Portugal continua a ser considerado um refúgio ao investimento imobiliário, em particular, no atual momento de incerteza global provocado pelo conflito no Médio Oriente. E esta tendência reflete-se na procura de habitação no mercado nacional, que continua a despertar interesse desde o exterior, seja para viver ou investir. É no Funchal e em Ponta Delgada, as capitais dos arquipélagos portugueses, que a procura de casas à venda desde o estrangeiro é mais expressiva, com o Reino Unido e os EUA a ocuparem os primeiros lugares, respetivamente. Já no arrendamento é em Bragança onde as visitas internacionais aos imóveis residenciais anunciados têm maior peso, com o Brasil a liderar, revela o idealista.
O quadro de incentivos para morar ou investir em Portugal mudou bastante nos últimos anos. Entraram em vigor várias políticas nacionais – como o fim dos vistos gold para investimento imobiliário, o fim do antigo regime dos residentes não habituais, a nova lei dos estrangeiros e a nova taxa única de IMT de 7,5% – que acabaram por diminuir os benefícios fiscais para quem vem de fora comprar casa em Portugal. E estes movimento políticos acabaram por refletir-se na venda de casas a não residentes que está em queda há três anos (no início de 2026, as transações desceram 15,6% em termos homólogos para 1.770 casas, revelou o Instituto Nacional de Estatística) - sendo que estes dados também escondem o efeito de quem veio de fora nos períodos anteriores e se instalou no país, sendo agora, estatísticamente, considerado como comprador nacional.
Mas há características do país – muito apreciadas lá fora – que se mantêm e que até passaram a ser mais valorizadas no atual momento de incerteza geopolítica agravado pela guerra no Médio Oriente. É o caso da segurança, clima, qualidade de vida e bons serviços de saúde e educação, a par da localização de Portugal (estar a Sul do continente europeu e longe de conflitos).
O que a análise dos dados mais recentes do idealista/data mostram é que as famílias e investidores não residentes - estrangeiros ou emigrantes portugueses - continuam a mostrar interesse pelo mercado residencial local: a procura internacional por casas à venda pesa dois dígitos em 15 das 20 grandes cidades em maio de 2026.
Foi no Funchal (capital da ilha da Madeira) e em Ponta Delgada (capital da ilha de São Miguel, Açores) que as visitas internacionais aos anúncios de casas à venda tiveram maior peso (22% e 20%, respetivamente). Já Porto e Lisboa aparecem a meio da tabela com os não residentes a pesarem 12% e 10% na procura em cada.
Também no mercado de arrendamento sente-se que na maioria das grandes cidades (16 em 20) a procura internacional pesa dois dígitos face ao total. É Bragança a cidade que tem maior percentagem de visitas deste o estrangeiro (20%), seguida de Braga (19%) e Lisboa (19%). As grandes cidades alentejanas, como Portalegre, Beja e Évora, estão no fim da lista da mira de quem procura casa para arrendar em Portugal desde o estrangeiro.
Os mesmos dados permitem concluir que em todas as 20 grandes cidades analisadas, a procura de habitação para comprar e arrendar é realizada, sobretudo, desde Portugal, podendo estar a ser movida por portugueses, imigrantes ou nómadas digitais.
Casas à venda: EUA e Reino Unido lideram visitas desde fora
No universo das casas à venda, salta à vista que os EUA e o Reino Unido lideram a procura internacional entre as várias geografias, estando em primeiro lugar em 12 das 20 grandes cidades analisadas, mostram os dados de maio de 2026 do idealista/data.
Desde logo, o Reino Unido lidera a procura de casas para comprar no Funchal (19%), em Faro (16%), Castelo Branco (22%), Setúbal (14%), Portalegre (14%), Beja (17%) e Santarém (24%) - está no primeiro lugar em sete cidades.
Os EUA, por sua vez, têm maior peso nas visitas internacionais de casas à venda em Ponta Delgada (44%), a capital açoriana. De recordar que os norte-americanos têm ligações históricas aos Açores, tendo instalado a base área das Lajes na ilha Terceira. O interesse desde os EUA também é expressivo em Aveiro (14%), Porto (14%), Lisboa (12%) e Coimbra (10%).
Em destaque estão também as pesquisas de habitação à venda em Portugal vindas de França. Este país não só ocupa o primeiro lugar em três grandes cidades (Viana do Castelo, Bragança e Leiria), como também domina a segunda posição das pesquisas em dez capitais de distrito ou de regiões autónomas, como Lisboa, Porto e Faro.
O que também se pode concluir a partir destes dados do idealista/data é que só o top3 de nacionalidades representa mais de 30% do total das visitas estrangeiras às casas à venda anunciadas no portal imobiliário em cada cidade. À medida que descemos neste ranking, sente-se maior diversidade geográfica desta procura externa.
Arrendar casa: Brasil lidera procura na maioria das cidades
A procura internacional por casas para arrendar em Portugal é realizada, sobretudo, desde o Brasil. Muitas são as famílias brasileiras, de várias classes sociais e económicas, que continuam a fugir da insegurança e instabilidade política do seu país procurando refugiar-se em terras lusas. E começam, primeiro, por arrendar casa.
O Brasil lidera o top 1 de visitas estrangeiras em 14 das 20 grandes cidades analisadas: Bragança, Braga, Vila Real, Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra, Viseu, Setúbal, Castelo Branco, Leiria, Évora, Beja e Santarém. A procura desde o Brasil é tão intensa que chega a pesar mais de 40% em Viseu, Leiria e Braga, mostram os mesmos dados.
Em Lisboa, no Funchal e em Faro a procura de casas para arrendar em maio de 2026 terá sido liderada pela Alemanha. Em Ponta Delgada foi desde os EUA que se realizaram mais pesquisas de imóveis. E na Guarda e em Portalegre as visitas mais expressivas vieram desde Espanha.
Também no mercado de arrendamento a representatividade do top 3 de nacionalidades que mais pesquisam imóveis é significativo, uma vez que apresenta um peso superior a 50% na procura internacional em mais de metade das grandes cidades analisadas.
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