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Em que casas e condições vivem os idosos em Portugal e na Europa?

Dados do Eurostat mostram o tipo de habitação e o modo de vida das pessoas com mais de 65 anos e permitem tirar conclusões para o imobiliário.

Como vivem os idosos em Portugal
Foto de MART PRODUCTION no Pexels
Autor: Redação

Envelhecer faz parte da vida. Passar décadas de desafios e chegar aos 65 ou mais anos com saúde e boa qualidade de vida é o objetivo de muitos. Mas como vivem os quase 88,7 milhões de idosos na União Europeia (UE)? A maioria acompanhados - é certo. Mas a solidão ainda invade a casa de muitos europeus seniores: em 2020, eram quase 27,9 milhões de pessoas a viverem sozinhas, segundo aponta o Eurostat. Portugal é o país onde há menos solidão na velhice.

A propósito do Dia Internacional do Idoso - que se assinalou na passada sexta-feira, dia 1 de outubro de 2021 -, o Eurostat lançou o olhar sobre a vida das pessoas idosas na UE traduzindo-o em números. E, neles, salta à vista que Portugal é o país dos 27 estados-membros que tem a menor proporção de pessoas com 65 ou mais anos a viverem sozinhas – cerca de 21,2%. Mesmo assim, traduzindo em valores absolutos, ainda são 488 mil de portugueses seniores a viver sós em território nacional.

Solidão na velhice
Foto de Anete Lusina no Pexels

Onde é que há mais idosos a viverem sozinhos na UE? É na Suécia, onde foi registada a maior percentagem face ao número total de pessoas com 65 ou mais anos – isto é, cerca de 39,0% da sua população idosa vive sem partilhar casa com ninguém. A França aparece em segundo lugar, com 36,2% das pessoas nesta situação. E a Finlândia em terceiro com 35,6%. Há, no total, 13 países que apresentam maiores percentagens de pessoas idosas a viver sozinhas do que a média da UE, que se situa nos 31,4%.

E onde é que há menos idosos a viverem sós? Além de Portugal, no fundo da tabela está o Chipre com 21,9%, a Estónia com 23,1% e a Bélgica com 23,9%.

Como são as famílias dos seniores?

Viver sem partilhar a casa e a rotina com ninguém é uma realidade para quase um terço dos europeus idosos. E metade vive só com outra pessoa, em casal. Apenas 18,5% dos europeus com 65 ou mais anos têm a hipótese de viver com agregados familiares diferentes e – quem sabe – mais numerosos.

A realidade é ligeiramente diferente em Portugal, um país onde, em 2020, cerca de 30,4% dos idosos vive noutros tipos de agregado familiar, segundo apontam os dados da aplicação interativa. E cerca de 48,4% vive com o seu companheiro.

É na Dinamarca, nos Países Baixos e na Suécia onde os agregados compostos por apenas duas pessoas pesam mais no total da população idosa – cerca de 60% ou mais. E é na Estónia, na Letónia e na Croácia onde há mais idosos - em percentagem - a viver noutro tipo de agregados familires, já que nestes países o valor supera os 35%.

Foto de Marcus Aurelius no Pexels
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Viver em casas sobrelotadas?

Como vivem os seniores noutros tipos de agregados familiares? Viverão em casas sobrelotadas? A resposta é sim para 7% dos casos na UE. Em Portugal, só 3,1% dos idosos vivem em casas nestas condições.

É nos países de leste onde há mais seniores a viver em casas sobrelotadas. A Letónia está em primeiro lugar, onde 28,5% da população sénior habita nestas condições. Em segundo está a Polónia, abrangendo 23,7% das pessoas idosas. E logo a seguir a Croácia com 19,1% e a Roménia com 18,1%. Para este facto, o Eurostat tem uma explicação simples: “Nas áreas rurais do sul e do leste da Europa, as famílias mais extensas continuam a viver juntas sob o mesmo teto”, lê-se no documento.

Há ainda países onde a percentagem de idosos a viver em casas sobrelotadas é igual ou inferior a 1% como na Irlanda, Chipre e Países Baixos.

Garantir uma casa quente é um desafio

Ter a casa quente e aconchegante nos meses mais frios do ano pode ser um verdadeiro desafio para os idosos. O Eurostat mostra que, em 2019, 9,9% das pessoas idosas não têm capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida – isto nos agregados familiares compostos por um adulto com 65 anos ou mais.

O caso mais delicado foi registado na Bulgária, onde mais de metade dos idosos não consegue garantir a temperatura adequada nas suas casas. Logo a seguir está a Lituânia, com 43,1% dos idosos a não ter essa capacidade.

Foto de MART PRODUCTION no Pexels
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Portugal aparece em terceiro lugar. No território nacional, 28,9% dos idosos não tem capacidade financeira para garantir a temperatura ambiente adequada na sua casa. Para o efeito, há hoje um conjunto de apoios para melhorar as casas em termos energéticos, como a Casas + Eficientes em que as famílias conseguem obter comparticipações até 85% do valor da intervenção para melhorar a eficiência energética da casa.

Segundo o Eurosatat, “a capacidade de manter uma casa adequadamente aquecida depende de vários fatores, incluindo o estado geral do edifício, a temperatura externa e o custo da energia”. E os preços da energia tendem a flutuar muito mais do que a taxa de inflação, apontam ainda. 

Foto de Andrea Piacquadio no Pexels
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Quando se trata de famílias com dois adultos em que pelo menos um tem idade igual ou superior a 65 anos, as percentagens descem. A média dos 27 cai para 5,6%. Na Bulgária e na Lituânia, esta realidade passa a fazer parte em cerca de terço dos idosos. E em Portugal a descida é ligeira, já que ainda são 22,3% dos idosos que não tem dinheiro para aquecer a casa.

Há vários países onde apenas 5% da população mais velha não tem essa capacidade, como a Dinamarca, Luxemburgo, Suécia, Bélgica, Irlanda e Alemanha.

Foto de Askar Abayev no Pexels
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