Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Impacto do Covid-19 nos escritórios: ocupação no Porto supera a de Lisboa em março

Em termos trimestrais, a atividade cresceu em termos homólogos na capital e na Invicta, segundo dados revelados pela JLL.

Gtres
Gtres
Autor: Redação

O segmento de escritórios em Portugal está a sofrer também, claro, os efeitos da pandemia do novo coronavírus. “Danos colaterais” que estão, no entanto, a ser sentidos de forma diferente em Lisboa e Porto. Na capital, em março, foram ocupados 9.682 metros quadrados (m2), bem menos que no mês anterior (-54%) e no período homólogo (-65%). Já na Invicta, o ‘take-up’ foi superior ao de Lisboa, com a atividade a atingiu 11.140 m2, mais que em fevereiro e que no mês anterior do ano passado.

En causa estão dados que constam no Office Flashpoint de março da consultora JLL, ou seja, um período que já contempla o período de restrições do Covid-19 – o primeiro Estado de Energência decretado por Marcelo Rebelo de Sousa entrou em vigor a 19 de março de 2020.

“No mês em análise, o mercado de escritórios de Lisboa registou uma ocupação de 9.682 m2, numa clara desaceleração, quer face ao mês anterior (-54%) quer ao homólogo (-65%). Neste mês foram contabilizadas apenas 13 operações, com uma área média de 745 m2, um indicador que também recuou face ao que tem sido a realidade do mercado, com uma área média acima dos 1.000 m2. Neste mês, o CBD (zona 2) foi a zona mais ativa, concentrando 64% da ocupação, e as empresas de Serviços a Empresas foram as mais dinâmicas, gerando metade da atividade”, refere e JLL, em comunicado.

Em sentido inverso encontra-se o Porto, onde “o mercado apresentou em março um desempenho em expansão, alcançando um take-up até superior ao de Lisboa”. “Nesse mês, a atividade atingiu 11.140 m2, num crescimento bastante expressivo, quer face ao mês anterior quer face ao homólogo, não podendo esquecer-se, contudo, que as bases nesses dois períodos são bastante baixas. Contabilizaram-se nove operações neste mês, destacando-se a tomada de cerca de 5.900 m2 pela Concentrix no POP e de 3.000 m2 pela Vestas no Centro Empresarial Lionesa. A área média por operação aumentou assim, para 1.239 m2. O CBD Boavista (zona 1) foi o eixo mais dinâmico, concentrando 59% da ocupação”, lê-se no documento. 

Crescimento trimestral nas duas cidades

Em termos trimestrais, apesar da queda de março, foram ocupados 44.671 m2 em Lisboa, num crescimento de 7% face ao período homólogo. Foram contabilizados neste período 34 operações com uma área média de 1.314 m2, sendo o Corredor Oeste (zona 6) e o Parque das Nações (Zona 5) e CBD (zona 2) os principais destinos da procura, com quotas em torno dos 25% cada. De referir que as empresas de Serviços a Empresas foram as mais dinâmicas no acumulado do ano, concentrando 48% da atividade ocupacional.

No Porto, os dados trimestrais também são animadores, tendo sido ocupados entre janeiro e março 19.149 m2, quase cinco vezes mais que no período homólogo. A área média das operações atingiu 1.197 m2 e contabilizaram-se 16 negócios no trimestre. Em termos geográficos, destaque para a CBD Boavista (zona 1), que atraiu a maior fatia de ocupação (35%), e para as zonas Outros Porto (zona 5/quota de 22%) e Oriental (4) e Matosinhos (6). As empresas de Outros Serviços, com uma quota de 36%, e Serviços a Empresas, com um peso de 32%, foram as mais ativas.

Segundo Mariana Rosa, Head of Office & Logistics Agency & Transaction Manager da JLL, março foi um mês “atípico, pois conjuga períodos pré e pós Covid-19”, o que “explica a diferença de comportamentos entre Lisboa e Porto”. 

“Acreditamos que, após ter sido decretado o Estado de Emergência, os negócios tenham estagnado em ambos os mercados, mas as operações realizadas antes disso tiveram características diferentes, o que determinou desempenhos distintos. No Porto, houve menos operações, mas de maior dimensão, o que levou a um crescimento do ‘take-up’. Em Lisboa, a maioria das operações concretizadas foi de menor dimensão, empurrando, assim, a ocupação para baixo. Só a partir de abril será possível aferir com maior rigor o efeito da pandemia em ambos os mercados”, conclui.