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casa arrendada: viver num t2 em lisboa (fotos)

a casa está localizada no alto de são joão e tem vista para o rio tejo

na rubrica “casa arrendada”, que iniciámos em novembro, mês em que entrou em vigor a nova lei do arrendamento, contamos-te histórias de pessoas que optaram por ser inquilinos em vez de proprietários. a crise fechou a torneira do crédito à habitação, tornando quase impossível a compra de casa, o que está a levar cada vez mais gente a procurar soluções no mercado de arrendamento

hugo costa, 31 anos, é designer de comunicação e vive com a namorada – paula peixoto, 34 anos, técnica de backoffice – num t2 localizado no alto de são joão, em lisboa, pelo qual pagam 500 euros por mês. um valor que baixou recentemente (50 euros) após iniciativa do senhorio. para este jovem designer, os valores do mercado de arrendamento praticados na capital não são “compatíveis com os rendimentos” das pessoas, sobretudo em tempos de crise

pergunta: há quanto tempo vives nesta casa?
resposta: há cerca de três anos

p: já tinhas vivido numa casa arrendada?
r: é a primeira vez e posso dizer que o balanço está a ser positivo

p: o que te levou a escolher a casa onde vives actualmente?
r: em primeiro lugar o preço da renda. nos dias de hoje, tem de ser o primeiro factor a ter em conta. em segundo lugar a localização da casa, que tem vista para o rio [tejo], o que me cativou desde logo

p: como a conseguiste encontrar?
r: através da internet. acho que actualmente é a forma mais rápida e eficaz de conseguir encontrar casa para arrendar e mesmo comprar  

p: o processo de procura foi demorado?
r: não, foi muito simples. vi a casa na internet e marquei de imediato uma visita. depois manifestei interesse e comecei a tratar do processo com a imobiliária. juntei a documentação necessária e entreguei-a à imobiliária que tratou do assunto com o senhorio. todo o processo, até à assinatura do contrato por ambas as partes, terá demorado cerca uma semana

p: achas que a oferta de casas para arrendar existente no mercado corresponde à procura, que é cada vez maior? porquê?
r: acredito que a oferta, neste momento, tende a ser correspondente à procura. isto deve-se às dificuldades em obter um empréstimo bancário, bem como às dificuldades financeiras que assolam a classe média

p: quanto pagas de renda? parece-te um valor aceitável, tendo em conta o custo de vida da cidade e do país?
r: comecei por pagar 550 euros, mas face à conjuntura económica actual do país o senhorio, por sua iniciativa, acabou por fazer uma redução ao valor da renda. actualmente a renda são 500 euros. mas não me parece que os valores praticados em lisboa sejam compatíveis com os rendimentos que auferem as pessoas 

p: que opinião tens sobre o mercado de arrendamento em portugal?
r: sempre fui da opinião que estava inflacionado. mas penso que agora, face à realidade do país, está mais ajustado à realidade

p: consideras que o futuro passa, cada vez mais, por arrendar casa em vez de comprar? porquê?   
r: sim. a compra de casa própria faz de certa forma parte da cultura portuguesa, no entanto, as novas gerações tendem a procurar mais o arrendamento por motivos como aqueles já mencionados. e acaba por ser, também, uma opção que permite maior mobilidade, o que nos dias hoje tem de ser tido em conta, nomeadamente em termos profissionais

p: acreditas que o mercado de arrendamento vai sofrer grandes alterações com a nova lei do arrendamento (entrou em vigor a 12 de novembro)?
r: acho que as alterações efectuadas beneficiam mais os senhorios, que em situações de rendas antigas podem actualizá-las. ao mesmo tempo, as acções de despejo passam a ser mais céleres em casos em que se dá o incumprimento no pagamento das respectivas rendas por parte dos inquilinos. penso ainda assim que há um outro lado mais negro nesta questão, que levanta problemas sociais que se prendem por exemplo com a população mais envelhecida, que não tem como “responder” a possíveis aumentos da rendas fruto dessa mesma actualização

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(idealista news)