Prestações da casa mantêm-se em março apesar da oscilação da Euribor

Euribor volta a variar muito pouco em fevereiro, perante manutenção dos juros do BCE por cinco meses seguidos.
Prestação da casa em março
Foto de Ron Lach no Pexels

As taxas Euribor têm vindo a estabilizar pouco acima dos 2%, observando-se apenas pequenas oscilações ora para cima, ora para baixo. Desde o início de 2026, o indexante mais utilizado nos créditos habitação a taxa variável em Portugal tem assumindo um comportamento no sentido descendente (embora não para todos os prazos), mas é tão pequeno que pouco ou nada se sente nas prestações da casa dos novos contratos. Explicamos com recurso a simulações.

Tal como têm vindo a antecipar os analistas, a Euribor tem-se mantido estável pouco acima de 2% – embora com algumas variações -, um movimento alinhado com a estabilidade da inflação na zona euro (em cerca de 2%) e com a manutenção dos juros diretores do Banco Central Europeu há cinco reuniões consecutivas. “O normal será assistirmos a esta estabilização que estamos a ver neste momento, sendo que as oscilações não serão significativas”, comenta Miguel Cabrita, responsável pelo idealista/crédito habitação em Portugal.

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Em fevereiro de 2026, as taxas médias mensais da Euribor voltaram a oscilar, mas de diferentes formas consoante os prazos:

  • Euribor a 12 meses: fixou-se em 2,221% em fevereiro de 2026, menos 0,024 pontos percentuais (p.p.) face a janeiro. É o segundo mês consecutivo que se sente uma pequena redução desta taxa;
  • Euribor a 6 meses: média mensal subiu para 2,144% em fevereiro, mais 0,007 p.p. do que no mês anterior. Movimentou-se para cima ligeiramente, depois de ter caído um pouco no mês anterior;
  • Euribor a 3 meses: desceu para 2,011% em janeiro, uma queda mensal de 0,017 p.p. face a janeiro, sendo também o segundo mês em que há uma redução.

Prestações da casa voltam a ficar praticamente estáveis em março

Estas pequenas variações das médias mensais da Euribor em fevereiro de 2026 continuam a ter um impacto nulo ou pouco expressivo nas prestações da casa calculadas para os novos créditos habitação a taxa variável contratados em março deste ano. 

É isso que mostram as simulações do idealista/créditohabitação, que têm em conta um empréstimo da casa a taxa variável contratado em março de 2026 (que usa a média mensal da Euribor de fevereiro) no valor de 150.000 euros, com spread 1% e prazo de 30 anos:

  • Euribor a 12 meses: a prestação da casa será de 650 euros nos doze meses começados em março de 2026, apenas menos dois euros face a um empréstimo contratado em fevereiro;
  • Euribor a 6 meses: a prestação da casa a pagar em março e nos cinco meses seguintes será de 643 euros, exatamente o mesmo valor do que em fevereiro e janeiro;
  • Euribor a 3 meses: a prestação da casa será de 633 euros nos primeiros três meses do contrato, menos um euro do que no mês anterior.  

Prestações da casa revistas em março: como ficam?

As famílias que estão a pagar um crédito habitação a taxa variável (ou mista em período variável) há vários meses ou anos devem ter em conta esta evolução da Euribor, porque vai influenciar a revisão das prestações da casa. Se a revisão prevista for realizada em março, há boas e más notícias, dependendo do prazo.

No caso da Euribor a 12 meses, a prestação da casa deverá baixar se for revista este mês, porque a taxa está 0,186 p.p. abaixo da registada há um ano (quando se fixou em 2,407%). Também quem tem um crédito habitação indexado à Euribor a 3 meses deverá sentir um alívio na prestação mensal, porque a taxa está um pouco baixa do que há um trimestre (2,042%)

Por outro lado, quem estiver a pagar empréstimos da casa indexados à Euribor a 6 meses vai sentir aumentos nas prestações da casa revistas em março, uma vez que esta taxa está hoje (2,144%) superior face à há observada há um semestre (2,084%).

Importa não esquecer que dimensão da variação da prestação da casa (em alta ou em baixa) depende também do montante em dívida, além do ano do contrato e condições do empréstimo.

Os dados do Banco de Portugal referentes a dezembro indicam que a Euribor a 6 meses representava 38,77% do stock de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável. As taxas Euribor a 12 e a três meses representavam 31,85% e 25,09%, respetivamente.

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