Travão nas rendas: Governo tem 45 milhões para compensar senhorios

Benefícios fiscais concedidos pelo Executivo abrangem cerca de um milhão de senhorios, segundo uma medida que consta no OE2023.
Benefícios fiscais aos senhorios
Foto de Alena Darmel on Pexels

O travão à subida das rendas em 2023 – seria de 5,43%, o valor indexado à inflação, mas será apenas de 2% – foi uma das medidas anunciadas recentemente pelo Governo para combater, precisamente, o aumento da taxa de inflação. Por outro lado, o Executivo revelou que vai compensar os senhorios com benefícios fiscais. Sabe-se agora que estas compensações vão abranger cerca de um milhão de senhorios e vão custar ao Estado 45 milhões e euros. 

A informação está contemplada na proposta do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), que foi entregue no Parlamento esta segunda-feira (10 de outubro de 2022). O OE2023, recorde-se, vai ser debatido na generalidade no Parlamento nos dias 26 e 27 de outubro, estando a votação final global do diploma da proposta do Governo marcada para 25 de novembro.

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“No âmbito do Programa Famílias Primeiro, foi estabelecida uma restrição temporária à aplicação do regime geral quanto à atualização das rendas associadas a arrendamento urbano e rural, não podendo esta atualização, que seria de 5,43 %, ultrapassar um máximo de 2 % durante o ano civil de 2023. Esta medida é complementada com um benefício fiscal sobre os rendimentos prediais, também de natureza extraordinária e transitória, que visa mitigar os efeitos económicos da mesma”, lê-se no relatório do OE2023.

O travão à atualização das rendas gerou alguma polémica, bem como os respetivos benefícios fiscais a atribuir aos senhorios, sendo esta uma medida que não abrange os contratos de arrendamento feitos depois de 1 de janeiro de 2022 e os proprietários que aderiam a programas de arrendamento acessível.

Os juristas consideram, de resto, que a lei que estipula o travão ao aumento das rendas é pouco clara. Também a Associação Portuguesa De Fundos De Investimento Pensões e Patrimónios (APFIPP) disse estar a ser prejudicada, pelo facto da compensação fiscal a ser atribuída aos proprietários não abranger os fundos de investimento

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