Prestações da casa voltam a ficar mais caras com aumento da Euribor

Taxas indexadas aos empréstimos habitação estão outra vez a subir e bancos começam a apertar critérios de concessão do crédito.
Crédito habitação mais caro
Foto de Ketut Subiyanto no Pexels

O crédito habitação em Portugal vai ficar mais caro, devido à incerteza criada pela guerra no Médio Oriente nos mercados financeiros. É certo que haverá um novo aumento das taxas Euribor em maio, depois de já terem começado a escalar nos últimos meses. E os bancos já estão a reagir a este cenário, elevando taxas e apertando os critérios de concessão dos empréstimos habitação. Mostramos, tento por base simulações, como podem subir as prestações da casa.

São esperados novos aumentos das prestações da casa nos créditos habitação a taxa variável em maio. A média mensal provisória da Euribor a 6 meses está em 2,454% em abril, acima da média de março (2,322%). E a Euribor a 12 meses de abril está acima de 2,7% (2,565% no mês anterior). Este crescimento surge depois de o indexante ter registado em março um dos maiores aumentos em três anos.

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“As taxas Euribor continuam a subir, portanto, as revisões de créditos habitação nos próximos dois meses vão resultar em prestações mensais mais altas”, alerta Miguel Cabrita, responsável pelo idealista/créditohabitação em Portugal. Também Diego Barnuevo, analista na Ebury, prevê novas revisões para cima da Euribor. Caso a guerra não termine em breve, “a Euribor de 12 meses permanecerá confortavelmente acima dos níveis pré-conflito nos próximos meses”, afirma.

Este movimento ascendente da Euribor surge porque os mercados financeiros já estão a reagir à subida da inflação na zona euro (para 3% em abril, estima o Eurostat), justificada pelo crescimento dos preços da energia gerado pela guerra no Irão. Além disso, os analistas também antecipam novas subidas dos juros diretores por parte do Banco Central Europeu (BCE) para travar um novo ciclo inflacionista, embora o supervisor tenha decidido manter as taxas inalteradas esta quinta-feira, dia 30 de abril. Uma subida dos juros do BCE é esperada para junho.

A banca em Portugal também já se está a ajustar ao atual cenário. “Já estamos a ver os bancos a subir as taxas em comparação com o início do ano, e não descartamos novos ajustes em alta nas ofertas”, avisa Miguel Cabrita. Além dos juros estarem mais altos, o Banco de Portugal revelou que os critérios de concessão de crédito habitação ficaram “ligeiramente mais restritivos, embora sem impacto agregado” no início do ano, tento em conta “as perspetivas do mercado da habitação, incluindo a expetativa de evolução de preços”. 

Novos créditos habitação: quanto podem subir as prestações da casa?

Perante o atual cenário incerto, o idealista/créditohabitação preparou um conjunto de simulações para perceber como é que as recentes flutuações da Euribor podem impactar as prestações da casa nos novos créditos habitação em Portugal – e considerou também potenciais acréscimos do indexante.

Nestes cálculos foi considerado um empréstimo habitação de 150.000 euros, com prazo de 30 anos, spread de 0,7% e Euribor a 6 meses, que é atualmente a taxa mais a utilizada em Portugal nos novos contratos a taxa variável. Estas são as conclusões:

  • se a Euribor a 6 meses subir dos atuais 2,322% (média mensal de março) para 2,450% - um cenário que poderá concretizar-se já em abril - significa que as prestações mensais vão passar de 634 euros para 644 euros (mais dez euros);
  • e se a Euribor a 6 meses subir para 2,550%, as prestações da casa seriam de 652 euros, mais 18 euros face a quem contratou o crédito em abril de 2026 (que usa a taxa média mensal de março).
  • caso a Euribor a 6 meses suba para 2,650% as prestações aumentariam para 661 euros, um acréscimo de 27 euros face a um empréstimo assinado em abril. 

Neste contexto, Miguel Cabrita recomenda que “seria prudente aproveitar esta oportunidade para comparar as ofertas de crédito habitação com taxas fixas e mistas”. Isto porque dão estabilidade nas prestações da casa, pelo menos, no início do contrato, eliminando ou diminuindo a exposição às flutuações dos mercados financeiros.

Quem já está a pagar um crédito habitação a taxa variável indexado à Euribor também se deve preparar para sentir aumentos nas prestações mensais se forem revistas nos próximos meses, muito embora a dimensão do agravamento dependa também do montante em dívida, do prazo do contrato e outras condições.

É por isso que o responsável pelo idealista/créditohabitação em Portugal diz que este é o momento “para todos os titulares de empréstimos com taxas variáveis ​​avaliarem melhores condições financeiras e mitigarem o risco de aumentos futuros”. Isso pode passar por renegociar o crédito, pedir revisão do spread, mudar para taxa mista ou até transferir o crédito habitação para outro banco com melhores condições.

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