“O conceito de luxo mudou: hoje é ter privacidade sem isolamento”

Ricardo Costa, CEO e Partner da LUXIMOS Christie’s International Real Estate, diz que “Portugal deixou de ser apenas uma descoberta”.
Mediação imobiliária de luxo
Ricardo Costa, CEO e Partner da LUXIMOS Christie’s International Real Estate | Branded residences na Herdade dos Salgados Créditos: LUXIMOS Christie’s International Real Estate

O mercado residencial português de luxo mantém-se atrativo para os investidores imobiliários, que continuam a olhar para Portugal como um destino credível para investir e seguro e discreto para viver, sendo a qualidade de vida um fator essencial a ter em conta. Ricardo Costa, CEO e Partner da LUXIMOS Christie’s International Real Estate, considera que “o conceito de luxo mudou substancialmente” no pós-pandemia, com os compradores a quererem que as casas melhorem efetivamente a forma de viver. “Luxo é ter privacidade sem isolamento”, diz ao idealista/news. 

Sem rodeios, Ricardo Costa salienta que o segmento residencial de luxo nacional é hoje muito mais maduro do que era há 12 anos – a LUXIMOS Christie's International Real Estate opera em Portugal desde 2013 no Grande Porto, Norte de Portugal (incluindo a região do Douro e Minho) e Algarve (com forte presença em locais como Vilamoura e Lagos) –, sendo Portugal procurado “pela qualidade do produto, segurança, clima, gastronomia, estilo de vida e capacidade de oferecer experiências muito diferentes num território relativamente pequeno”. O país “deixou de ser apenas uma descoberta”, sustenta, sublinhando que é hoje um destino residencial internacional consolidado. “O desafio é preservar aquilo que o tornou atrativo”, desabafa. 

Publicidade

Segundo o gestor, os compradores de imóveis residenciais, nomeadamente do segmento premium, estão mais informados e exigentes. Analisam, por exemplo, “a localização, a qualidade da construção, os custos futuros, a eficiência energética, os serviços associados e a capacidade de o imóvel conservar valor”. Ricardo Costa partilha da visão de que Portugal continua a ser um destino seguro para investir, mas alerta para a importância de “evitar triunfalismos”. “A estabilidade fiscal e regulatória, a rapidez dos licenciamentos e a capacidade de construir serão determinantes para preservar a confiança dos investidores”, avisa. 

Compra e venda de casas de luxo
Equipa da LUXIMOS, da Kronos Homes e da Harvey Halles no evento em Toronto (Canadá) Créditos: LUXIMOS Christie’s International Real Estate

O segmento residencial de luxo português esteve recentemente em destaque no Canadá, num evento promovido pela LUXIMOS Christie’s International Real Estate em parceria com a Harvey Kalles Real Estate, uma das empresas imobiliárias de referência da cidade de Toronto. Que balanço é possível fazer?

O balanço é claramente positivo. Mais que apresentar imóveis, fomos a Toronto apresentar Portugal como uma opção residencial e patrimonial de longo prazo. A parceria com a Harvey Kalles Real Estate permitiu-nos contactar diretamente com investidores, empresários, famílias e pessoas que estão a preparar uma mudança para a Europa ou a pensar onde querem viver uma nova etapa das suas vidas.

As perguntas já não se limitam ao clima ou ao preço das casas. Incidem sobre fiscalidade, residência, custos de manutenção, rentabilidade, saúde e escolas. Quando as questões chegam a este nível, percebemos que já não estamos perante mera curiosidade.

O principal resultado foi a criação de relações que terão continuidade. Numa decisão internacional desta dimensão, a confiança constrói-se antes da transação.

Os investidores canadianos estão atentos ao mercado residencial de luxo português? Houve negócios celebrados durante o evento ou manifestações de interesse?

Sim, o evento gerou manifestações de interesse concretas, sobretudo relacionadas com o Algarve. Temos já visitas a Portugal agendadas para agosto e setembro, na sequência dos contactos estabelecidos em Toronto. São potenciais compradores interessados em conhecer pessoalmente as propriedades, os resorts e as localizações que lhes apresentámos.

