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Falta de escritórios tradicionais impulsiona coworking em Portugal

Há vários operadores em expansão ou a inaugurar os seus primeiros projetos no país.

Photo by Shridhar Gupta on Unsplash
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Autor: Redação

O conceito de coworking está a crescer em Portugal, e já há vários operadores em expansão ou a inaugurar os seus primeiros projetos no país. Estima-se que este modelo de trabalho agregue uma oferta total de 130.000 metros quadrados (m2), 60% dos quais concentrados em Lisboa e 13% no Porto. “Apesar do peso residual”, diz um estudo divulgado pela Cushman & Wakefield (C&W), este segmento tem vindo a colmatar a escassez de oferta de espaços tradicionais de escritórios e a dar resposta a um novo tipo de procura, cujo enfoque está na flexibilização do local de trabalho.

A consultora, em parceria com a CoreNet Global, a principal associação profissional de imobiliário empresarial que agrupa os responsáveis pelo imobiliário de multinacionais, realizou um inquérito a mais de 550 líderes do setor de imobiliário comercial de todo o mundo. Os participantes no “European Student Accomodation Guide 2019” foram questionados sobre a sua perceção em relação ao setor de coworking, os prós e contras no uso deste modelo de trabalho, os impactos estimados nos custos e a utilização, no passado e no futuro, de escritórios flexíveis por parte dos colaboradores.

Em Portugal, diz o documento, vários operadores já instalados estão atualmente em processo de expansão, como é o caso da GoldenHub, da IDEA Spaces e da Second Home. Também há empresas a inaugurar os seus primeiros projetos: a Spaces (grupo IWG), Heden, Wood e Factory são um exemplo. Esta última, revela a Cushman, irá instalar a Factory Lisbon num projeto de 12.000 m2 em construção no Hub Criativo do Beato, tendo já assegurado uma ocupação parcial pela Mercedes-Benz.io, o hub de inovação digital da marca automóvel alemã.

Líderes europeus comprometidos com o conceito

“Cerca de dois terços das empresas utilizam o coworking nalguma escala e muitos inquiridos esperam duplicar o seu grau de compromisso com este tipo de espaços ao longo dos próximos cinco anos”, diz o estudo da consultora. Os resultados mostram que os líderes das empresas têm uma visão geralmente positiva sobre o coworking e encaram o espaço flexível como parte crescente da sua estratégia de ocupação. A percentagem de colaboradores com acesso a este tipo de espaço está a crescer e, em média, os inquiridos planeiam ter 24% da sua equipa a utilizar espaços de coworking de forma regular nos próximos cinco anos.

Os líderes reconhecem que a integração de espaço flexível na sua estratégia proporciona um valor significativo em termos de atração de talento, ao mesmo tempo que reduz os custos de ocupação ao permitir adaptarem-se às variações constantes no número de colaboradores. Apesar de uma visão genericamente positiva do coworking, “os responsáveis pelo imobiliário comercial são realistas quanto aos desafios para os colaboradores”.

Cerca de metade (48%) dos entrevistados identifica, apesar disso, uma dificuldade, nomeadamente a capacidade de manter a cultura e coesão das equipas quando os colaboradores estão a trabalhar fora da empresa em espaços de coworking.