Dez anos depois de estar ao abandono, o edifício histórico "La Casa de la Carnicería", em Madrid, está a ganhar nova vida pela mão do Grupo Pestana. A cadeia hoteleira portuguesa ganhou, em 2015, a concessão por 45 anos do imóvel localizado na Plaza Mayor da capital espanhola e está agora a ultimar o projeto de reabilitação. O idealista/news foi visitar as obras e mostra-te (ver vídeo) como o emblemático edifício, que ao longo de mais de cinco séculos de história foi acumulando várias funções, está a ser transformado num hotel de luxo.
Já com presença em Barcelona e tendo identificado Madrid como um "mercado estratégico", depois de "analisar mais de 100 projetos", a Carnicería surgiu como uma "surpresa" para o Grupo Pestana, conta José Roquette, administrador responsável pela área do desenvolvimento e estratégia de crescimento.
"Fomos avisados do concurso, cerca de um mês antes. Nesse espaço tivemos de criar uma equipa de advogados, arquitetos, construtores e gestores de obra que reunimos e funcionam até hoje. Dedicámos a melhor equipa que temos ao projeto e ganhámos por uma diferença muito curta em relação ao segundo", detalha o gestor, em entrevista ao idealista/news, assumindo que nunca imaginou "que fosse uma cadeia estrangeira, ou portuguesa neste caso, a ganhar este concurso lançado em Espanha".
Considerando que "a boa forma" económico-financeira foi uma vantagem devido ao momento do concurso, que aconteceu em plena crise, Roquette diz que "a grande experiência em edifícios históricos também foi decisiva" para ganhar a corrida ao imóvel na Plaza Mayor.
"Rapidamente conseguimos perceber quais eram os principais riscos e problemas aqui do projeto, coisa que para uma empresa que não tem essa experiência em imóveis históricos é muito mais difícil", argumenta.
Superada a fase do concurso, o grande desafio tem sido agora a implementação do caderno de encargos de reabilitação do edifício, "muito exigente por parte da Comissão Nacional de Património, por estar em causa um imóvel histórico e classificado com o grau de proteção mais alto que existe em Madrid".
"Neste edifício não podíamos tocar em nada sem as prévias instruções da Comissão", relata ao idealista/news Sergio Martin, arquiteto da Proteyco Ibérica, responsável pela coordenação do projeto, precisando que "conservar a maior parte das pré-existências era a grande preocupação da Comissão".
O edifício passou de ser o centro de distribuição de carne para toda a cidade de Madrid, a converter-se na Hemeroteca Municipal ou noutros serviços da câmara, e até chegou a ser um quartel de bombeiros. "Todas estas funções perverteram a conceção arquitetónica original do edifício", explica o arquiteto, dizendo que agora o grande objetivo era "devolver o mais possível o imóvel às suas origens", eliminando os "impactos negativos deixados pelos vários usos que foi tendo ao longo dos anos".
Para realizar estes trabalhos foi necessário contratar "pessoal especializado", usar "materiais específicos" e o projeto de arquitetura teve de ter em conta "uma proporção de zonas comuns face ao número de quartos mais elevada que o habitual", o que "tornou o projeto mais caro", indica o responsável.
Sem ter feito cálculos reais, e "comparando este tipo de reabilitação com a de um edifício que não esteja protegido", o arquiteto estima que um aumento "à volta de 20% pode ser um valor conservador".
Mas o grupo Pestana considera que o investimento mereceu a pena e que esta vai ser uma aposta ganha. Com 87 quartos - orientados para um segmento de topo, sobretudo dos mercados americano, francês, inglês e alemão, com um custo médio diário de 200 euros (a suite pode chegar aos 1.000 euros por noite) - o projeto implica um investimento de 11 milhões de euros. Com data marcada para abrir portas ao público no início de 2019, Roquette está convencido de que o projeto "vai ser um êxito", partilhando que já há "bastantes reservas".
Em paralelo, o Grupo tem a decorrer as obras do hotel CR7 - em parceria com Cristiano Ronaldo - que também vai operar em Madrid e cuja abertura está prevista para dentro de um ano, após um investimento de 12 milhões de euros.







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