"Temos já visitas a Portugal agendadas para agosto e setembro, na sequência dos contactos estabelecidos em Toronto. São potenciais compradores interessados em conhecer pessoalmente as propriedades, os resorts e as localizações que lhes apresentámos"

Não é habitual concluir uma aquisição durante um evento desta natureza. São decisões patrimoniais relevantes, tomadas a milhares de quilómetros de distância, que exigem análise e uma visita ao país.

O interesse incidiu especialmente sobre propriedades próximas do mar e do golfe, com serviços de gestão associados. Vale do Lobo mantém um forte reconhecimento internacional, tal como os empreendimentos da Herdade dos Salgados ou o Springs, em Vilamoura. Temos agora de acompanhar estes contactos e transformar o interesse em decisões concretas.

O evento pretende aproximar clientes, investidores e parceiros canadianos do mercado imobiliário premium português, com especial destaque para o Porto, Norte e Algarve. Que feedback trouxe a LUXIMOS Christie’s International Real Estate do Canadá?

O feedback confirmou que o Algarve já tem um reconhecimento internacional muito forte. É associado ao clima, às praias, ao golfe, à segurança e a resorts com serviços de elevada qualidade. Para muitos canadianos, é uma opção para passar parte do inverno, viver a reforma ou estabelecer uma segunda residência na Europa.

O Porto e o Norte despertaram uma curiosidade diferente. São vistos como destinos autênticos, com cultura, gastronomia, proximidade ao Douro e valores ainda competitivos quando comparados com Toronto e outras grandes cidades internacionais. 

Vale Pisão, por exemplo, na Área Metropolitana do Porto, destaca-se neste contexto. O resort acaba de lançar uma nova fase residencial, depois de vários anos sem construção nova. É uma oportunidade rara numa zona onde praticamente não existia produto novo disponível. O projeto atrai tanto famílias jovens, que procuram espaço e liberdade para os filhos, como reformados estrangeiros apaixonados pelo golfe, que querem tranquilidade sem ficarem isolados da cidade.

Empreendimentos imobiliários de luxo
Empreendimento Vale Pisão, no Grande Porto Créditos: LUXIMOS Christie’s International Real Estate

Fazendo um balanço da operação a nível nacional, como está a ser o ano de 2026 para a LUXIMOS Christie’s International Real Estate? Estão a fazer mais negócios do que em 2025? E o que esperar do segundo semestre?

No primeiro semestre de 2026 voltámos a crescer e foi melhor que o período homólogo de 2025. Estamos a realizar mais negócios, com uma procura consistente tanto de clientes portugueses como internacionais.

O comprador atual está mais informado e exigente. Analisa a localização, a qualidade da construção, os custos futuros, a eficiência energética, os serviços associados e a capacidade de o imóvel conservar valor.

O Algarve mantém uma forte componente internacional enquanto no Porto e no Norte existe um equilíbrio maior entre compradores portugueses e estrangeiros.

Para o segundo semestre, estamos otimistas, apesar da instabilidade internacional, dos custos de construção e das condições de financiamento recomendarem prudência, a oferta verdadeiramente diferenciada continua a ser limitada e Portugal mantém fundamentos sólidos. Não antecipamos um mercado de euforia, mas acreditamos num crescimento sustentado e seletivo.

Quem são os principais clientes da LUXIMOS Christie’s International Real Estate? Qual é o perfil?

Não existe um único perfil. Trabalhamos com empresários, gestores, profissionais liberais, investidores, reformados com elevado poder de compra e famílias com património consolidado. Temos também clientes ligados às áreas tecnológica, financeira, criativa e desportiva. Muitos têm grande mobilidade internacional e procuram em Portugal um maior equilíbrio entre atividade profissional, família, segurança e qualidade de vida.

