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Trabalhar mais do que a conta vai matando, alerta a OMS

Dedicar longos períodos à jornada laboral aumenta o risco de sofrer AVC e de morrer devido a doença cardíaca isquémica.

Imagem de Lukas Bieri por Pixabay
Imagem de Lukas Bieri por Pixabay
Autor: Redação

Trabalhas 55 horas por semana ou mais? Sabias que estás a correr riscos sérios para a tua saúde? Um estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) esta segunda-feira (dia 17 de maio de 2021) alerta que trabalhar longos períodos está a matar. Isto porque trabalhar em excesso aumenta em 35% a probabilidade de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e em 17% a probabilidade de morrer devido a uma doença cardíaca isquémica em comparação com quem trabalha 35/40 horas semanais.

Aquela que é a primeira análise global sobre mortes associadas a longos períodos de trabalho foi publicada pela revista ‘Environment International’, envolve 194 países e mostra que 745 mil pessoas morreram de AVC e de doenças cardíacas associadas a longos períodos laborais em 2016. Este número representa mesmo um aumento de 29% face ao apurado em 2000 – ano em que se iniciou o estudo, refere a Reuters citada pelo Público.

As regiões mais afetadas do globo são o sudeste da Ásia e o Pacífico Ocidental, que inclui países como a China, Japão e Austrália. A maioria das vítimas são sobretudo homens de meia-idade ou de idade superior (que corresponde a 72%), mas os efeitos do trabalho em excesso geralmente sentem-se mais tarde.

Pandemia aumenta tempo de trabalho

Os efeitos da pandemia da Covid-19 não foram contabilizados neste estudo, mas vários trabalhadores da OMS já alertam que pode ter aumentado os riscos, dado o aumento do teletrabalho e os impactos desta conjuntura na economia global. “A pandemia está a acelerar desenvolvimentos que podem alimentar a tendência de aumento do tempo de trabalho”, disse a OMS, estimando que pelo menos 9% das pessoas trabalham longas horas.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus,“ o teletrabalho tornou-se a norma em muitas indústrias, muitas vezes esbatendo as fronteiras entre a casa e o trabalho. Além disso, muitas empresas foram obrigadas a reduzir ou encerrar operações para economizar dinheiro, e os trabalhadores que ficaram acabam por trabalhar mais horas. Nenhum trabalho vale o risco de AVC ou doença cardíaca. Os governos, os empregadores e os trabalhadores precisam de trabalhar em conjunto para chegar a um acordo sobre os limites e proteger a saúde dos trabalhadores", referiu ainda na publicação.

Como prevenir?

Para Isabel Lourinho, psicóloga do Instituto CUF, "ter o e-mail disponível no telemóvel ou no relógio não permite efetuar o on/off necessário. Por exemplo, podemos ler às 22h00 um e-mail que nos pode custar uma noite de sono", refere em declarações ao jornal Expresso.

Para prevenir cenários mais dramáticos, a especialista aconselha a desenhar horários bem definidos, executar as tarefas por prioridades, delegar tarefas, ajustar prazos se necessário e ,claro está, ter tempo de lazer.

As pessoas que trabalham mais horas devem estar atentas aos seguintes sinais, segundo a psicóloga: cansaço constante, dificuldade de concrentração, irritabilidade, mudanças de humor, maior dificuldade de tomar decisões e perda de interesse nas atividades que antes lhe davam prazer.