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Lisboa: quatro vilas operárias “renascem” este ano após investimento de quatro milhões

Estes serão os primeiros sete pátios e vilas alvo de reabilitação. / Câmara Municipal de Lisboa
Estes serão os primeiros sete pátios e vilas alvo de reabilitação. / Câmara Municipal de Lisboa

São, ao todo, 33 pátios e vilas operárias municipais – num universo de 61 na posse da Câmara Municipal de Lisboa (CML) – que vão ser reabilitados nos próximos anos. Numa primeira fase serão sete os espaços a ganhar uma “segunda vida”, quatro dos quais já em 2017: a Vila Travessa de Paulo Jorge, em Belém, a Vila Bela Vista, no Beato, a Vila Romão da Silva e a Vila Elvira, ambas em Campolide. O objetivo é trazer jovens para o centro da cidade e dinamizar o mercado de arrendamento, disponibilizando rendas acessíveis.

Em causa está um investimento total de cerca de oito milhões de euros, isto nesta primeira fase do programa (nas primeiras sete intervenções). Na reabilitação dos primeiros quatro projetos, a autarquia vai investir mais de quatro milhões de euros – 370.000 euros na Vila Travessa de Paulo Jorge, 180.000 euros na Vila Bela Vista, dois milhões de euros na Vila Romão da Silva e 1,5 milhões de euros na Vila Elvira.

CML investirá oito milhões de euros na reabilitação dos primeiros sete pátios e vilas inseridos na primeira fase do projeto

“Há mais de 20 anos que não é feito nada nestas vilas e pátios”, revelou a vereadora da Habitação e do Desenvolvimento Local, Paula Marques, durante uma visita a três das vilas que vão ser intervencionadas.

Segundo a autarca, a CML será responsável pelas obras, já que estas vilas e pátios lhe pertencem, e a reabilitação será total, ou seja, incidirá nas fachadas e no interior dos edifícios – ocupados ou devolutos – e nos espaços comuns. Só não serão reabilitados os interiores dos imóveis já existentes nas vilas a pátios que pertencem a privados, como por exemplo em algumas frações da Vila Travessa de Paulo Jorge.

47 casas devolutas reabilitadas este ano

Em causa está a reabilitação de 47 casas devolutas (vazias) e de cerca de 100 habitadas. Isto só nos primeiros quatro projetos que avançam já este ano (ver imagens em baixo). No caso concreto das duas vilas localizadas em Campolide, a Vila Romão da Silva e a Vila Elvira, serão colocadas no mercado 12 e 20 casas renovadas, respetivamente, que se encontram devolutas.

Paula Marques revelou ainda que, no caso da Vila Romão da Silva, localizada muito perto do Amoreiras Shopping Center, também serão renovadas quatro frações não habitacionais. Em causa está a companhia de teatro “O Palmo e Meio” e um clube desportivo. De referir que o teatro, em funcionamento desde 1980, nascerá renovado e terá um anfiteatro “aberto” também para o interior da vila.

Rendas acessíveis

Com este programa de reabilitação, a autarquia pretende aumentar a oferta de habitação com rendas acessíveis na cidade, apostando em modelos de ocupação intergeracional e dinamizando o mercado de arrendamento. Por outro lado, contribui para a reabilitação e rejuvenescimento da capital, nomeadamente das zonas abrangidas. Os interessados poderão concorrer aos imóveis vazios através dos concursos públicos que entretanto serão lançados pela autarquia.

Que futuro para os outros 28 pátios e vilas?

A triagem feita pela CML concluiu que 33 dos 61 antigos pátios e vilas operárias na esfera do município serão reabilitados, ou seja, não estão abrangidos neste projeto 28 espaços. De acordo com a vereadora, o destino mais provável dos mesmos é a demolição e posterior transformação em espaço público, já que não reúnem condições de reabilitação.

As origens destes pátios e vilas

São espaços que foram construídos para os operários que vieram para Lisboa em grande número a partir de meados do século XIX e que tiveram, por isso, de encontrar um lugar para viver. E assim foram improvisadas soluções nos bairros antigos ou na periferia da cidade.

Paula Marques explicou que muitas destas vilas e pátios foram parar às mãos da CML por herança ou doação e que fazem parte da memória de Lisboa, sendo também por isso essencial recuperá-los e dar-lhes com que uma segunda vida. 

Os primeiros quatro projetos vistos à lupa: