João Pedro Tavares deixou a área da banca porque já não o preenchia e, depois de um ano sabático, abraçou o universo da hotelaria. “Em 2013, toda a gente dizia que era maluco, porque o turismo não estava como está agora, como é óbvio, mas sempre acreditei”, conta ao idealista/news o CEO e fundador do Grupo Torel Boutiques. A conversa acontece precisamente naquele que é o primeiro espaço da marca portuguesa, em concreto no bar do Torel Palace Lisbon – um conjunto de palacetes reabilitados em Lisboa, junto ao jardim do Torel –, onde o cheiro a madeira, a antigo, se confunde com a elegância e o requinte dos tempos modernos.
A atenção ao detalhe, os pequenos luxos, a curadoria do espaço, a leveza que transmite, as vistas de perder o fôlego, a simpatia dos funcionários e o sossego – “É raro termos grupos, os nossos espaços não chamam esse tipo de clientes ou empresas, porque somos mais um espaço onde as pessoas vêm para relaxar” – são trunfos lançados para cima da mesa por quem tem desde sempre, na origem, uma ideia bem vincada: “Queremos trabalhar muito o artesão da memória, porque é exatamente através disso que nos queremos distinguir de todos os outros”.
João Pedro Tavares diz ter os pés assentes na terra, mas ambiciona, 13 anos depois da abertura do Torel Palace Lisbon, novos e altos voos, a juntar às unidades turísticas já lançadas: uma em Guimarães (Royal Court, que esteve na posse do antigo tenista João Sousa), uma no Douro (Quinta da Vacaria), uma nos Açores (Terra Brava) e várias no Porto (Palace, Avantgarde, 1884, Saboaria e Private Collection, este um projeto mais recente). Mas esta é uma história com cenas dos próximos capítulos.
No âmbito da estratégia de crescimento do grupo, no ano de 2025–2026, está previsto alocar cerca de cinco milhões de euros à expansão de projetos existentes e ao desenvolvimento de outros. Em causa está, por exemplo, a expansão do Palace Porto e a abertura do Private Collection, do Santa Clara, em Guimarães, e da primeira unidade de uma nova marca, LENSCAPE Coterie, pelas mãos, também, de João Pedro Tavares e Ingrid Koeck, que se tornou sócia do Grupo Torel Boutiques em 2016.
A aventura começou em 2013, com o Torel Palace Lisbon. Como surgiu esta ideia?
Não foi nada planeado. Começámos com o edifício cor-de-rosa, comecei eu e depois juntou-se uma sócia que já saiu. Foi em dezembro de 2013, vai fazer 13 anos. Começámos no edifício cor-de-rosa, com 11 quartos. Foi um momento muito especial, porque ninguém tinha experiência em hotelaria. Foi uma forma, também, de começarmos a adquirir essa experiência. Depois, em 2015, abrimos o edifício azul e em 2019 os apartamentos, e depois acabámos a recuperação deste edifício onde nos encontramos, em 2021, em plena pandemia.
São quatro edifícios e cerca de 40 quartos, [mas] alguns apartamentos têm mais que um quarto. É uma unidade de referência. Tem dois restaurantes, um minispa, duas piscinas exteriores, um restaurante com estrela Michelin, o 2Monkeys (do chef Vítor Matos), e um bar, que é onde estamos.
Vem da banca, como se dá a entrada neste “mundo”?
Era uma área que já não me preenchia. Tive um ano e tal a fazer um ano sabático e depois foi por acaso. Estava à procura de locais onde pudesse fazer alguma coisa diferente e um amigo, que está ligado à Sotheby’s, ligou-me e disse que tinha uma coisa muito engraçada. Fui ver e nem fiquei muito entusiasmado pela entrada, porque era num espaço entre prédios, mas depois vi a luz, a vista, o edifício e fechei logo negócio, e pronto, começámos por fazer um pequeno Bed and Breakfast.
Em 2013, toda a gente dizia que era maluco, porque o turismo não estava como está agora, como é óbvio, mas sempre acreditei. Também não ia correr muito risco com 11 quartos, mas acabou por ser engraçado e a experiência correu bem. Depois juntou-se uma sócia austríaca, em 2014 [Barbara Ott, que já saiu], e depois a Ingrid, em 2016, há dez anos. E acabámos por desenvolver grande parte do projeto juntos, porque em 2016 nem tínhamos nada no Porto, tínhamos somente dois edifícios em Lisboa.
Depois abrimos no Porto, em 2017, o Avantgarde, que foi o primeiro boutique hotel de cinco estrelas na cidade. Fomos o sétimo hotel de cinco estrelas e o primeiro boutique, e hoje há 30 hotéis de cinco estrelas, portanto, em oito, nove anos houve uma transformação da indústria hoteleira enorme, especificamente no Porto.
