Seguro contra sismos apenas cobre 19% das habitações em Portugal

Estimativas da APS indicam que só 19% das casas têm seguro com cobertura sísmica, um nível de proteção considerado “reduzido” para o risco do país.
Casas em Portugal
Unsplash

Portugal continua pouco protegido perante o risco sísmico. A maioria das habitações não tem seguro que cubra danos provocados por terramotos, apesar de o país estar numa zona de elevada perigosidade. Após o sismo na Venezuela, a questão volta ao centro do debate, com associações do setor a alertarem para a vulnerabilidade das famílias portuguesas em caso de um evento de grande magnitude.

Segundo a Sábado, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) estima que apenas 19% das habitações disponham de seguro com cobertura de risco sísmico, um nível considerado “reduzido”. Pior: o número praticamente não mudou em 2025, com uma variação “residual” face a anos anteriores. Na prática, isto significa que a esmagadora maioria dos proprietários ficaria sem indemnização se um grande sismo atingisse o país, dependendo de apoios públicos que, numa situação de catástrofe, seriam direcionados em primeiro lugar para operações de socorro e salvamento, e dificilmente cobririam a reposição de tantas casas danificadas.

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Perante este cenário, a APS defende que é urgente “reforçar a literacia” à volta do risco sísmico, sensibilizando cidadãos e empresas para a necessidade de proteção e para as diferenças entre seguros. A associação propõe ainda soluções que facilitem o acesso à cobertura de sismos e a criação de “mecanismos estruturados de partilha de risco”, incluindo um fundo nacional para riscos catastróficos, integrado no Programa Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), lançado em 2026 para preparar o país para impactos climáticos e outros perigos naturais. A Deco Proteste concorda com esta linha de prevenção e exige “maior transparência” das seguradoras, bem como uma reflexão sobre respostas estruturais inspiradas em modelos de outros países.

Neste sentido, a mesma fonte recorda que o risco é particularmente elevado de Lisboa para sul, devido à presença de falhas ativas e à recorrência de abalos significativos – entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026, a terra tremeu três vezes nestas regiões, com magnitudes até 5,3. Tanto a APS como a Deco insistem que não se trata de uma hipótese remota, mas de “um verdadeiro risco, de ocorrência certa em momento incerto”, e recomendam que os consumidores verifiquem se a cobertura de sismos está incluída no seguro da casa, comparem propostas entre seguradoras e tenham especial atenção a limites de indemnização, exclusões e franquias. 

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