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Casas de luxo em Lisboa: 60% dos compradores são estrangeiros, mas há mais portugueses a investir

Gtres
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“Passámos a ser um país credível. Temos segurança, bom clima, luz, simpatia, beleza…”. A afirmação é de Pedro Lancastre, managing director da consultora JLL Portugal, durante a apresentação do estudo “Mercado Residencial – Dinâmica Inigualável”. Segundo o responsável, Lisboa vive um momento único que tem de continuar a ser aproveitado, sobretudo para atrair investidores estrangeiros. Estes representam agora “só” 60% dos compradores – contra 40% de portugueses –, quando há dois anos o seu peso rondava os 80%.  

O estudo em causa, que analisa 11 zonas da capital e ainda a zona do Estoril, conclui que o mercado residencial está atualmente no seu exponente máximo em Lisboa. “A procura é, desde 2013, marcada por novos perfis de compradores, sendo este um dos fatores que mais influenciou esta dinâmica e que está a transformar as zonas mais centrais e com maior fluxo turístico, como a Avenida da Liberdade, Baixa e Chiado”, explica a consultora.

Para Pedro Lancastre não dá dúvidas, Lisboa “está muito mais viva”. “E não é só a reabilitação e a construção. Há mais pessoas na rua. Há mais comércio local. Está a ganhar-se muito mais que o pouco que se tem a perder. A Rua Augusta há quatro ou cinco anos estava completamente deserta a partir das 19 horas, hoje tem vida, e se há turistas também há portugueses”, explicou.

Oferta de nova habitação na capital destina-se sobretudo aos segmentos médio/alto do mercado, com preços que variam entre 3.000 e 9.000 euros por m2

De acordo com a JLL, a oferta de nova habitação na capital destina-se sobretudo aos segmentos médio/alto do mercado, com preços que variam entre 3.000 e 9.000 euros por m2. Um valor que não preocupa os responsáveis da consultora, que consideram que o mercado não está inundado de casas a valer 9.000 euros por m2, sendo este um nicho muito específico.

“Os preços não sofreram grandes oscilações mesmo em tempo de crise. Temos agora é zonas onde os preços ajustaram, porque são imóveis com vistas espetaculares, localizações únicas, características especiais”, comentou Patrícia Barão, head of residential da JLL. “Está a acontecer o que sucede noutras cidades europeias, que é o centro ser sempre muito mais caro que outras zonas da cidade”, argumentou Marta Empis, head of strategic consultancy & research da empresa, salientando que, ainda assim, os preços prime praticados em Lisboa são muito inferiores aos verificados em Madrid (Espanha), que rondam os 15.000 euros por m2.

A tendência será, portanto, continuar a reabilitar imóveis e aumentar a oferta disponível no centro da cidade. Até final do ano, revelou Patrícia Barão, devem ser colocados à venda só na zona da Avenida da Liberdade cerca de 300 novas casas, todas – claro – com preços para o segmento médio/alto e alto.

Estes são os valores prime praticados nas 12 zonas contempladas no estudo: 

  1. Avenida da Liberdade: entre 6.000 e 9.000 euros por m2 
  2. Chiado/Santa Catarina: entre 5.500 e 8.000 euros por m2
  3. Príncipe Real/São Bento: entre 4.750 e 7.500 euros por m2
  4. Zona Histórica: entre 4.000 e 6.500 euros por m2
  5. Zona Ribeirinha: entre 4.000 e 5.500 euros por m2
  6. Lapa/Estrela: entre 4.000 e 5.000 euros por m2
  7. Campo de Ourique/Amoreiras: entre 3.000 e 5.500 euros por m2
  8. Avenidas Novas: entre 3.000 e 5.750 euros por m2
  9. Colina de Santana: entre 3.000 e 4.500 euros por m2
  10. Restelo/Belém: entre 3.500 e 6.000 euros por m2
  11. Parque das Nações: entre 3.500 e 6.000 euros por m2
  12. Estoril/Cascais: entre 5.000 e 12.000 euros por m2