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Espanhola Almagro Capital entra em Portugal para comprar casas a idosos

SIGI investe em zonas residenciais 'prime' e escolheu Lisboa e Porto para dar o salto internacional. Quem vende as casas pode continuar a viver nelas.

Photo by David Monje on Unsplash
Photo by David Monje on Unsplash

O mercado imobiliário português continua no radar das empresas espanholas. Agora é a vez da sociedade de investimento imobiliário Almagro Capital dar o passo em frente para cruzar a fronteira. Especializada na compra de imóveis com usufruto - um produto financeiro que permite aos reformados obter liquidez com a venda da sua casa e continuar a viver nela -, a socimi do país vizinho já teve luz verde da assembleia de acionistas para avançar para Portugal, o primeiro mercado internacional onde quer investir na compra de ativos.

A companhia está a ultimar um aumento de capital de 50 milhões de euros para investir nas principais cidades espanholas e revelou ao idealista/news que vai começar a analisar operações nas zonas residenciais 'prime' no mercado luso de forma imediata. Segundo explicou Enrique Isidro, administrador e acionista da Almagro Capital, Lisboa e Porto são as cidades eleitas para ampliar o seu portfólio fora de Espanha.

Vender uma casa e continuar a viver nela

Esta SIGI nasceu em 2017, está cotada no mercado alternativo BME Growth e é especializada em "vivienda inversa" (designação em espanhol para algo semelhante ao usufruto contemplado na lei portuguesa). Em causa está um produto financeiro que permite aos idosos obter liquidez com a venda da sua casa e continuar a viver nela, num regime de arrendamento durante o tempo que desejarem, seja por um período determinado ou até falecerem.

Trata-se de um produto similar à nua propriedade, ainda que com algumas diferenças. Uma delas é que o comprador (Almagro Capital neste caso) aplica um desconto reduzido sobre o preço de mercado do imóvel e paga ao vendedor (o idoso) a maior parte do valor, ainda que deixe uma parte reservada para cobrir as rendas. E no caso de que a pessoa de idade queira abandonar o lar antes de falecer, ou antes da data que determina o contrato, recupera o valor remanescente. 

SIGI investe em zonas residenciais 'prime'

Os planos da Almagro Capital, que tem entre os seus acionistas investidores institucionais como a Mutualidad de la Abogacía ou Ibervalles, a sociedade de investimento da família espanhola de empresários Isidro, passam por diversificar primeiro a carteira dentro de Espanha antes de dar o salto para Portugal. 

Nas próximas semanas, a SIGI vai terminar um aumento de capital em que espera captar 50 milhões de euros com o objetivo de investir a totalidade do valor captado nos próximos 12 meses, tanto em zonas 'prime' de Madrid como noutros pontos do país vizinho. Já está a estudar operações em cidades como Barcelona, Valência, Málaga ou Sevilha, bem como em diferentes zonas do País Vasco e Ilhas Baleares.

Lisboa e Porto dentro da estratégia de crescimento

O objetivo da Almagro é investir cerca de 250 milhões de euros até 2023 através de mais aumentos de capital, de forma a continuar a comprar casas nos bairros residenciais que asseguram a liquidez do investimento e reduzam o risco. É dentro desta estratégia em que aspira a realizar as primeiras aquisições nas duas maiores cidades portuguesas.

O administrador da companhia afirma que a missão deste veículo é cobrir uma necessidade face ao envelhecimento da população e "dar uma solução às pessoas mais velhas" que precisam de liquidez, mas que não querem deixar de viver no seu lar. "O nosso compromisso é melhorar a qualidade de vida das pessoas, através de um projeto empresarial que oferece uma solução integrar", acrescenta.

Atualmente a Almagro soma quase uma centena de casas localizadas nas zonas residenciais mais 'prime' de Madrid, somando um valor bruto de 54 milhões de euros e afirma que só em Espanha existe um mercado potencial de mais de 8,5 milhões de casas que está menosprezado face o crescimento peso das pessoas de mais de 65 anos no conjunto da população.