Tarifas de Trump na mira de todos: CE, FMI e Governo metem mãos à obra

Presidente norte-americano justifica a medida com a necessidade de proteger a indústria dos EUA contra alegadas práticas comerciais desleais.
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A imposição de novas tarifas pelos EUA sobre importações da União Europeia (UE) e de outros países está a causar grande alvoroço e uma forte contestação a nível internacional. A Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Governo português estão a mobilizar-se para avaliar os impactos e definir possíveis respostas, perante o risco de escalada das tensões comerciais.

O anúncio feito na quarta-feira, 2 de abril de 2025, pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e prevê tarifas adicionais de 20% sobre produtos europeus, acumulando-se às taxas de 25% já em vigor para os setores automóvel, do aço e do alumínio. Justificando a medida com a necessidade de proteger a indústria dos EUA contra alegadas práticas comerciais desleais, a administração Trump reacendeu o debate sobre os efeitos do protecionismo na economia global.

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União Europeia procura resposta unificada

Face a estas medidas, a Comissão Europeia iniciou negociações com Washington. O comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que a UE atuará de "forma calma, cuidadosamente faseada e unificada", mas garantiu que Bruxelas não ficará de braços cruzados caso não se chegue a um acordo justo.

A possibilidade de medidas de retaliação está em cima da mesa, nomeadamente através da aplicação de taxas adicionais sobre produtos norte-americanos, o que poderia escalar as tensões comerciais e afetar os preços na economia global.

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FMI alerta para risco significativo na economia global

A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, considerou que estas tarifas representam "um risco significativo" para a economia global num momento de fraco crescimento. "É importante evitar ações que possam prejudicar ainda mais a economia global", afirmou, apelando ao diálogo entre os EUA e os seus parceiros comerciais.

"Pedimos aos Estados Unidos e aos seus parceiros comerciais que trabalhem de forma construtiva para resolver as tensões comerciais e reduzir a incerteza", disse a responsável.

A reação do mercado financeiro foi imediata, com as bolsas mundiais a registarem perdas significativas. Wall Street fechou em queda acentuada na quinta-feira, com o índice Dow Jones a perder 3,98%, o Nasdaq 5,97% e o S&P500 4,84%, as piores quedas em cinco anos. A desvalorização das ações foi estimada em milhares de milhões de dólares.

Governo português avalia impacto e prepara resposta

O Governo português também reagiu, anunciando que vai reunir-se na próxima semana com 16 associações empresariais para avaliar o impacto das novas tarifas sobre a economia nacional e delinear medidas de mitigação. O ministro da Economia, Pedro Reis, alertou que as tarifas de Trump "não são uma boa notícia para o mundo" e terão um efeito "contrário ao desejado".

As reuniões contarão com a presença de representantes Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), IAPMEI, Compete, Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE) e Banco Português de Fomento (BPF), além de associações dos setores mais afetados, como a indústria automóvel, metalurgia, calçado, têxtil, cortiça e mobiliário.

"A União Europeia vai certamente responder como um todo e reagir com cautela, firmeza e inteligência", garantiu Pedro Reis, alertando que medidas protecionistas podem gerar inflação, travar o crescimento e afetar cadeias de produção internacionais.

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DBRS alerta para efeitos negativos

A agência de notação DBRS Morningstar também se pronunciou, afirmando que o plano tarifário dos EUA "vai abrandar o crescimento económico a curto prazo, aumentar os preços para o consumidor e os custos dos fatores de produção". O documento da agência adverte ainda que a incerteza política pode levar a um aumento do protecionismo e desencorajar investimentos empresariais.

Com a economia global em tensão, resta saber até que ponto a administração norte-americana estará disposta a negociar e se a resposta da União Europeia será suficiente para conter os impactos destas novas tarifas.

*Com Lusa

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