"O comprador de luxo atual procura privacidade, conforto, espaço exterior, boas vistas, segurança e uma localização que facilite o quotidiano. Mesmo quando compra para viver, pensa no longo prazo"

O comprador de luxo atual procura privacidade, conforto, espaço exterior, boas vistas, segurança e uma localização que facilite o quotidiano. Mesmo quando compra para viver, pensa no longo prazo. Quer saber se o imóvel conservará valor, se será fácil de manter e se continuará a ter procura no futuro.

São sobretudo de que nacionalidades? Há também muitos portugueses a investir no segmento de luxo? 

A composição varia muito entre regiões. No Algarve, cerca de 90% dos nossos compradores são estrangeiros. Destacam-se britânicos, franceses, alemães, neerlandeses e belgas, aos quais se juntaram, com maior expressão nos últimos anos, norte-americanos e canadianos. No Porto e no Norte, a distribuição é mais equilibrada: aproximadamente 60% dos compradores são portugueses e 40% estrangeiros.

Os clientes portugueses continuam, por isso, a ter um peso muito relevante, sobretudo no Norte. São empresários, investidores, famílias que procuram melhorar a sua residência principal e portugueses emigrados que desejam regressar ou manter uma ligação patrimonial ao país.

O que mais mudou foi a diversidade internacional. Há 12 anos, a procura estrangeira estava concentrada em algumas nacionalidades europeias. Hoje, o mercado é verdadeiramente global.

Casas de luxo em Portugal
Herdade dos Salgados Créditos: LUXIMOS Christie’s International Real Estate

Os clientes compram numa ótica de investimento ou sobretudo para usufruto próprio? 

Encontramos as duas motivações e, muitas vezes, elas coexistem na mesma aquisição. No segmento de luxo, é frequente o comprador procurar uma casa para usufruto próprio e familiar, mas querer também garantir que está a adquirir um ativo de qualidade, capaz de preservar valor e eventualmente gerar rendimento. Não dispomos de uma proporção consolidada que permita quantificar com rigor essa divisão, porque varia muito entre regiões, tipos de imóvel e perfis de comprador.

No Algarve, o modelo híbrido é muito comum. O proprietário utiliza a casa durante parte do ano e recorre a um serviço de gestão profissional para a colocar no mercado de arrendamento turístico nos restantes períodos.

Esta solução despertou muito interesse entre os canadianos, porque permite conciliar usufruto, manutenção da propriedade e potencial rendimento, mesmo vivendo a uma grande distância.

São já mais de 12 anos a operar no segmento de luxo português. Como avalia este mercado e a sua evolução?

O segmento residencial de luxo português é hoje muito mais maduro do que era há 12 anos. Portugal era frequentemente apresentado ao comprador internacional como uma alternativa mais económica a outros destinos europeus. Hoje, essa narrativa é insuficiente e, em certa medida, até desvaloriza o país.

Portugal é procurado pela qualidade do produto, pela segurança, pelo clima, pela gastronomia, pelo estilo de vida e pela capacidade de oferecer experiências muito diferentes num território relativamente pequeno.

"Portugal deixou de ser apenas uma descoberta. É hoje um destino residencial internacional consolidado. O desafio é preservar aquilo que o tornou atrativo"

O mercado também se tornou mais profissional. Os compradores estão mais informados, os promotores desenvolveram projetos de maior qualidade e as marcas internacionais passaram a olhar para Portugal como um mercado estratégico.

Portugal deixou de ser apenas uma descoberta. É hoje um destino residencial internacional consolidado. O desafio é preservar aquilo que o tornou atrativo.

O significado de luxo é hoje diferente do que era antes da pandemia? O que procuram atualmente os compradores?

O conceito de luxo mudou substancialmente. Antes da pandemia, era muitas vezes medido pela dimensão da casa, pela localização e pela exuberância dos acabamentos. A excelência arquitetónica continua a ser essencial, mas já não chega. O comprador quer que a casa melhore efetivamente a sua forma de viver.

