade

O Regime Fiscal para Residentes Não Habituais foi criado em 2009 e revisto em 2012, com o objetivo de estimular a competitividade fiscal internacional, tendo como alvo cidadãos que queiram estabelecer em Portugal uma residência temporária. 

APEMIP diz que a medida é "um absurdo"

“Em Portugal, parecemos ser exímios a estragar o que funciona bem! Criámos os Vistos Gold, um mecanismo que trouxe milhares de euros de investimento para o País e que rapidamente começou a ser alvo de problemas e entraves burocráticos que puseram e põem em causa a sua credibilidade. O negócio de Alojamento Local começou a expandir-se, incentivando a reabilitação urbana e a criação de emprego, e rapidamente se alterou a fiscalidade sobre o negócio e há quem proponha a sua quase eliminação. Agora, apontam-se as armas para o Regime Fiscal para Residentes Não Habituais, um programa fabuloso, que tem um impacto incrivelmente positivo na economia portuguesa e no setor imobiliário, tendo sido um dos principais responsáveis pela retoma do imobiliário, e vamos introduzir alterações porque os outros países estão insatisfeitos. É um absurdo", declara o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), citado em comunicado.

Luís Lima está convencido de que o investimento estrangeiro continuará a ser um dos principais focos de alavancagem do setor imobiliário e da economia. “No ano passado, o representou cerca de 20% do total do investimento imobiliário em Portugal. Apesar de haver cada vez mais estrangeiros a investir no imobiliário português sem recurso a programas de captação de investimento, estes continuam a ser muito importantes para atrair outras nacionalidades", remata.

Para poder comentar deves entrar na tua conta