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O segredo do The Edge Group: “Compramos ativos quando não estão inflacionados”

José Luís Pinto Basto, CEO do The Edge Group / The Edge Group
José Luís Pinto Basto, CEO do The Edge Group / The Edge Group

O The Edge Group, um conjunto de holdings de investimento e capital de risco lideradas por José Luís Pinto Basto, nasceu em 2002, mas começou a apostar em força na promoção imobiliária em 2006. Superou a crise de 2007/2008 e a Troika e está de pedra e cal no mercado. O segredo? “Só nos interessamos por um projeto se o comprarmos a determinado preço”, começa por dizer José Luís Pinto Basto, em entrevista ao idealista/news.

Numa fase inicial, o The Edge Group começou por fazer sobretudo consultoria de investimento imobiliário, fazendo aconselhamento e gestão de oportunidades para grandes investidores. Na altura, o parceiro de negócio de José Luís Pinto Basto era João Bernardino Gomes, “um grande promotor imobiliário [fundador dos Hotéis Real]” que faleceu em 2006, comenta.

A partir desse ano tudo mudou e o The Edge Group, aliado a Miguel Pais do Amaral – “o primeiro grande investidor que investiu connosco” –, começou a fazer promoção imobiliária “em força”. “Hoje trabalhamos com nove investidores de forma regular, não apenas o Miguel Pais do Amaral, sendo que a cada tipo de projeto juntamos o tipo de investidor que mais se adapta [ao projeto]”, explica o CEO do The Edge Group, frisando que a promoção imobiliária continua a ser o ‘core business’.

"Apresentamos quase semanalmente propostas de compra de ativos, mas nestas alturas o ‘gap’ entre aquilo que consideramos que é o justo valor e aquilo que o mercado está a pedir aumenta"
José Luís Pinto Basto, CEO do The Edge Group

“A política no grupo caracteriza-se por algumas linhas fundamentais na área do imobiliário: uma delas é que somos conservadores no momento de entrada nos projetos, no momento de compra. Seguimos aquilo que vem nos livros, que é o negócio faz-se na compra. Daí sermos muito investidores de contraciclo, gostamos de comprar ativos quando não estão inflacionados, que não é o cenário atual. Temos mais dificuldades nesta altura, porque ainda somos mais seletivos. Apresentamos quase semanalmente propostas de compra de ativos, mas nestas alturas o ‘gap’ entre aquilo que consideramos que é o justo valor e aquilo que o mercado está a pedir aumenta”, revela José Luís Pinto Basto.

Comprar ativos “fora da caixa”

O empresário reforça a ideia de que o grupo só se interessa por um projeto se o mesmo for comprado por determinado preço: “Não nos emocionamos, se houver mais três compradores e o preço começar a subir saímos da corrida. Não vamos a leilões. Sabemos que quando o processo é muito mediático vai ser bom para o vendedor, mas dificilmente será bom para o comprador”. 

Os projetos em que o The Edge Group já investiu acabam por justificar esta estratégia assumida pela empresa. Ou seja, a aposta em ativos “fora da caixa”. 

“Não nos assusta ativos desvalorizados e com problemas. Por exemplo, este edifício [Espaço Amoreiras, em Lisboa, onde se encontra a sede do The Edge Group] era um centro comercial que nunca teve razão de existência. Esteve aberto cerca de um ano e depois esteve fechado cinco anos. Havia dificuldade no mercado em entender o que se poderia fazer aqui e nós percebemos que era uma zona com grande procura de escritórios fora da caixa. Comprámos o edifício em 2010 e reinaugurámo-lo como centro empresarial em 2011 [após um investimento de 37,2 milhões de euros]”, conta Luís Pinto Basto. 

"Uma característica da nossa estratégia é que alguns ativos vendemos e outros mantemos como redimento. Este equilíbrio é muito importante para a estabilidade a longo prazo e para a solidez das empresas imobiliárias"
José Luís Pinto Basto, CEO do The Edge Group

O truque passa então também por “antecipar aquilo que são as tendências do mercado”. “E os nossos investimentos na zona de Santos [Edifício D. Luís I e ‘A Garagem’] são um bom exemplo”, revela o empresário. “Acreditámos que aquela zona ia ser cada vez mais procurada pelas empresas para instalarem escritórios e comprámos os dois maiores edifícios da zona, ainda na altura em que os preços não estavam muito inflacionados”, explica.

Fachada do Edifício D. Luís I / The Edge Group
Fachada do Edifício D. Luís I / The Edge Group

De acordo com o CEO do The Edge Group, o Edifício D. Luis I foi comprado em 2015, transformado em escritórios em 2016 e vendido em 2017, por 29 milhões de euros. Já o Edifício “A Garagem” foi adquirido em 2016 e reabilitado posteriormente, estando arrendado na totalidade ao grupo WPP. “Esse edifício mantemos como ativo de rendimento. É um contrato de 20 anos e decidimos que era um bom ativo para se manter. Uma característica da nossa estratégia é que alguns ativos vendemos e outros mantemos como redimento. Este equilíbrio é muito importante para a estabilidade a longo prazo e para a solidez das empresas imobiliárias”, conclui.       

Fachada do Edifício 'A Garagem' / The Edge Group
Fachada do Edifício 'A Garagem' / The Edge Group