Luxo é ter privacidade sem isolamento. É ter espaço exterior, luz natural, silêncio, segurança e contacto com a natureza, mantendo bons acessos à cidade, ao aeroporto, à saúde e às escolas.

"Luxo é ter privacidade sem isolamento. É ter espaço exterior, luz natural, silêncio, segurança e contacto com a natureza, mantendo bons acessos à cidade, ao aeroporto, à saúde e às escolas"

A pandemia reforçou a procura por jardins, piscinas, escritórios e espaços adaptáveis. Aumentou também a atenção à sustentabilidade, à saúde e à qualidade do tempo.

Os resorts e condomínios que juntam segurança, manutenção, gestão, lazer e bem-estar têm hoje uma vantagem clara. Não vendem apenas metros quadrados. Oferecem um modo de viver.

Mediação imobiliária de luxo em Portugal
Empreendimento Vale Pisão Créditos: LUXIMOS Christie’s International Real Estate

Apesar da instabilidade política e económica internacional, Portugal continua a ser considerado um destino seguro para investir. Partilha desta visão?

Partilho, desde que não se confunda segurança com ausência de risco. Nenhum investimento é imune à economia internacional, à inflação, às taxas de juro ou às alterações regulatórias.

Portugal possui, contudo, fundamentos sólidos. É um país politicamente estável, integrado na União Europeia e na zona euro, com boas infraestruturas, ligações aéreas internacionais, clima favorável e uma sociedade aberta. Tem ainda um ativo difícil de reproduzir: qualidade de vida. O comprador não adquire apenas um imóvel. Adquire a possibilidade de viver num país seguro, próximo do mar e da natureza, com boa gastronomia e acesso rápido às principais capitais europeias.

Devemos, porém, evitar triunfalismos. A estabilidade fiscal e regulatória, a rapidez dos licenciamentos e a capacidade de construir serão determinantes para preservar a confiança dos investidores.

O que mais o preocupa e o que mais o deixa otimista?

O que mais me preocupa é a imprevisibilidade. O investimento imobiliário exige tempo, estabilidade e confiança. Alterações sucessivas das regras fiscais, urbanísticas ou de licenciamento dificultam o planeamento e podem afastar investimento de longo prazo.

O que mais me preocupa é a imprevisibilidade. O investimento imobiliário exige tempo, estabilidade e confiança. (...) O que me deixa otimista é a procura estrutural por Portugal. O interesse pelo país não depende de uma única medida fiscal ou de uma nacionalidade específica"

Preocupa-me também a insuficiência da oferta, não apenas no luxo, mas em todo o mercado habitacional. Portugal precisa de construir mais, licenciar mais depressa e reabilitar melhor. A falta de mão de obra e o aumento dos custos tornam esse desafio ainda mais complexo.

O que me deixa otimista é a procura estrutural por Portugal. O interesse pelo país não depende de uma única medida fiscal ou de uma nacionalidade específica. Temos segurança, clima, território, cultura, talento e capacidade de acolhimento. Quando fazemos bem, Portugal consegue competir com qualquer destino residencial do mundo.

Portugal tem atraído várias figuras públicas e celebridades internacionais. Acredita que esta tendência veio para ficar? Pode revelar algum nome?

Não creio que se trate apenas de uma moda. As figuras públicas procuram, em grande medida, o mesmo que os restantes compradores internacionais: segurança, privacidade, qualidade de vida e a possibilidade de viver com alguma normalidade.

Portugal oferece uma discrição que se tornou rara noutros destinos. Uma personalidade conhecida pode frequentar um restaurante, caminhar pela cidade ou passar tempo com a família sem estar permanentemente exposta.

Quanto a nomes concretos, mantemos uma política absoluta de confidencialidade. Não comentamos a identidade dos nossos clientes, mesmo quando essa informação é do conhecimento público, salvo se existir autorização expressa.

A discrição não é apenas uma cláusula contratual. É uma parte essencial do serviço no imobiliário de luxo e uma das razões pelas quais os clientes confiam em nós. 

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.