Investimento em imobiliário comercial em queda – recua 46%

Entre janeiro e setembro, o investimento em imobiliário comercial somou apenas 1.050 milhões de euros em Portugal, segundo a JLL.
Investimento em imobiliário comercial em Portugal
Foto de Teodor Kuduschiev na Unsplash

Nos primeiros nove meses do ano, o investimento em imobiliário comercial somou 1.050 milhões de euros em Portugal, valor que apresenta uma quebra na ordem dos 46% face ao mesmo período de 2022. Em causa estão dados que constam no mais recente Market Pulse, da JLL. Trata-se de um recuo que se deve ao facto de haver “uma postura mais cautelosa dos investidores” e “um atraso na concretização de muitas operações, reflexo da crescente incerteza devido ao quadro macroeconómico e geopolítico”, refere a consultora. Esta é, de resto, “uma tendência global que está a afetar também Portugal”. 

Segundo Pedro Lancastre, CEO da JLL Portugal, “os resultados do terceiro trimestre não surpreendem”, até porque “os ciclos económicos afetam o mercado imobiliário, e o final do primeiro semestre já deu sinais de abrandamento na atividade transacional de ocupação e investimento”. 

Publicidade

“Apesar de a pressão inflacionista estar a aliviar e de o BCE não ter subido os juros na última reunião, continua a haver muita incerteza em relação à evolução macroeconómica e em como os consumidores de imóveis, sejam empresas sejam famílias, e a banca se vão adaptar"
Pedro Lancastre, CEO da JLL Portugal

“Apesar de a pressão inflacionista estar a aliviar e de o BCE não ter subido os juros na última reunião, continua a haver muita incerteza em relação à evolução macroeconómica e em como os consumidores de imóveis, sejam empresas sejam famílias, e a banca se vão adaptar. Naturalmente que isso coloca os operadores em alerta e aumenta os níveis de cautela, atrasando decisões, reformulando planos e reajustando processos”, justifica, citado em comunicado.

O responsável indica, ainda, que o sentimento que se vive no setor imobiliário “predomina a nível global e não apenas em Portugal”. “Em reflexo do percurso que fizemos nos últimos anos, somos um mercado de exposição internacional e não somos imunes às tendências que afetam as estratégias de alocação de capital. Não é uma questão de perda de atratividade ou de fragilidade dos nossos indicadores de desempenho”, explica.

Para Joana Fonseca, Head of Strategic Consultancy & Research da JLL, nos escritórios e na habitação, sobretudo, “o principal impacto desta envolvente mais pressionante tem sido observada na perda de volume, realizando-se menos transações que na média dos anos anteriores”. “Os indicadores de valorização, ou seja, os preços e as rendas, têm-se mantido estáveis ou até crescido, com ajustes apenas em segmentos e localizações mais secundárias”, comenta. 

“A criação de nova oferta de habitação tem de ser feita pelos privados”

O relatório da JLL atesta que no terceiro trimestre deste ano os preços de venda das casas em Lisboa mantiveram-se estabilizados em 4.580 euros por metro quadrado (€/m2). Já no Porto, os 3.020 (€/m2) apresentam uma contração marginal de 2% face ao período homólogo, adianta a consultora, 

Para Pedro Lancastre, o país continua a “enfrentar um problema grave de falta de oferta, que sustenta os níveis de valorização num momento de quebra de atividade”.

Contudo, avisa, o “mais preocupante é que não se vêm soluções de incentivo que permitam estimular o crescimento da oferta a curto e médio-prazo, especialmente na habitação, onde a falta de imóveis tem estado na base do encarecimento do mercado e restringido o acesso de muitos consumidores”. “A criação de nova oferta tem de ser feita pelos privados, mas há que criar condições para que estes investimentos sejam concretizados”, defende. 

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.