Fazendo uma pequena viagem pelas várias unidades do grupo, além do Palace Lisbon e do Avantgarde…
No Porto, temos o Avantgarde, o Palace Porto, o 1884, o Saboaria e o Quinta da Vacaria [neste caso no Douro]. E vamos ter outro.
O Private Collection (...) vai ser o nosso hotel mais emblemático e mais caro. (...) Vai ter obras de arte nos quartos de um ou dois milhões de euros"
Então?
O Private Collection, que é um art collection hotel, portanto, tem um art concept. É mesmo arte, com uma galeria, e vai ter um restaurante também com ambição a ganhar estrela Michelin, também chefiado pelo Vítor Matos e apenas com 16 quartos. Vai ser o nosso hotel mais emblemático e mais caro. Sobre o rio, um bocadinho abaixo do Avantgarde. É fantástico. Vai ter obras de arte nos quartos de um ou dois milhões de euros.
O próprio nome, Private Collection, remete para a arte.
Sim. É uma coleção privada de arte do dono do edifício, que não é nosso, é arrendado. É de um jovem brilhante médico que fez uma coleção de arte ao longo da vida – ainda é novo, por isso estou a dizer brilhante – e que comprou o edifício exatamente para fazer um pequeno boutique hotel. Vai ser mesmo pequeno e vai ter vistas fabulosas. Não há nada que conheça que seja parecido. Vai abrir em meados de maio, princípios de junho.
E teremos um outro projeto, o LENSCAPE Coterie, que vai ser o primeiro Coterie. Vai ter, numa primeira fase, 41 quartos, e depois, na segunda, mais 11, ou seja, 52 quartos. Um spa grande, piscina, jardins, dois restaurantes.
Esse é um projeto da nova marca lançada recentemente por si e pela Ingrid Koeck?
Exatamente, é uma marca nova que vai seguir um rumo autónomo e tem muito a ver com partilha, com valores, com as pessoas sentirem que pertencem ao mesmo bando, ao mesmo grupo. É um hotel, se calhar, para pessoas mais jovens, mais liberais. Vai ser muito ‘cool’, não é tão “rococó” como estes [Tourel Boutiques], é muito mais limpo, mais ‘clean’. Há um público-alvo que quer qualidade, que quer ir para um sítio com o qual se identifique, onde se coma bem, com bom spa, boa piscina, bem localizado. Basicamente sentir-se em casa.
Costumamos dar um cunho muito pessoal aos projetos, não há um quarto igual, cada um tem uma história para contar, e tentamos associar a Portugal cada projeto. Em quase todos, o mobiliário é feito cá, porque temos coisas excelentes, e é uma oportunidade para trazer todos esses artesãos, todo esse ‘know how’ para dentro dos espaços. É isso que fazemos.
Por falar nisso, dizem ser artesãos de memórias. Que mensagem querem passar?
Queremos que as pessoas, sobretudo quando saírem daqui, vão com algo dentro delas, uma memória, uma experiência, que fiquem ligadas aos espaços por isso, e não simplesmente por dormir. É raro termos grupos, e não é por termos algo contra, pelo contrário, mas os nossos espaços não chamam esse tipo de clientes ou empresas, porque somos mais um espaço onde as pessoas vêm para relaxar. Não são muitos, mas temos alguns clientes portugueses e os que temos até são quase todos de Lisboa, porque vêm aqui para relaxar, para estarem numa das piscinas e ir, depois, fazer uma experiência no [restaurante] 2Monkeys, no ‘fine dining’. Queremos realmente trabalhar muito o artesão da memória, porque é exatamente através disso que nos queremos distinguir de todos os outros.
"Queremos que as pessoas, sobretudo quando saírem daqui, vão com algo dentro delas, uma memória, uma experiência, que fiquem ligadas aos espaços por isso, e não simplesmente por dormir"
Essa é a principal característica que os distingue da concorrência, que é cada vez maior?
É verdade, mas são todos bem-vindos, e quanto melhores forem… melhor. Aliás, vamos ter o Six Senses [Lisbon] aqui perto [Palácio Lavra e Palácio das Pedrosas] e é um momento para celebrar, porque vai valorizar esta encosta, que nunca foi muito valorizada pelos lisboetas. Eu próprio não a conhecia quando vim cá pela primeira vez. Vivo na outra, no Chiado, mas esta é fantástica: está virada a sul e a poente e a outra não, não tem este pôr do sol lindo. E depois é muito mais sossegada, tranquila.
Qual é o público-alvo do Grupo Torel Boutiques? Há muitos hóspedes portugueses?
