Futuro da habitação? Viver nas periferias e em casas mais pequenas

É boa altura para os jovens comprarem casa, tendo em conta, por exemplo, os benefícios fiscais existentes, avisam especialistas.
Casas nas periferias de Lisboa
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Não há uma receita milagrosa para dar resposta à crise na habitação que se faz sentir em Portugal, tal como têm vindo a referir vários players do setor imobiliário e da construção. Há, sim, um conjunto de medidas a aplicar, sendo a descida do IVA na construção – está na mira do Governo – um dos caminhos apontados para aumentar a oferta de casas no mercado. Oferta essa que passa, nomeadamente para a chamada classe média portuguesa, pelas periferias das cidades (Lisboa e Porto) e pela construção de casas mais pequenas. Estes fatores, entre outros, ajudarão a contribuir para uma diminuição dos preços. 

“É um pouco uma utopia dizer que as casas estão caras e que vamos construir casas com dois quartos, um escritório e uma sala para os miúdos [brincarem]. Para a classe média, média/alta portuguesa temos tendencialmente de encolher as casas, desenhá-las cada vez melhor para que, sendo mais pequenas, a vivência seja saudável dentro de casa”, referiu Duarte Soares Franco, membro da administração da promotora imobiliária Habitat Invest, durante um encontro realizado recentemente na sede da Quintela e Penalva, em Lisboa, e que contou com a presença do idealista/news. 

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"Para a classe média, média/alta portuguesa temos tendencialmente de encolher as casas, desenhá-las cada vez melhor para que, sendo mais pequenas, a vivência seja saudável dentro de casa"
Duarte Soares Franco, membro da administração da Habitat Invest

“O objetivo é que a pessoa possa comprar uma casa pelo valor pelo qual pode pagar e na qual depois consiga viver com alguma qualidade. Esta é a nossa principal preocupação [nos projetos da Habitat Invest]. Um T2 de 120 metros quadrados (m2), por mais boa-vontade e esforço que queiramos ter, dificilmente conseguimos vender por menos de 400.000 euros”, acrescentou. De uma coisa Duarte Soares Franco disse não ter dúvidas: “A tendência é as casas serem cada vez mais pequenas”. 

Durante a sua intervenção, o responsável mencionou alguns dos projetos da Habitat Invest localizados nas periferias de Lisboa como exemplos de casas que estão a ser compradas por portugueses. “O que pretendemos, por exemplo em Loures (Aurya) e Almada (Almar – South Living), é ter preços competitivos para os portugueses poderem comprar. Temos um projeto em Algés, o UpperCase, que vamos começar a construir em breve e que está 90% vendido, muito a pessoas da classe média/alta portuguesa. A principal razão é o preço ser competitivo, porque estamos a falar de apartamentos de tipologias com áreas muito compactas e pequenas”, salientou.  

Viver na periferia de Lisboa
Freepik

“Começam a aparecer projetos muito interessantes nas periferias”

Uma ideia, de resto, também deixada por Jorge Costa, COO da Quintela e Penalva, que considerou que começam cada vez mais “a aparecer casas com preços mais baixos nas periferias das cidades”, o que é positivo. “Vai havendo mais oferta em zonas que não eram interessantes sobre o ponto de vista económico. Começam a aparecer projetos muito interessantes nas periferias. Já não nos importamos em estar um pouco mais longe do trabalho, por exemplo”, sustentou. 

"Começam a aparecer projetos muito interessantes nas periferias. (...) O negócio está a direcionar-se no segmento médio, médio/baixo e inevitavelmente para as periferias, e nós temos de ajustar-nos ao que é a realidade do mercado”
Jorge Costa, COO da Quintela e Penalva

Em entrevista ao idealista/news, à margem do evento, Jorge Costa foi ainda mais longe no seu raciocínio sobre este tema, sublinhando que “é uma tendência natural” haver cada vez mais promotoras imobiliárias a investir nas periferias das grandes cidades e, ao mesmo tempo, mais interesse por estas zonas: “O negócio está a direcionar-se no segmento médio, médio/baixo e inevitavelmente para as periferias, e nós temos de ajustar-nos ao que é a realidade do mercado”. 

E será que os preços das casas vão continuar a aumentar ou a tendência será estagnarem? “Há certas localizações onde vão começar a subir por ainda não estarem desenvolvidas”, respondeu, considerando que esta é uma boa altura para os jovens comprarem casa, nomeadamente tendo em conta os benefícios fiscais existentes: isenção do Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e do Imposto de Selo (IS) e a garantia pública no crédito habitação.

Habitação em Portugal
Jorge Costa, COO da Quintela e Penalva, Duarte Soares Franco, administrador da Habitat Invest, Raquel Roque, advogada e sócia do escritório de advogados CRS, e Cláudio Santos, CCO do Doutor Finanças Quintela e Penalva

Medidas do Governo aceleram procura de casa

A propósito destes apoios concedidos pelo Governo para a compra da primeira habitação, Duarte Soares Franco revelou que se sentiu a partir de agosto, nos empreendimentos da Habitat Invest, “uma procura brutal” por parte de jovens, eventualmente para conseguir beneficiar das medidas.

“Acredito que há muitas pessoas que não estariam à procura de uma casa para comprar, mas que com esta medida [isenção do IMT e do IS] passaram a estar”, acrescentou Raquel Roque, advogada e sócia do escritório de advogados CRS. 

Quando questionado sobre este tema, Jorge Costa respondeu, durante o encontro, de forma clara: “Acho que agora as pessoas querem e vão poder comprar casa. E isso vai mexer com o mercado”. Estes apoios para a compra de casa são, para já, “uma oportunidade”, rematou, ao idealista/news.

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