IA na mediação imobiliária: “Portugal começa a acompanhar a evolução”

IA "está a criar oportunidades de negócio” no setor, revela Miguel Silva, Head of IT da Porta da Frente Christie’s, em entrevista.
IA no setor imobiliário
Miguel Silva, Head of IT da Porta da Frente Christie’s Créditos: Freepik | Porta da Frente Christie’s

A Inteligência Artificial (IA) é, cada vez mais, uma realidade e está a deixar marcas na sociedade e nos vários setores económicos. O imobiliário não é exceção, sendo esta uma tecnologia que “está a transformar a experiência do cliente, a otimizar processos e a criar oportunidades de negócio”, segundo diz ao idealista/news Miguel Silva, Head of IT da mediadora imobiliária Porta da Frente Christie’s. “E Portugal já começa a acompanhar essa evolução”, revela.

Mas o que está, na verdade, a mudar? O que está já a acontecer no negócio da compra, venda e arrendamento de casas? “No contexto de compra e venda, a IA vai possibilitar avaliações de mercado mais precisas e instantâneas, além de estimativas de valor baseadas em dados históricos e tendências em tempo real. Para o cliente, isso significa uma tomada de decisão mais informada, com acesso a informações detalhadas e personalizadas. No arrendamento, a IA pode otimizar a triagem de inquilinos e facilitar o processo de gestão de contratos e manutenção, tornando-o mais rápido e seguro”, explica o especialista.

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Entre os temas abordados nesta entrevista está também aquela que é, segundo a Porta da Frente Christie’s, a primeira assistente virtual de imobiliário em Portugal. Chama-se Rachel e “exemplifica perfeitamente como a IA pode transformar o setor, especialmente na mediação, ao proporcionar uma solução prática e acessível”, argumenta Miguel Silva. 

IA no setor imobiliário
Freepik

A Rachel, desenvolvida pela Porta da Frente Christie’s, é a primeira assistente virtual de imobiliário em Portugal, certo? Em que consiste esta ferramenta?

Exato, a Rachel é realmente a primeira assistente virtual deste tipo no mercado imobiliário em Portugal. Foi concebida para revolucionar o atendimento ao cliente, oferecendo uma interação que supera o chatbot tradicional. Em vez de se limitar a texto ou áudio, utiliza uma tecnologia multimodal avançada que combina vídeo, áudio e texto, proporcionando uma experiência muito mais próxima de uma conversa humana real.

Este avanço é possível graças ao nosso modelo de linguagem “F2F LLM” (Face-to-Face Language Model), que processa áudio e vídeo em tempo real e compreende as necessidades dos clientes de forma contextualizada. Diferente dos chatbots convencionais, que se limitam a um único canal de comunicação, a Rachel consegue ouvir, ver e responder, criando respostas mais ricas e precisas.

No contexto da Porta da Frente Christie’s, isso traz benefícios significativos: a Rachel consegue atender clientes 24/7, realizar uma triagem inicial de leads e explicar as características dos imóveis de forma visual e informativa.

Porquê a escolha do nome Rachel? 

A escolha do nome Rachel e a criação de uma identidade visual foram pensadas para humanizar a experiência do cliente, proporcionando uma sensação de proximidade, confiança e facilmente relacionável. Isso não só traz um toque de realismo à interação, como também reforça a ideia de uma presença contínua e personalizada para os clientes, como seria numa equipa humana com profissionais ao dispor.

Esta abordagem oferece flexibilidade e ajuda a criar uma experiência mais rica e envolvente, mantendo o cliente sempre bem acompanhado, independentemente do horário ou da situação em que aceda ao nosso site.

Que benefícios traz a Rachel aos utilizadores/clientes? Porquê? E desvantagens é possível apontar alguma?

A Rachel é muito mais que uma assistente virtual – reflete o nosso compromisso em inovar de forma focada no cliente. Na Porta da Frente Christie’s, a inovação faz parte do ADN, acompanhando uma transformação que está a redefinir o setor imobiliário como um todo.

Estamos a assistir a uma revolução proptech, onde a tecnologia não apenas facilita processos, mas eleva a experiência do cliente e redefine a forma como interagimos no mercado. A Rachel é uma das apostas estratégicas nessa transformação, projetada para oferecer um atendimento que combina automação, eficiência e uma experiência humanizada, tudo isso disponível 24/7. Para o cliente isto traduz-se num ponto importantíssimo para nós, que é o atendimento imediato. 

"Estamos a assistir a uma revolução proptech, onde a tecnologia não apenas facilita processos, mas eleva a experiência do cliente e redefine a forma como interagimos no mercado"

Como desafios, não da Rachel em particular, mas da IA como um todo, destaco duas situações: Em primeiro lugar, a complexidade das interações humanas, dado que por mais avançada que seja a tecnologia, existem situações emocionais e negociações complexas que ainda beneficiam de um toque humano. Em segundo, a própria evolução e adoção da tecnologia, que se reflete na preferência pelo contato humano que alguns clientes ainda manifestam ao procurar a interação com uma pessoa real, especialmente em transações imobiliárias onde o relacionamento e a confiança são fatores-chave. 

A Rachel é uma extensão da nossa equipa e não uma substituta, temos sempre um agente disponível para entrar na conversa, caso o cliente prefira.

Quando começou a ser pensada a Rachel e quando entrou em funcionamento? Foi também testada, certo? 