Temos vindo a ter, a cada ano, mais clientes portugueses. No início tínhamos muito poucos, cerca de 3%, hoje já temos 7% ou 8%. Entre os estrangeiros, destaque para o público americano e depois inglês, francês e alemão, ao mesmo nível. O público americano identifica-se muito com estes espaços, mas é um bocadinho o geral, não é por ser esta unidade. Mesmo a do Douro também é dominada pelos americanos, mas temos muitos portugueses no Douro e é o nosso hotel mais caro, portanto, não é pelo preço. Quem diz que o público português não tem dinheiro… tem e quando gosta paga. Mesmo nos Açores também há muitos americanos. Só em Guimarães é que o principal público-alvo é português. Guimarães é um destino único, uma cidade linda.
O interesse estará relacionado com o facto de a unidade ter estado ligada ao antigo tenista João Sousa?
Foi uma oportunidade. O João é uma pessoa fantástica. Não tinha muito tempo, tem estado a desenvolver outros projetos, e numa conversa informal encontrámo-nos em Guimarães, fomos almoçar e o processo decorreu de forma muito fácil. Transformámos a unidade, que agora é um hotel de cinco estrelas. Criámos mais quartos, um spa, algumas áreas de lazer, está aberto e a funcionar muito bem. Estamos com taxas de ocupação acima de 50%, o que é muito bom. São 18 quartos.
Portugal está na mira deste tipo de pessoas, que procuram algo especial/único?
Cada vez mais, não tenho dúvida. É uma tendência e Portugal tem uma característica muito nossa, a de saber receber, ser simpático, ter um sorriso. É muito nosso e caracteriza este tipo de hotelaria, o que é realmente único.
As guerras que teimam em não ter fim à vista, nomeadamente o conflito no Médio Oriente, estão a ter impacto no turismo em Portugal, ou o facto de o país estar numa ponta da Europa faz com que passe ao lado de todo este ruído?
Há dois fatores a ter em conta. Um, é natural que tenhamos uma vantagem e possamos beneficiar com isso, porque havendo cancelamentos em massa para esses destinos é normal haver operadores a transferir reservas e a olhar para Portugal, Espanha, Itália, França… E já estamos a sentir isso, um crescimento de reservas. Mas há o revés da medalha, que é a crise. Quem pensar o contrário, desengane-se, porque podemos ter uma recessão a sério, tem tudo a ver com a duração do conflito. Com a inflação a subir, as primeiras coisas onde as pessoas vão cortar vai ser no turismo, no lazer, nos restaurantes, etc. Mas até agora ainda não estamos a sentir isso.
Voltando um pouco atrás, à expansão do negócio do Grupo Torel Boutiques. O que está previsto acontecer, relativamente a novas aberturas?
Posso falar de alguns que já têm contrato assinado e que estão em desenvolvimento. O Costa Nova, ao pé de Aveiro, na praia e ria. Vai ser um Coterie muito ligado à área de desporto. Vamos ter também em Braga um Palace e um no Alto Douro. E temos coisas em projeto, mas não estão assinadas e não queria estar a divulgar, mas vamos ter mais hotéis, sim.
Este ano são três, o Private Collection, o LENSCAPE Coterie e o Santa Maria, que é outra unidade pequena em Guimarães. Um abre no final do ano e dois agora em maio/junho, portanto, contamos fechar o ano com 11 unidades. Os outros vão aparecer mais tarde, são projetos que ainda vão demorar até chegarem ao mercado.
O Algarve não entra na equação?
Há na região espaço para aparecerem hotéis deste género, ou mais pequenos, porque não existem. Existe um ou dois, mas para a dimensão do destino Algarve não há muita oferta a este nível. É uma oportunidade, bem como a Madeira. E o Alentejo também. São locais onde ainda não estamos e pode acontecer, mas não temos nada neste momento.
"Estive há poucos meses a ver uma coisa em Paris (França), portanto, pode acontecer, estas coisas acontecem, às vezes, de forma quase inesperada. É como o amor. Ligo muito a estas coisas. Este negócio, para mim, não é um trabalho, é mais uma paixão. Portanto, as coisas se aparecerem e se me identificar com elas, porque não?"
Estamos a falar apenas de um negócio de turismo puro e duro, em que um hóspede paga um valor por noite, ou há a possibilidade de uma pessoa ser proprietária de um imóvel dentro de um dos hotéis?
Até agora não desenvolvemos esse conceito, mas é também uma hipótese. Não tem nada de mais, é uma forma de financiar o projeto, mas as unidades que temos são todas de alojamento, não estão afetas a outro fim sem ser exploração 100% turística.
Até onde vai a ambição do Grupo Torel Boutiques?
