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Pandemia trava licenciamentos e venda de casas

Número de obras concluídas cresceu em 2020. E foram transacionadas casas mais caras, diz estudo do INE.

Licenciamentos e venda de casas travam na pandemia
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Autor: Redação

Embora tenha provado a sua resiliência em 2020, o setor da construção não ficou indiferente à pandemia da Covid-19. Os seus efeitos são visíveis quer ao nível de licenciamentos de edifícios para construir, quer no número de casas transacionadas que diminuíram em 2020, mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados sexta-feira (16 de julho de 2021).

No que diz respeito aos licenciamentos, o INE estima que 23.068 edifícios obtiveram luz verde em 2020, um valor 4,3% inferior face ao ano anterior. Destes, 56,8% dizem respeito a construções novas para habitação familiar, com um aumento de 2,8 pontos percentuais (p.p.) face à proporção verificada no ano anterior (54,0% em 2019). Mas em ano de pandemia, houve menos licenciamentos relativos à reabilitação de edifícios: foram contabilizados 4.747, o que representa uma descida de 11,9% face ao ano anterior, diz o INE.

Mas nem tudo foi mau num ano marcado pela pandemia. Resultado da resiliência do setor e do ritmo de trabalho que conseguiu manter, foram concluídas mais obras durante 2020 – em concreto, 14.580 edifícios, o que representa uma subida de 3,8% face a 2019. As casas novas representam 57,5% do total, correspondendo a um acréscimo anual de 3,5%, refere o instituto. Isto quer dizer que, durante a pandemia, o setor da construção conseguiu assegurar a conclusão de mais habitações que no ano pré-pandemia.

Obras concluídas aumentaram
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Vendem-se menos casas, mas mais caras

Esta conjuntura também colocou um travão na venda das casas. Note-se que o número de habitações transacionadas diminuiu primeira vez desde 2012, registando uma queda de 5,3%. A maior queda foi mesmo registada no número de transações existentes (-6,2%), que totalizou 145.181 unidades. Já o número de casas novas vendidas foi “sensivelmente o mesmo” do ano anterior (-0,1%), registando 26.619 transações. O que os dados também mostram é que “pela primeira vez, na série disponível, os alojamentos novos evidenciaram um maior dinamismo no mercado relativamente aos alojamentos existentes”, conclui o INE.

Houve menos casas transacionadas em 2020, mas nem por isso o volume de faturação desceu. O valor das habitações transacionadas fixou-se nos 26,2 mil milhões de euros em 2020, traduzindo-se num aumento de 2,4% face ao ano anterior. Isto significa que foram comercializadas casas mais caras durante a pandemia que em 2019, facto esse que está em linha com a tese de que o imobiliário de luxo resistiu à tempestade e que até está a crescer, tal como noticiou o idealista/news.