Câmara do Porto compra parte da casa de Almeida Garrett por um milhão

Em causa está uma fração com três pisos da Casa Almeida Garrett, cuja compra foi aprovada pela Assembleia Municipal do Porto.
AM do Porto aprova compra de parte da casa de Almeida Garrett
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Lusa
Lusa

A Assembleia Municipal do Porto aprovou na semana passada, com os votos contra do BE, a compra de uma fração com três pisos da Casa Almeida Garrett, por um milhão de euros, para instalar um núcleo museológico de homenagem ao escritor.

Na reunião, o deputado municipal da CDU (PCP/PEV) José Varela relembrou o impasse para a compra da casa e lamentou que não tenho sido possível a aquisição do edifício na sua totalidade.

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Já o presidente da Câmara Municipal, Rui Moreira, que vai abandonar o cargo depois das eleições autárquicas de domingo, reconheceu ser “um daqueles processos que queria deixar cumprido”, lembrando as manifestações realizadas no final do ano passado para que a casa não se transformasse numa unidade hoteleira, “o tipo de manifestação” de que confessou “gostar”.

Pelo PAN, o deputado municipal PAN Paulo Vieira de Castro salientou que se trata de uma aquisição com simbologia, história e narrativa arquitetónica.

Da bancada municipal do PS, Agostinho Sousa Pinto saudou “uma decisão que toca a própria alma da cidade” e salientou que “a cultura não é despesa, mas investimento cívico”.

A bloquista Elisabete Carvalho justificou o voto contra por considerar que Almeida Garrett “não pode ser reduzido a uma presença simbólica de um piso térreo, enquanto o edifício que o viu nascer se desvirtua, fragmenta e se transforma num mero ativo imobiliário”, numa referência ao projeto previsto para o espaço.

Eleito pelo movimento de Rui Moreira, Raul Almeida exaltou o processo e a “negociação levada a cabo” para “devolver a casa à cidade, sem ‘rebentar’ com as contas da câmara”.

O imóvel pertence desde 2018 à sociedade Midfield - Imobiliária e Serviços, com sede na Avenida da Boavista, e que é detida pelos membros do conselho de administração da Teak Capital, um fundo de investimento da família Moreira da Silva.

Casa está localizada no centro histórico do Porto

De acordo com a proposta, a que a Lusa teve acesso, a casa, no centro histórico do Porto, é “o mais relevante testemunho urbanístico nacional da passagem de Almeida Garrett, um marco da história e identidade portuense e portuguesa”.

Por isso, é referido, o imóvel é “o local ideal para a criação de um espaço museológico de valorização da sua vasta obra literária, bem como do Liberalismo e Romantismo portugueses”.

No documento, assinado pelo vereador com o pelouro do Urbanismo e Espaço Público, Pedro Baganha, é descrito que o dono do imóvel apresentou um pedido de licenciamento para criar naquele espaço habitação coletiva, comércio e serviços, tendo aceitado “alienar ao município uma das futuras frações previstas neste edifício”.

Pelo valor de um milhão de euros, o município vai ficar com uma fração composta por três pisos que lhe será entregue “com o prédio reabilitado e com o espaço da fração em tosco, com infraestruturas à porta e com todas as zonas comuns acabadas e em funcionamento”.

O imóvel é composto por várias frações situadas na Rua Dr. Barbosa de Castro, números 37 a 43, e ainda no Passeio das Virtudes, números 16 a 26.

Há um ano, a casa onde nasceu Almeida Garrett foi colocada à venda pela imobiliária portuense Metro3, que pedia 3,8 milhões de euros pelo imóvel.

Em novembro de 2023, o presidente da Câmara do Porto esclareceu que a avaliação externa solicitada pelo município há uns anos indicava que o valor da casa de Almeida Garrett era de cerca de 1,5 milhões de euros, montante muito diferente do pedido pelos proprietários e que foi o motivo apontado para que não se pudesse exercer direito de preferência.

Em 27 de abril de 2019, a casa onde o escritor nasceu e viveu cinco anos foi consumida pelas chamas, num incêndio que deflagrou durante a madrugada.

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