Eurodeputados descartam regular preços das casas na UE

A UE não tem autoridade para fazê-lo. Objetivo passa agora por mobilizar recursos europeus para habitação acessível.
Habitação acessível na Europa
Irene Tinagli, presidente da delegação da habitação no Parlamento Europeu Getty images

Os eurodeputados da comissão especial sobre a crise da habitação ​​descartaram a possibilidade da União Europeia (UE) regular os preços das casas, já que cada país e cada cidade tem uma realidade diferente. Em alternativa, apontaram para a "mobilização de recursos europeus" para habitação acessível.

Em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira (dia 28 de maio) no Gabinete do Parlamento Europeu em Barcelona (Espanha), ​​a presidente da delegação de habitação no Parlamento Europeu, Irene Tinagli, afirmou que a UE "não pode decidir se uma cidade ou país deve implementar o controlo sobre os preços das casas”, nem especificar quais são as medidas que devem ser aplicadas, porque não tem competências para fazê-lo.

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Esta comissão especial para analisar a crise habitacional reuniu-se em Barcelona e Badalona (Barcelona) com representantes institucionais, sindicatos, associações patronais, organizações sociais e especialistas na área e vai elaborar um relatório tendo por base os dados recolhidos durante as diferentes missões e sessões realizadas.

"O que a Europa pode fazer é, primeiro, ver como podemos mobilizar recursos; esses são projetos que exigem recursos", disse Irene Tinagli, concretizando que se podem impulsionar produtos financeiros, que não sejam necessariamente especulativos, para atrair investidores privados interessados ​​em construir habitação acessível.

E avançou ainda que o Banco Europeu de Investimento (BEI) está "a lançar uma plataforma pan-europeia para atrair investidores privados" de forma a promover projetos de habitação acessível.

Habitação na Europa
Parlamento Europeu Getty images

Políticas de habitação abandonadas nas últimas décadas

Irene Tinagli observou que a questão da habitação é complexa e que as políticas habitacionais "têm sido um tanto negligenciadas nas últimas décadas", sublinhando que esta não é uma responsabilidade de uma única pessoa ou de um único Governo.

"Não é fácil, nem desejável fazer uma lei que regule tudo a partir de Bruxelas", sublinhou a chefe da delegação, defendendo uma melhor cooperação entre Bruxelas e as cidades. E destacou que o Parlamento Europeu está a falar pela primeira vez com autarcas de diferentes cidades sobre os problemas que estão a enfrentar na área de habitação.

Alguns autarcas e associações referiram que a UE tem "regras muito restritivas que impedem a promoção e o apoio a projetos de habitação social”, partilhou a responsável, garantindo que vão discutir como é que se pode intervir nessas regulamentações e ajudar a financiar esses projetos.

Além disso, a eurodeputada descartou avaliar a regulamentação da habitação elaborada pelo Estado espanhol, pela Generalitat (governo catalão) e pela autarquia de Barcelona, ​​pois acredita que "é um pouco cedo para fazer uma análise econométrica do impacto". Também lembrou que esta missão não é um tribunal, sendo o seu objetivo recolher dados e diferentes perspetivas.

Preço das casas na Europa
Bruxelas, Bélgica Getty images

Encontrar respostas para o problema do acesso à habitação

Também explicou que ainda não chegaram a uma conclusão sobre o impacto do turismo no acesso à habitação. Mas observou que certas formas de turismo estão a criar problemas, embora acredite que não possam ser "resolvidos com uma regra única vinda de Bruxelas".

Na mesma linha, Irene Tinagli também não abordou a questão de os fundos financeiros que investem em habitação, já que este assunto será debatido numa audiência no Parlamento Europeu. “Cada grupo pode ter ideias diferentes", observou.

Por fim, a responsável enfatizou que ficou positivamente surpresa com a atenção que esta questão está a receber em Espanha e afirmou que "um enorme esforço está a ser feito a todos os níveis" para encontrar soluções para o problema do acesso à habitação.

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