Somos naturalmente modestos. Mas, obviamente, somos também ambiciosos, no sentido de criar algo diferenciador. Agora, se vamos ter 20 ou 30 unidades ou ficar por 15 ou 16… não faço ideia. Depende muito dos desafios que nos forem sendo colocados, porque imagine que aparece uma possibilidade até para fora do país? Estive há poucos meses a ver uma coisa em Paris (França), portanto, pode acontecer, estas coisas acontecem, às vezes, de forma quase inesperada. É como o amor. Ligo muito a estas coisas. Este negócio, para mim, não é um trabalho, é mais uma paixão. Portanto, as coisas se aparecerem e se me identificar com elas, porque não? Estar a gerir um hotel na ilha Terceira ou em Paris, é mais fácil em Paris, porque tenho 20 voos por dia e para a Terceira tenho três, e é o mesmo tempo de voo. É preciso é a pessoa identificar-se com o que vê e sente, mas estamos abertos a ver tudo o que possa ter interesse e encaixar.
E em Lisboa, onde só há uma unidade, é de esperar novidades?
Vai haver mais...
Então? Ainda há palácios e/ou imóveis antigos para recuperar na cidade?
Nunca avançámos, porque nunca encontrámos. Tivemos muitas propostas e não fechámos, porque nunca tivemos a sorte de encontrar outro sítio como este, ou parecido, ou com uma localização que interessasse muito. Mas estamos praticamente a fechar dois sítios muito interessantes em Lisboa. Não posso ainda divulgar, porque não está fechado, mas vamos ter algo em Lisboa nos próximos anos. É importante para nós, porque é a capital, é de onde o grupo originariamente vem. O Porto foi por uma questão também de coincidência, foram aparecendo projetos que interessavam e fomos abraçando. Lisboa vai ser assim também.
"Lisboa está um destino muito caro para investir. (...) Já está ao nível… não digo de Paris, que ainda está um bocadinho abaixo, mas já está muito mais cara que Madrid e Barcelona. É uma cidade que se está a tornar cada vez mais cara para nós vivermos, portugueses, e também para, obviamente, fazer investimentos desta natureza"
Significa, então, que investir em Lisboa nesta área ainda é boa opção?
Lisboa está um destino muito caro para investir. É, de facto, excessivamente caro o valor por chave que se começa a fechar. Lisboa já está ao nível… não digo de Paris, que ainda está um bocadinho abaixo, mas já está muito mais cara que Madrid e Barcelona. É uma cidade que se está a tornar cada vez mais cara para nós vivermos, portugueses, e também para, obviamente, fazer investimentos desta natureza.
O que procuram estas pessoas, estes hóspedes, nestes espaços?
Procuram experiências. Cada vez mais procuram algo que os permita sair daqui com algo que se vão lembrar no futuro. Isso é o primeiro ponto. E depois, obviamente, procuram um atendimento diferenciador, uma forma de serem recebidos de forma diferente. O quarto, a cama, obviamente que é importante a pessoa dormir bem, mas isso é mais fácil, é comprar bons colchões, boas almofadas e ter espaço no quarto. Tivemos um processo de redução de quartos para ganhar espaço, fizemos isso nos dois edifícios mais antigos [do Torel Palace Lisbon]. Preferimos sacrificar chaves e ganhar qualidade, exatamente porque os clientes procuram muito isso, ter espaço para poderem relaxar, para poderem estar. Depois é ser natural, simples, isso é o mais importante. Tentamos dar isso, ou seja, simplicidade, simpatia, tratar as pessoas pelo nome, isso é importante e personaliza muito a relação.
Tudo isto tem um preço. Estamos a falar, em média, de que valores por dormida/noite?
Varia muito consoante o hotel. Temos desde o Douro a 800 e tal euros, aqui (Torel Palace Lisboa) à volta dos 500, no Palace Porto 450, depois os outros estão muito similares: o Avantgarde é 300 e muitos e o Royal Court, em Guimarães, que começou há poucos meses, e o Terra Brava, nos Açores (Angra do Heroísmo, ilha Terceira), estão um pouco mais baratos, à volta dos 200 e tal euros, porque começaram há pouco tempo, são destinos que estamos a construir ainda. E há uma particularidade: Angra, Guimarães, Porto e Douro são destinos Património da Humanidade, e Lisboa também, algumas zonas, o que também tem sido uma aposta.
Disse, em cima, que a Madeira é um destino que também entra nos planos…
Sim, claro, a Madeira é fantástica, adoro a Madeira. Portugal é, de facto, um país tão pequeno e com uma diversidade de oferta turística enorme. Isso é único, temos uma coisa única. Também temos de saber investir nisso. Estou a falar do Governo, dos aeroportos, da criação de infraestruturas. Por exemplo, agora temos uma procura de mais de quase meio milhão de turistas por causa da guerra, mas não temos capacidade para receber. É impossível. Não se consegue meter meio milhão de pessoas naquele aeroporto [de Lisboa]. É incrível as oportunidades que estamos a perder por ainda não termos essas infraestruturas criadas. Espero que agora, finalmente, elas possam aparecer com o dinamismo e com a celeridade que carece, porque estamos todos a perder dinheiro, não é só os hotéis. Existe procura, isso não tenho dúvidas.
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