O empreendimento imobiliário que vai nascer no local do antigo Café Bela Cruz, no Porto, terá 11 fogos ao todo, com a inclusão de um imóvel comprado em setembro, em hasta pública da câmara, contíguo ao edifício original.
Segundo explicou à Lusa o promotor imobiliário, a MCaetano, o empreendimento terá 11 fogos ao todo porque junta o Bela Cruz a um imóvel contíguo adquirido em hasta pública, num prédio só. O segundo imóvel, com uma área de 465,6 metros quadrados (m2), foi adquirido em hasta pública em 4 de setembro de 2025, por um valor de 2,5 milhões de euros, ainda durante o mandato do independente Rui Moreira.
O projeto é assinado pelo arquiteto Manuel Ventura e respeita “integralmente” o traçado da fachada, nas duas frentes, e o torreão do antigo café, casa de chá e discoteca, que abriu nos anos 1950.
Os três pisos que ali serão construídos não superam a altura do torreão, com uma cércea de 12,24 metros, de acordo com o construtor, especializado em imóveis de luxo.
Também na Avenida da Boavista, o grupo tem já aprovado o início de obra para um projeto assinado por José Carlos Cruz, com 56 habitações, no cruzamento com a Rua de Nevogilde e de frente para o Parque da Cidade.
Autarquia vai avaliar projeto aprovado por anterior executivo
O antigo Café Bela Cruz, no Porto, vai ser demolido para dar lugar a um projeto de habitação, preservando alguns elementos, mas a autarquia vai "avaliar o projeto”, aprovado pelo anterior executivo.
Em resposta enviada à Lusa pela Câmara do Porto, o município explica que a obra foi licenciada no anterior mandato e recebeu parecer favorável da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), mas adianta que vai “avaliar o projeto, tendo em vista o seu enquadramento urbanístico na área envolvente”.
Trata-se de uma “demolição parcial” do antigo Café Bela Cruz, junto à rotunda do Castelo do Queijo, para dar lugar a um projeto que “prevê a construção de oito fogos”, de T2 a T4, com três pisos de edificado e dois pisos de estacionamento subterrâneo, sem espaços comerciais previstos.
Na mesma resposta, a autarquia nota que o projeto foi aprovado em 30 de janeiro de 2025 pelo vereador do executivo anterior que tinha o pelouro do Urbanismo, Pedro Baganha, que integrava a equipa liderada por Rui Moreira.
Fonte do promotor do projeto, o grupo MCaetano, explica que o futuro empreendimento “nasce de um profundo respeito pela memória urbana e arquitetónica daquele lugar singular da cidade”, preservando uma fachada “histórica” e um torreão “emblemático”.
As obras de ampliação e alteração vão manter “os alinhamentos e materiais das fachadas”, incluindo os elementos em pedra existentes, que estão voltados para a Avenida da Boavista e a Praça de Gonçalves Zarco (rotunda do Castelo do Queijo, junto ao mar), além da torre, ou coruchéu.
No alvará afixado na frente de obra, pode ler-se que o titular da empreitada é a Patamares da Colina Empreendimentos Imobiliários, com o último despacho de 8 de maio deste ano, assinado pelo diretor municipal de Desenvolvimento Urbano, José Duarte.
O pelouro do Urbanismo e Espaço Público no executivo municipal está entregue a Catarina Araújo, que tinha integrado o executivo anterior, com outras funções.
A área de construção total é de 3.230 m2, com uma cércea de 12,24 metros. A obra tem um prazo para conclusão fixado em 540 dias, ou perto de ano e meio, num empreendimento que pertence à União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
Em 25 de outubro de 2021, o então vereador Pedro Baganha revelou ter recusado a demolição do Café Bela Cruz, por considerar que o espaço faz parte do “imaginário” coletivo da cidade.
“É um boato. O que está em curso é um Pedido de Informação Prévia [PIP] para aquele local. Esse PIP, num primeiro momento, chegou com pareceres positivos, mas eu não aceitei a demolição do café”, afirmou o vereador, após preocupações da oposição social-democrata.
À data, Pedro Baganha disse que edifício fazia “parte do imaginário coletivo da cidade do Porto” e, por isso, “qualquer nova proposta que para ali” surgisse teria de “preservar o fundamental”, o que para si constituía “a fachada para a Avenida da Boavista, o terraço superior e o torreão”.
Espaço nasceu como café em 1952
As origens deste espaço remontam a 1952, quando nasceu como café. Em 1989 ganhou outra vida, como clube, e mais tarde, em 2011, teve nova fase, como restaurante e ‘wine bar’.
Apesar das décadas de história, e da presença de mais de 70 anos na paisagem junto ao mar da cidade, o Bela Cruz foi também palco de polémicas - em 2017, um homem ficou com pena de prisão suspensa por incendiar, em 2015, aquele restaurante, do qual era sócio minoritário.
Antes, em 2008, um segurança que então trabalhava na discoteca foi baleado, ao separar um desacato.
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