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“Portugal continua a ser muito atrativo para os investidores estrangeiros”

Juan-Galo Macià, CEO da Engel & Völkers para Espanha, Portugal e Andorra / Engel & Völkers
Juan-Galo Macià, CEO da Engel & Völkers para Espanha, Portugal e Andorra / Engel & Völkers
Autor: Leonor Santos

O imobiliário nacional continua a viver os melhores anos da última década, sendo uma das “galinhas dos ovos de ouro” da economia portuguesa. Da reabilitação à construção nova, o setor foi ganhando fôlego, alimentado pelo investimento nacional, mas sobretudo estrangeiro. Em entrevista ao idealista/news, Juan-Galo Macià, CEO da Engel & Völkers para Espanha, Portugal e Andorra, diz não ter dúvidas sobre a capacidade do país continuar a atrair capital "lá fora”, rejeitando um cenário de bolha imobiliária semelhante ao que foi vivido no mercado espanhol.

A imobiliária alemã Engel & Völkers, especializada na mediação de imóveis de luxo, acabou de instalar o seu novo Market Center em Lisboa, na Avenida da Liberdade. A empresa investiu cerca de 1,3 milhões de euros num espaço que irá albergar uma equipa de 150 consultores imobiliários, que vão ocupar o centro de forma rotativa – trata-se de um modelo de negócio que já segue a “todo o vapor” em Barcelona, Madrid e Valência, e que também alcançou outros mercados internacionais, como Roma, Paris, Dubai ou Nova Iorque.

O idealista/news conheceu o novo espaço e esteve à conversa com Juan-Galo Macià sobre o presente e futuro do imobiliário. O responsável reconhece os preços “quentes” no centro das cidades, como em Lisboa, e o facto de estes parecerem muito exagerados para os locais, mas garante que ainda estão muito longe dos valores praticados em cidades como Londres ou Paris. Acredita, também, que este é um dos fatores que mantém os estrangeiros interessados no imobiliário nacional.

Reconhece que num futuro próximo vamos assistir a uma estabilização dos preços nos centros das grandes cidades, e a um maior potencial de valorização das casas nas periferias. Juan-Galo Macià fala do efeito “mancha de azeite”, muito utilizado em Espanha, para explicar a “a diluição dos preços” para as zonas limítrofes. Afasta, contudo, a perspetiva de uma bolha imobiliária, referindo que “não há oferta suficiente” para esse cenário. O responsável relembra que na altura em que o mercado espanhol “crescia de forma desmesurada”, tendo sido depois, invadido pelo fantasma da bolha imobiliária, Portugal estava “a viver uma crise” – daí a dinâmica de crescimento ter alcançado o país muito mais tarde.

O responsável refere Lisboa como um incontestável epicentro de dinâmica, mas não se escusa de referir outras zonas do país, nomeadamente o Porto, “que está super na moda e que tem um centro histórico espetacular”, e cujo “investimento está a pôr a cidade bonita”. “A cidade está a tornar-se muito atrativa para as grandes empresas internacionais”, conta.

Que investidores estão de “olhos postos” em Portugal?

Juan-Galo Macià identifica três tipos de investidores. Menciona os cidadãos brasileiros “com muito dinheiro” que estão dispostos a investir até 800 mil euros num imóvel, os estrangeiros que investem através dos vistos gold (as casas têm de custar pelo menos 500 mil euros) e, por fim, o investor nacional, que compra em torno dos 300 mil euros.

Quem investe procura, sobretudo, “peças muito singulares como penthouses com boas vistas e luz natural”, segundo o responsável. A localização é outro fator determinante.  “Uma boa localização é um valor seguro e por isso é muito importante que as casas estejam bem localizadas, uma vez que os investidores têm grande interesse em arrendar logo de seguida na maioria das vezes”, realça.

Da reabilitação à obra nova

O responsável reconhece a importância da reabilitação urbana, que transformou por completo os centros das cidades como Porto e Lisboa – irreconhecíveis, antes desta dinâmica imobiliária. Revela que em Espanha, por exemplo, “já não há nada para reabilitar e que só se pode construir”, mas que em Portugal “ainda há espaço para mais projetos”.  

Acredita também que, no país, a obra nova irá ganhar terreno à reabilitação, uma vez que esta era uma das bandeiras mais reclamadas pelo setor, face a falta de oferta. “Em Portugal ainda há pouca obra nova” dada a “fase difícil” que o país atravessou, afirma. Juan-Galo Macià considera que foi-se instalando no mercado nacional uma “procura local natural”, não no centro, mas nas periferias, uma vez que agora as “pessoas já estão a conseguir ter acesso a estas casas” - uma possibilidade também ela alimentada pelo facto dos bancos estarem a “oferecer crédito com taxas de juro muito atrativas”.

Os desafios da E&V para o futuro

Consolidar-nos como marca, como já fizemos em muitos outros países, e cidades, com um modelo muito profissionalizado, esse é um grande desafio”, diz o responsável, esclarecendo que, e a propósito da abertura do Market Center em Lisboa, o objetivo é “encontrar profissionais no mercado, que venham ou não do setor imobiliário, mas que se convertam em verdadeiros profissionais capazes de oferecer um serviço exclusivo, e que trabalhem com uma grande paixão”.

Outro desafio, sublinha, é o da transformação digital. “Esta é uma empresa com 40 anos no mercado, que tem tido muito êxito, mas estamos conscientes das mudanças, e isto obriga-nos a investir. Estamos em plena transformação digital na nossa empresa, procurando perceber como é que a empresa vai adaptar-se para continuar a ter sucesso”, conclui.