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Comprar casa? Portugal é o 7º país europeu onde mais se demora a pagar

São precisos cerca de 12 anos de rendimento disponível para pagar uma casa de 100 m2 no país, mostra estudo da Comissão Europeia.

Comprar casa em Portugal
Foto de RODNAE Productions no Pexels
Autor: Redação

Comprar casa própria é o objetivo de muitas famílias portuguesas. E o mercado financeiro parece convidá-las, apresentando as taxas de juros mais baixas de sempre. Com as poupanças em alta, aceder ao crédito habitação torna-se mais apetecível. Mas continua a ser difícil pagá-lo, isto porque os rendimentos das famílias continuam a não acompanhar a subida dos preços das casas. Tendo em conta o rendimento do agregado disponível, os portugueses precisam de cerca de 12 anos para pagar uma casa de 100 metros quadrados (m2), o que torna Portugal no sétimo país da Zona Euro onde as famílias precisam de mais tempo para o fazer, segundo aponta um estudo recente da Comissão Europeia (CE).

Em território nacional, os preços das casas escalaram na última década. E a chegada da pandemia da Covid-19 veio só abrandar ligeiramente um crescimento que, no seu âmago, se manteve. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística mostram que, entre abril e junho de 2021, o preço das casas aumentou 6,6% face ao período homólogo. O que não acompanhou esta subida foram mesmo os salários dos portugueses, tornando o pagamento do crédito habitação difícil e prolongado.

Foto de Elina Fairytale no Pexels
Foto de Elina Fairytale no Pexels

O retrato da evolução preços das casas em 2020 pintado pela CE, no seu mais recente relatório sobre os 'Mercados de habitação na Zona Euro", diz isso mesmo: há um grupo de países onde foram detetadas “evidentes sobrevalorizações” dos preços das habitações e foram aqueles “onde o ajuste de preços em baixa tem sido moderado ou quase ausente e onde os preços têm apresentado um crescimento dinâmico nos últimos anos, ultrapassando o aumento do rendimento e das rendas das casas”, lê-se no estudo publicado esta segunda-feira, dia 20 de setembro de 2021. E é neste grupo que está Portugal, acompanhado por Luxemburgo, Áustria, França e a Alemanha.

Isto é visível olhando para os dados reunidos no relatório da CE: embora o preço por metro quadrado seja um dos mais baixos da Zona Euro – menos de 2.000 euros/metro quadrado (euros/m2) -, Portugal é o sétimo país onde as famílias precisam de mais tempo para pagar a casa na totalidade – isto é, cerca de 12 anos.

Onde é mais rápido pagar casa? E menos?

Há, portanto, seis países da Zona Euro onde é necessário mais tempo para pagar casa do que em Portugal, de acordo com o relatório. Nesta lista, Luxemburgo está no primeiro lugar, já que são necessários cerca de 16 anos de rendimento disponível para comprar uma casa de 100 m2, mas note-se que também é aqui onde o preço por m2 é o mais alto de todos (cerca de 6.000 euros/m2).

A Irlanda está em segundo lugar, onde é preciso 15 anos para pagar uma habitação na totalidade – aqui o preço aproxima-se dos 4.000 euros/m2. E em terceiro está a França, país onde uma família demora 13 anos a pagar uma casa, cujo preço ronda os 3.000 euros/m2.

Foto de Kindel Media no Pexels
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Na Áustria e nos Países Baixos são precisos cerca de 12 anos para pagar o empréstimo da casa – aproximadamente o mesmo tempo de Portugal. Mas nestes dois países os preços das habitações são superiores: cerca de 3.000 euros.

Numa situação semelhante à realidade nacional está a Grécia, onde também são precisos uma dúzia de anos de rendimento disponível para comprar casa, mas o preço é mais baixo (em cerca de 1.500 euros/m2), o que reflete os baixos salários nos países e a alta taxa de esforço das famílias.

E onde é mais fácil? No fundo da tabela, estão os países onde é mais rápido pagar a totalidade da casa. E há nove onde é preciso dez anos ou menos de rendimento disponível para o fazer: Eslovénia e Estónia (10 anos), Alemanha e Bélgica (menos de 10 anos), Itália e Eslovénia (9 anos), Letónia (mais de 8), Finlândia e Lituânia (7 anos). Nestes países, os preços das casas são inferiores a 2.000 euros/m2, à exceção da Alemanha e da Bélgica onde rondam os 2.500 euros/m2.

Foto de Gustavo Fring no Pexels
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Como travar o risco de bolha imobiliária?

A verdade é que os preços das casas nos diferentes países na Zona Euro evoluiram de formas muito diferentes durante a pandemia. Há países onde houve correções dos preços em baixa e que mostram evidências de subvalorização, como na Itália e na Irlanda. Outros onde as avaliações são “justas”, como na Finlândia e na Grécia. Há ainda os que se movem no território da sobrevalorização há vários anos e assim continuaram, como a Eslováquia e a Holanda, aponta o estudo. E o grupo de Portugal que, recorde-se, apesar de ligeiros abrandamentos, manteve a tendência de subida de preços das casas.

O estudo da Comissão Europeia conclui que esta “dinâmica dos preços das casas contribui significativamente para que haja oscilações na atividade económica e o risco de bolha nos preços das casas tem implicações macrofinanceiras chave”. Tendo em conta que há pelo menos nove países da União Europeia em estado de alerta para possíveis tensões no mercado imobiliário que antecipam o risco de bolha de preços - sendo um deles Portugal - há várias soluções a serem desenhadas.

Foto de cottonbro no Pexels
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Uma delas passa por a política monetária “inclinar-se contra o vento” tentando domar as bolhas nos preços das casas. Como? Mudando as taxas que afetam os custos dos créditos habitação e a procura agregada, impactando assim na dinâmica dos preços da habitação. Mas há ainda incertezas quanto aos seus benefícios na evolução dos preços e os custos para o mercado.

A verdade é que tudo isto influência diretamente o acesso à habitação das famílias e é por isso que o relatório diz que no futuro há que adaptar a estruturas políticas para lidar com os desafios emergentes, sendo que um deles passará por reunir “esforços para melhorar a eficácia das ferramentas políticas que podem ajudar a controlar a evolução dos preços das casas”, evitando assim a bolha imobiliária.

Foto de Ivan Samkov no Pexels
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