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Casa e pandemia, o que muda? Impacto do confinamento à lupa

Conclusões constam no estudo “Impacto da Covid-19 nos critérios da habitação em Portugal”, realizado pela Century 21 Portugal.

Casa e pandemia, o que muda na relação? impacto do confinamento à lupa
Imagem de Mylene2401 por Pixabay

Que casa gostariam de ter os portugueses no pós-pandemia e depois de terem ultrapassado dois confinamentos? O que mudou nos seus requisitos na hora de comprar ou arrendar casa? O estudo “Impacto da Covid-19 nos critérios da habitação em Portugal”, realizado pela mediadora Century 21 Portugal (C21), procura dar resposta a estas e outras questões. Uma coisa é certa, a cultura de ser proprietário está de pedra e cal, visto que quase nove em cada 10 pessoas preferem comprar casa.
 
Segundo o estudo, 95% das pessoas – responderam 450 indivíduos e os inquéritos decorreram de 2 a 8 de outubro de 2020 e de 7 a 12 de janeiro de 2021 – passaram o confinamento na sua residência habitual, sendo que o grau médio de satisfação com a casa onde passaram o período de recolhimento obrigatório imposto pela pandemia é de 8,3 em 10. 

“Contudo, 65% dos inquiridos identificaram novas necessidades relativamente à sua habitação, durante o confinamento e (…) após o confinamento 45% dos portugueses assumem que gostariam de mudar de casa”, conclui o estudo.

Algumas das conclusões a retirar do estudo

  • 29% dos inquiridos gostariam de mudar de casa, mas não têm capacidade económica para o fazer;
  • 11% já tinham planeado mudar de casa antes do confinamento, 3% não tinham planeado mas, após o confinamento, consideraram uma mudança de habitação, enquanto 2% dos inquiridos afirmam que gostariam de mudar mas sentem-se desencorajados com o processo de comprar e vender, e pelo próprio conceito de mudança;
  • 43% dos inquiridos sentem-se satisfeitos com a casa onde vivem.

Mudar de casa porquê?

Para os que afirmaram o desejo de ter outra habitação, as principais razões para considerarem a mudança são:

  • A casa atual se tornou demasiado pequena (25%);
  • Precisam de mais espaço para as crianças (21%);
  • Procuram uma casa numa zona mais calma (14%);
  • Desejar uma casa no campo (11%)

A importância do valor da casa

Para os portugueses, o fator mais importante é o valor da casa, conclui a C21, salientando que já antes do confinamento o preço registava uma ponderação muito elevada, de 8,9 em 10. Agora, depois do confinamento, o indicador aumentou para 9,2 em 10. 

A zona envolvente

  • Quer antes quer depois do confinamento, os aspetos mais importantes na zona envolvente da casa são a localização numa área sossegada e silenciosa, a proximidade a supermercados, lojas, parques e zonas verdes, a acessibilidade a transportes públicos e a vizinhança;
  • Depois do confinamento, a proximidade aos filhos ou família e a zonas de restauração são os aspetos que ganharam mais importância (ambos sobem 0,4 pontos).

Que casa escolher e onde

  • Quer antes quer depois do confinamento, mais de metade dos inquiridos (53%) assume manter a preferência por habitar na mesma zona em que vive atualmente;
  • Dos que se mudariam para outro local, uma zona periférica do centro da cidade é a localização preferida (35% antes e 31% depois do confinamento), seguida pelo centro da cidade (24% antes e depois); 
  • Antes do confinamento, apenas 17% procuravam morar fora da cidade;
  • Depois do confinamento, 20% dos inquiridos indicaram que mudariam para fora das cidades;
  • A moradia de um piso é o tipo de habitação mais desejado, uma opção apontada por 39% dos inquiridos, quer antes, quer depois da pandemia.

Qual a área e configuração da casa ideal?

  • Depois do confinamento, a preferência por uma casa de 151 a 200 metros quadrados (m2) subiu três pontos, em linha com o aumento da área média da habitação, que antes do confinamento se fixava nos 146 m2 e depois do confinamento cresce para os 149 m2;
  • Em relação às tipologias da habitação, o confinamento fez aumentar três pontos o interesse por casas de quatro quartos, e a preferência por habitações com quatro casas de banho sobe dois pontos;
  • O facto de ter espaço ou condições para teletrabalho (30%), ter espaço para as crianças brincarem (29%) e o edifício ter amplos espaços comuns (28%) são as principais características que os inquiridos procuram na sua nova casa.

A importância do custo da prestação/renda

  • Os montantes que mais pessoas estariam dispostas a pagar por uma hipoteca, ou arrendamento, situam-se entre os 301 a 400 euros (25%) e entre os 201 a 300 euros mensais (22%). Já 17% poderiam pagar até 500 euros mensais, enquanto apenas 11% dos inquiridos têm disponibilidade financeira para chegar aos 600 euros;
  • Entre os inquiridos que afirmaram ter o desejo de mudar de habitação, 46% ainda não começaram a procurar uma casa, 21% ainda estão à procura e 16% já encontraram a casa que procuravam; 
  • O principal motivo apontado por quem não comprou ou arrendou casa é o facto da habitação pretendida estar além das suas possibilidades financeiras.

Comprar ou arrendar?

  • Quase 9 em cada 10 famílias (89%) preferem ser proprietárias de uma casa;
  • 59% acreditam que se trata de um investimento no futuro;
  • 21% assumem que a casa é uma herança que pretendem deixar para os filhos;
  • Dos 11% que optam por habitação arrendada, 57% justificam que de momento não têm capacidade financeira para investir na aquisição de casa, 19% ainda não tomaram decisões sobre a zona onde querem viver e apenas 11% preferem arrendar para terem maior mobilidade.

Há “vontade, e necessidade, de mudar de casa”

Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, comenta, citado em comunicado, que “o mercado imobiliário continua a registar níveis elevados de procura, o que confirma que as famílias têm vontade, e necessidade, de mudar de casa”.

Segundo o responsável, a oferta de soluções habitacionais adequa-se, de um modo geral, à procura e está em linha com os rendimentos das famílias. “Contudo, a acessibilidade à habitação é condicionada pelas elevadas taxas de esforço registadas em Lisboa e noutras cidades da Área Metropolitana de Lisboa, no Algarve e Área Metropolitana do Porto. Nestas zonas, a oferta limitada continua a ser o maior desafio do mercado imobiliário, sobretudo nas soluções ajustadas às necessidades e ao poder de compra da classe média”, comenta. 

Ricardo Sousa considera que, com a pandemia, “saiu reforçado o sentimento de propriedade, com 89% dos portugueses a afirmarem que querem ser proprietários”. “Surpreendente é também o facto da maioria dos inquiridos, 53%, afirmarem que querem viver na mesma zona e, os que afirmam que ponderam mudar de zona, 35% optam por uma zona periférica ao centro da cidade”, conclui.

Casa e pandemia, o que muda na relação? impacto do confinamento à lupa
C21 Portugal