A Rachel começou a ser pensada há cerca de três anos, com o objetivo ambicioso de transformar o atendimento imobiliário em Portugal e colocar a Porta da Frente Christie’s na vanguarda da inovação assente em IA. Ao longo desse tempo, fomos construindo e testando o modelo em várias fases passando pela alimentação do mesmo criando a sua base de conhecimento sobre o negócio (os nossos produtos, o país, as zonas de atuação), ajustando cada detalhe para garantir que ela fosse útil, acessível e bem recebida pelos clientes.

Naturalmente, a Rachel passou por um período de testes rigorosos antes de entrar em funcionamento. Nessa fase, experimentamos diferentes funcionalidades, inclusive algumas versões mais avançadas, como uma que permitia à Rachel comentar sobre o estilo da pessoa com quem conversava - desde os óculos até ao penteado ou à camisola. Embora a tecnologia fosse impressionante, percebemos que esse nível de interação podia ser “invasivo” para alguns e decidimos ajustar o tom da Rachel para um perfil mais neutro e confortável.

Estamos a gerir cuidadosamente a velocidade de adoção desta tecnologia para evitar que os utilizadores se sintam “intimidados”. Queremos que cada cliente veja a Rachel como uma aliada, capaz de melhorar a experiência, mas sem exageros.

"A IA não é apenas uma ferramenta, é uma mudança transversal que está a transformar setores inteiros, e o imobiliário não é exceção. No futuro, veremos tarefas rotineiras e processos complexos a serem automatizados"

Está em causa um investimento de que ordem de valores?

Definir um valor exato ou uma avaliação concreta neste momento ainda é muito precoce. Estamos a analisar diversas variáveis que influenciam a dimensão deste investimento, pelo que este processo de avaliação está em curso.

Quantas pessoas/clientes já ajudou a Rachel em Portugal?

Já contamos com mais de 5.000 interações e a aumentar a cada dia que passa.

É possível afirmar que a Rachel é a prova de que a IA veio para ficar também no setor imobiliário, nomeadamente no segmento da mediação imobiliária?

Sem dúvida, a IA é uma tendência global e o próximo passo natural na revolução proptech que temos testemunhado. A Rachel exemplifica perfeitamente como a IA pode transformar o setor imobiliário, especialmente na mediação, ao proporcionar uma solução prática e acessível que veio para ficar. Com ela, conseguimos oferecer um atendimento contínuo e personalizado, libertando os consultores para se focarem em interações de maior valor enquanto mantemos um suporte constante e humanizado para os clientes.

IA na mediação imobiliária
Nova versão da Rachel, que será implementada em breve | Versão atual da Rachel Porta da Frente Christie’s

Será possível antever que haverá uma mediação imobiliária pré-IA e uma mediação imobiliária pós-IA? 

A IA não é apenas uma ferramenta, é uma mudança transversal que está a transformar setores inteiros, e o imobiliário não é exceção. No futuro, veremos tarefas rotineiras e processos complexos a serem automatizados.

Contudo, essa mudança tem de ser bem gerida. A adoção de IA traz um desafio importante: garantir que a tecnologia seja introduzida de forma gradual e intuitiva, para que tanto os clientes quanto os profissionais se sintam confortáveis e confiantes com a nova abordagem. Na Porta da Frente Christie’s, estamos a gerir essa transição de forma estratégica, focando em soluções que acrescentam valor sem “intimidar” os utilizadores com funcionalidades excessivas. A chave é assegurar de forma acessível e adaptada ao nosso contexto que a tecnologia serve sempre o objetivo principal: melhorar a experiência e o serviço do cliente Porta da Frente Christie’s.

"As tendências proptech mostram que a IA está a transformar a experiência do cliente, a otimizar processos e a criar oportunidades de negócio, e Portugal já começa a acompanhar essa evolução"

Que impacto terá a IA no setor imobiliário e, em concreto, no negócio da compra, venda e arrendamento de casas?

Globalmente, as tendências proptech mostram que a IA está a transformar a experiência do cliente, a otimizar processos e a criar oportunidades de negócio, e Portugal já começa a acompanhar essa evolução. Em mercados mais avançados, como os EUA e alguns países da Europa, a IA já facilita processos complexos, desde a análise de dados de mercado em tempo real até à criação de assistentes virtuais que agilizam o atendimento. Estas ferramentas permitem uma personalização sem precedentes na recomendação de imóveis e na qualificação de leads, assegurando que tanto o cliente como o consultor têm uma experiência mais eficiente e orientada por dados.

A título de exemplo e para nomear apenas alguns cenários possíveis: No contexto de compra e venda, a IA vai possibilitar avaliações de mercado mais precisas e instantâneas, além de estimativas de valor baseadas em dados históricos e tendências em tempo real. Para o cliente, isso significa uma tomada de decisão mais informada, com acesso a informações detalhadas e personalizadas. No arrendamento, a IA pode otimizar a triagem de inquilinos e facilitar o processo de gestão de contratos e manutenção, tornando-o mais rápido e seguro.

Na Porta da Frente Christie’s, seguimos de perto estas tendências e de forma estratégica, e iremos seguir o nosso caminho de inovação, trazendo-as para o mercado português de forma adaptada e útil. Ao investir em IA, asseguramos que a experiência do cliente seja não apenas moderna e personalizada, mas também transparente e confiável, acompanhando a evolução proptech global.

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