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Estrela/Campo de Ourique lidera subida dos preços das casas em Lisboa – valorizou 22,8% num ano

Eixo da zona histórica (Baixa/Chiado/Avenida da Liberdade) é o mais caro, mas está a perder "peso". Nas Avenidas Novas os preços também dispararam.

www.all-free-photos.com
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Autor: Redação

A pressão dos preços das casas na zona histórica de Lisboa está a desviar-se do eixo Baixa-Chiado/Avenida da Liberdade que continua, apesar disso, a ser o mais caro. O estudo “Reabilitação para Uso Residencial em Lisboa’19”, da Prime Yield, mostra uma maior aproximação entre as diferentes zonas no que respeita aos preços de oferta e ao investimento em novos projetos. A zona da Estrela/Campo de Ourique é a que mais se destaca: o valor médio do metro quadrado (m2) situa-se nos 6.623 euros, ou seja, 22,8% acima dos valores pedidos no ano passado.

A distância face à zona histórica é agora de 19%, comparando com os 28% observados em 2018. Esta zona reforçou também o seu peso nos projetos em carteira, passando de 11% para 13% do stock contabilizado pela Prime Yield.

O eixo da zona histórica (Baixa/Chiado/Avenida da Liberdade) “não só se mantém como o principal destino deste tipo de projetos em 2019, concentrando 53% dos apartamentos em comercialização, como continua a ser o mais caro, com um preço médio de oferta de 7.902 euros por m2”, lê-se no estudo da consultora. Esta zona tem vindo, apesar disso, a perder dinâmica, “não só reduzindo o seu peso no stock em oferta face a 2018, quando concentrava 60% da carteira, como estreitando a diferença de preços face a outras zonas”. Em 2018, o 'asking price' para este tipo de apartamento na zona estava 14% a 40% acima das restantes zonas enquanto em 2019 esse 'gap' é de 11% a 36%. Foi também a zona que registou a subida menos acentuada no 'asking price', nomeadamente de 14,5% (face a 2018).

Preços nas Avenidas Novas disparam

As Avenidas Novas mantêm o peso de 14% no stock em oferta e consolidam-se como o segundo destino mais valorizado, com o preço médio a superar 7.000 euros por m2 (7.138 euros). Nesta zona, os valores médios de oferta evoluíram 17,9% face a 2018 e aproximaram-se dos valores pedidos na zona histórica, com o 'gap' entre ambas a situar-se em 11% em 2019 (14% em 2018).

A zona de Arroios/S.Vicente/Penha de França foi a que mais beneficiou da perda de dinâmica da zona histórica, passando de uma quota no stock de 15% em 2018 para 20% em 2019. Não obstante, continua a ser a zona menos valorizada de entre as analisadas, com um preço por m2 de 5.806 euros, embora apresentando uma variação de 17,4% face aos valores pedidos em 2018. Ao mesmo tempo, reduziu o 'gap' face à zona histórica, cujo preço de oferta se encontra agora 36% acima deste eixo (40% em 2018).

Há casas na zona histórica a "tocar" os 14.900 euros por m2

 “A reabilitação continuará a ser um importante motor de promoção imobiliária para habitação no centro de Lisboa e existe uma procura consolidada para este tipo de projeto, como, aliás, sugere o comportamento dos valores de oferta e os patamares de preço que, entretanto, se atingiram”, comenta Daniela Costa, Diretora de Research da Prime Yield.

“Ainda que os preços médios nas diferentes zonas se situem entre os 6.000 e os 8.000 euros por m2, existem apartamentos em venda a tocar picos de 14.900euros por m2, como é o caso dos T3 mais caros da zona histórica. E também as zonas de Estrela/Campo de Ourique e das Avenidas Novas já têm apartamentos acima dos 10.000 euros por m2, nomeadamente os valores máximos dos T3 na primeira zona, em cerca de 10.075 euros por m2, e dos T4 na última zona, em cerca de 10.400 euros por m2”, acrescenta a responsável.

O estudo da Prime Yield identificou um stock de 1.593 apartamentos integrados em 93 projetos de reabilitação atualmente em fase de comercialização e distribuídos por quatro zonas da cidade. A maioria dos projetos dirige-se aos segmentos médio-alto e alto e está em fase de construção, estimando-se que cerca de 67% do stock esteja já comercializado.