Governo terá "humildade para calibrar" pacote da habitação

Garantia dada pelo ministro da Economia António Costa Silva, que considera que há "uma crise muito grande em termos de habitação".
Governo quer fazer muitas alterações ao setor da habitação em Portugal
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Lusa
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O ministro da Economia, António Costa Silva, garantiu esta sexta-feira (17 de fevereiro de 2023) que o Governo terá “humildade para calibrar” as medidas anunciadas no pacote da habitação, aquando da sua aplicação, lembrando a “crise muito grande” no setor. “Nós quando temos uma crise muito grande em termos da habitação – e é evidente que foram tomadas medidas –, [mas] penso que o Governo tem sempre a humildade de reconhecer depois se a sua aplicação está a funcionar ou não e se tem de calibrar e adaptar essas medidas”, declarou António Costa Silva.

O responsável, que falava à imprensa à margem de uma visita institucional ao bloco logístico da Mercadona em Almeirim, distrito de Santarém, assinalou que “os pacotes são para responder às crises”, como o anunciado na quinta-feira dedicadas à habitação. “Nós temos uma crise muito grande em termos de habitação e é evidente que temos de moderar agora os efeitos”, reforçou António Costa Silva.

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A posição surge após críticas do setor, nomeadamente da Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), que disse considerar a proposta de arrendamento do Governo, para aumentar a oferta e atenuar as rendas, "um ataque" à propriedade privada, retirando confiança aos investidores e mantendo o problema da habitação.

“Eu penso que todos acreditamos que é profundamente importante salvaguardar o papel do Estado social, do Estado prestador de serviços e temos também de ter o Estado regulador, mas isso tem de se compatibilizar com uma economia de mercado cada vez mais pujante e a economia de mercado é o papel das empresas que é decisivo”, reagiu António Costa Silva.

Para o governante, “é necessário Estado e economia de mercado”, sendo crucial “calibrar os interfaces” e acabar com “um clima de alguma hostilidade que existe em relação as empresas, sobretudo às grandes empresas”.

“Podemos ter num setor ou outro mais ou menos intervenção do Estado, mas a mim como ministro da Economia e do Mar o que me interessa é que seja salvaguardado o papel das empresas e que nós acreditemos nas empresas, […] que são os fatores da mudança e da criação de riqueza”, adiantou António Costa Silva.

O ministro disse ainda esperar um “crescimento significativo” do investimento em Portugal em 2023.

Há mudanças à vista no setor da habitação em Portugal
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Programa Mais Habitação: em que consiste?

O Governo anunciou na quinta-feira (16 de fevereiro de 2023) as medidas do Programa Mais Habitação, que entre outras, prevê a disponibilização de mais solos para construção de habitação, incentivos à construção por privados ou incentivos fiscais aos proprietários para colocarem casas no mercado de arrendamento.

O novo pacote legislativo foi aprovado num Conselho de Ministros dedicado ao setor, tendo o Governo assumido a habitação acessível como um dos maiores desafios da atualidade.

Entre as medidas que visam estimular o mercado de arrendamento, assim como a agilização e incentivos à construção, incluem-se o fim dos vistos gold, o Estado substituir-se ao inquilino e pagar rendas com três meses de incumprimento, a obrigatoriedade de oferta de taxa fixa pelos bancos no crédito à habitação ou famílias que vendam casas para pagar empréstimo da sua habitação ficarem isentas de mais-valias.

As medidas do Programa Mais Habitação vão custar cerca de 900 milhões de euros, não incluindo nesta estimativa o que venham a ser valores de custos com rendas, com obras a realizar ou com compras, mas incluindo aqui o valor das linhas de crédito, e será mobilizado através das verbas do Orçamento do Estado, indicou o ministro das Finanças, Fernando Medina.

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