Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Volta ao mundo: preços das casas sobem em flecha durante a pandemia – compradores estão em pânico

Baixas taxas de juros e as moratórias de créditos são dois fatores que explicam a evolução. Agora, há novos desafios pela frente para estabilizar o mercado.

Louis Reed / Unsplash
Louis Reed / Unsplash
Autor: Redação

O cenário da pandemia da Covid-19 levou o mercado imobiliário global a preparar-se para o pior. O confinamento fechou negócios e muitas empresas não aguentaram e encerraram a atividade, deixando milhões de pessoas no desemprego. Face à redução de rendimentos, também foram várias as famílias a pedir moratórias de créditos à habitação. Os especialistas começaram a pintar um cenário negro, prevendo que o número de casas colocadas no mercado deveria aumentar ora pela impossibilidade de pagar os créditos, ora pela urgência em obter capital. Em resultado, seria de esperar que os preços das casas caíssem a nível global. Mas o que está a acontecer afinal?

Sobre este ponto, Kate Everett-Allen, a chefe de investigação residencial internacional da consultora imobiliária Knight Frank, não tem dúvidas: “Na verdade, nada disso aconteceu”, disse à CNN Business. Contra todas a probabilidades, os preços das casas estão mesmo a aumentar em flecha mesmo nas economias mais afetadas. Os potenciais compradores têm olhado para este cenário com preocupação.

Os dados falam por si. Só nos 37 países desenvolvidos que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os preços reais das casas aumentaram quase 7% no quatro trimestre de 2020 face ao mesmo período de 2019. Este é o crescimento homólogo mais rápido nas últimas duas décadas, aponta o canal de notícias norte-americano. Este cenário deverá manter-se pelo menos durante este ano e o próximo, já que está a ser motivado pelas baixas taxas de juros associadas aos créditos à habitação e pelo investimento imobiliário internacional. Sem esquecer o ritmo de vacinação, que também traz confiança ao mercado imobiliário.

Como é que a pandemia beneficiou o mercado?

Se tinha tudo para correr mal, como é que o mercado imobiliário beneficiou com a crise causada pela pandemia? A mesma publicação aponta alguns fatores que seguraram o mercado: apoios dos Governos de todo o mundo para manutenção dos empregos e das empresas; cortes nas taxas de juros dos créditos; moratórias de créditos à habitação; redução temporária de impostos para comprar casa.

A par destes, estão também as mudanças nas vidas das pessoas, que geraram novas necessidades e, em alguns casos, aumentaram as poupanças. O teletrabalho aumentou a necessidade de espaço e o confinamento mostrou a importância de ter espaços verdes em casa. Tudo isto influenciou a procura de novas casas em todo mundo. A CNN fala mesmo que as famílias mais ricas procuraram casas em zonas suburbanas para suprir estas necessidades. E isso reflete-se nos preços nessas zonas.

Volta ao mundo sobre a subida dos preços das casas

Em Portugal, são os estrangeiros os principais protagonistas. Mesmo sem ter as visitas dos principais investidores neste mercado -  provenientes do Brasil, Reino Unido, França e Bélgica -, os primeiros três meses de 2021 já bateram recordes de vendas, refere Charles Roberts, sócio-gerente da Fine & Country Portugal à CNN. E, por isso, os preços em território nacional saltaram 6% no quarto trimestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Knight Frank.

No Reino Unido, a procura de casas disparou nas cidades a uma hora de distância de Londres e, como consequência, os preços das casas aumentaram em 10% face ao valor do mercado. No país, o preço médio das casas subiu 8,5% em 2020 e esta é a maior taxa de crescimento anual desde 2014, de acordo com o Gabinete de Estatísticas Nacionais. A corrida à compra de habitação nova no Reino Unido tem disparado as vendas para números não vistos nos últimos 20 anos, o que tem levado a que o 'stock' no país descesse 30%, o que segundo Henry Pryor, agente de compra no Reino Unido, está a levar as pessoas a “comprar propriedades em pânico”, disse à CNN.

Também nos Estados Unidos, o número de casas vendidas atingiu o nível mais alto em 2020 desde 2006, de acordo com a Associação Nacional de Corretores de Imóveis. Em resultado, os preços das casas aumentaram 9% em 2020 e continuaram a subir, com o preço mediano de uma casa existente a atingir um máximo histórico de 329.100 dólares em março (cerca de 269.580 euros)

Na Alemanha, as propriedades estão a ser vendidas no prazo de duas semanas após terem sido colocadas no mercado. "É um mercado muito forte e os preços estão a subir cada vez mais", referiu Michael Heming, licenciado mestre da Fine & Country na Alemanha, Áustria e Suíça à mesma publicação.

Na Índia, os preços diminuíram após uma queda de 6,9% do PIB no ano passado, mas mal terminou o primeiro confinamento, as transações aumentaram. Isto porque houve pessoas que procuraram bons negócios durante a pandemia e outras sentiram a necessidade de ter mais espaço. A diminuição das taxas de juro e a redução de impostos sobre transações estimularam a compra, refere ainda a CNN.

Governos sob pressão para estabilizar mercado

Este cenário de aumento de preços generalizado tem colocado muitos Governos sob pressão para estabilizar o mercado, aponta a CNN Business.

Esta é uma realidade na Nova Zelândia, por exemplo, onde os preços medianos das casas subiram 24% ao longo do ano passado. Para controlar a situação, o Governo do país já se pronunciou anunciando uma série de medidas que procuram arrefecer a procura dos investidores e, assim, diminuir os preços.

Também a China viu os preços das casas subiram em média 12% durante a pandemia nas principais cidades como Pequim, Shenzhen, Xangai e Guangzhou.  E o seu Governo também está empenhado em controlar a situação: "Pequim está mais determinada do que nunca a controlar a alavancagem imobiliária", disseram analistas da Societe Generale numa nota de imprensa. Isto inclui restrições de compra e venda, restrições de crédito por exemplo. O objetivo é que haja uma correção, mas modesta.