O Governo da AD está a implementar uma estratégia que visa rentabilizar os imóveis públicos que estão (ou vão ficar) desocupados. E , neste âmbito, o Executivo liderado por Montenegro decidiu colocar à venda edifícios do Estado sem aptidão habitacional, definindo uma lista com 19 imóveis públicos que pretende vender em 2025. Muitos destes espaços vão ficar livres depois das entidades públicas passarem para o Campus XXI, na capital e podem ser oportunidades de negócio para o setor imobiliário. Que edifícios são estes e onde se localizam? As respostas estão neste artigo preparado pelo idealista/news, que também mostra como está, atualmente, o mercado de escritórios em Lisboa, em termos de preços.
Com a transferência de serviços do Estado para a antiga sede da sede da Caixa Geral de Depósitos (CGD), na Avenida João XXI (em Lisboa), o Governo vai conseguir libertar cerca de 40 imóveis. Já em outubro Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, tinha referido que a ideia passa por colocar no mercado estes imóveis – e outros edifícios da Estamo - “para rentabilizar património que está completamente ao abandono” ou vai ficar desocupado.
Mais tarde, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, esclareceu no Parlamento que “o Governo vai alienar todos os imóveis que não têm aptidão habitacional”, garantindo ainda que as receitas decorrentes da venda do património do Estado vão ser alocadas à habitação e não serão desviadas para outros fins.
Agora, o Ministério das Finanças divulgou aquela que é a primeira lista de imóveis públicos que o Governo pretende vender em 2025, muitos dos quais vão ficar livres na sequência da transferência de ministérios (e outras entidades públicas) para o Campus XXI entre 2024 e 2026. Trata-se de 19 imóveis que, juntos, representam uma área de quase 96 mil metros quadrados (m2). O prédio para venda que apresenta a maior área situa-se na Avenida 24 de Julho, tendo sido ocupado pela Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (17.514 m2). Outro em destaque é o edifício ocupado pela Presidência do Conselho de Ministros, em Campo de Ourique.
Só com a venda deste portfólio de 19 imóveis públicos, o Executivo pretende encaixar um total de 250 milhões de euros, segundo avançou fonte governamental ao Jornal de Negócios. Contactado pelo idealista/news, o Ministério das Finanças escusou-se a fazer comentários sobre esta matéria.
Ao que tudo indica, este será apenas o início da venda de vários ativos imobiliários do Estado, uma vez que, segundo se lê nas contas da proposta do Orçamento de Estado para 2025 (OE2025), o objetivo é mesmo arrecadar mais de 900 milhões de euros com a alienação de imóveis da Administração Central no próximo ano.
É precisamente neste contexto que a Estamo – empresa pública que gere os ativos imobiliários do Estado – já está a fazer um levantamento dos imóveis que tem sob sua alçada e a cadastrá-los numa nova plataforma informática, tendo até ao final de outubro registado 60 mil imóveis. E segundo avançou António Furtado, presidente da Estamo, está a haver a “mobilização de ativos para a habitação”. Ou seja, a ideia do Governo é que sejam colocados à venda só imóveis que sem aptidão habitacional, sendo os outros transferidos, por exemplo, para o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) de forma a serem transformados em habitação a custos controlados.
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Como está o mercado de escritórios em Lisboa?
Dos 19 imóveis públicos que o Governo quer colocar no mercado em breve, a maioria situa-se no município de Lisboa – a única exceção é o imóvel ocupado pela esPap, que se situa no número 2 da Avenida Leite de Vasconcelos, no concelho da Amadora.
Estes edifícios do Estado em Lisboa são (ou foram) os escritórios de várias entidades públicas, como o Ministério da Saúde, o Ministério da Economia ou a Secretaria-Geral do Ambiente. E distribuem-se por oito das 24 freguesias lisboetas, sendo a zona das Avenidas Novas a que reúne maior número de imóveis (um total de 6), mostram dos dados do Ministério da Finanças citados pela imprensa nacional. Também haverá imóveis públicos à venda na freguesia da Misericórdia (um total de 3), em Alvalade (2), Areeiro (2), Estrela (2), Campo de Ourique (1), Santa Maria Maior (1) e Santo António (1).
A maioria destes imóveis do Estado situa-se nas freguesias onde o metro quadrado (m2) dos espaços de escritórios está mais caro, segundo revelam os dados do idealista/data relativos ao último trimestre terminado em outubro. É o caso da freguesia de Santo António (a segunda zona mais cara a seguir a Campolide), onde o preço dos escritórios é de 6.000 euros/m2. Também na Misericórdia, onde haverá três imóveis à venda, o m2 está quase em 5.500 euros. Na freguesia Avenidas Novas – onde vão ser colocados mais de 20 mil m2 de espaços públicos no mercado – o preço dos escritórios está em 4.221 euros/m2.
Onde o m2 dos espaços de escritórios está mais barato é na Ajuda (1.100 euros) e no Areeiro (1.611 euros), freguesia onde o Executivo deverá colocar dois imóveis à venda, um na Praça de Londres e outro na Rua Américo Durão.
Ao serem colocados no mercado de escritórios da capital, estes imóveis vão “concorrer” com outros que já estão à venda. Conta-se um total de 508 espaços de trabalho (de várias dimensões) à venda nas 24 freguesias de Lisboa no final de outubro, revelam os mesmos dados. A oferta concentra-se mais no Parque das Nações (83 espaços), seguido de Avenidas Novas (76) e na freguesia de Santo António (52).
Qual o futuro dos imóveis do Estado?
Há vários caminhos possíveis para os futuros proprietários rentabilizarem estes imóveis do Estado que vão chegar ao mercado em breve. Os escritórios podem ser remodelados e dar resposta às necessidades da procura. Ou podem também ser transformados em prédios com outros usos, desde a habitação à hotelaria.
No caso dos edifícios de escritórios mais antigos no centro de Lisboa, a estratégia dos futuros donos pode passar pela "por uma remodelação e adaptação às atuais necessidades do mercado", referiu Isabel Simões Correia, RETHINKING Portugal Lead, Head of Business Development num estudo que conclui que a maioria dos escritórios na Grande Lisboa correm o risco de ficar obsoletos em 2030. “O reposicionamento é provavelmente a melhor solução para as localizações no centro da cidade”, conclui.
Até porque embora o modelo de trabalho híbrido tenha vindo para ficar, "nos últimos dois anos o escritório voltou a assumir um papel central no trabalho", segundo concluiu o estudo “Future of Work Survey” da JLL, que adianta ainda que haverá reforço do investimento neste setor para tornar os espaços mais eficientes e a atrair trabalhadores.
Além disso, os futuros proprietários dos escritórios podem optar ainda por reconverter os imóveis em espaços dedicados à hotelaria e à habitação, que são “usos alternativos predominantes nestas zonas” mais centrais de Lisboa, acrescenta Isabel Simões Correia. “À medida que passamos de localizações centrais para periféricas aumenta o leque de usos alternativos, incluindo em áreas como cuidados de saúde, instalações médicas, espaços para laboratórios ou centros de dados, dependendo da dinâmica local. Os valores de renda mais baixos dos escritórios face a estas opções e as taxas de desocupação mais elevadas podem fazer com que a reconversão dos ativos nestas localizações seja a estratégia vencedora”, conclui a especialista.
*Notícia atualizada às 11h34, do dia 26 de novembro, com a resposta do Ministério das Finanças
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