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Abril, um mês dinâmico de escritórios em Lisboa: ocupados quase 30.000 m2... em plena pandemia

Nos primeiros quatro meses do ano, foram ocupados 74.427 m2 de escritórios na capital, mais 40% que no período homólogo.

Autor: Redação

Boas notícias para o segmento de escritórios em Lisboa. Em abril, em plena pandemia de novo coronavírus e numa altura em que muitos portugueses estão em teletrabalho, foram ocupados 29.756 metros quadrados (m2) de escritórios na capital. Trata-se da maior absorção mensal do ano, sendo cerca de 200% superior à verificada em março e 160% face ao mesmo mês do ano passado. 

“O segundo trimestre de 2020, o primeiro que se inicia em tempos pós-Covid-19, arrancou com uma elevada dinâmica no mercado de escritórios de Lisboa”, revela a JLL em comunicado, apoiando-se no seu Office Flashpoint relati ao mês de abril.

Segundo a consultora, realizaram-se quatro operações em abril, incluindo duas com mais de 10.000 m2: uma com 16.441 m2 na zona 1, em pleno Prime CBD, e outra com 10.406 m2 na zona 7 (outras zonas de escritórios), por duas empresas que pertencem ao setor financeiro. “Destaca-se ainda o arrendamento da totalidade do edifício República 87, na zona 2, CBD, pela Axians, no total de 2.695 m2”, adianta a cosultora, acrescentando que intermediou essa operação.

Em termos acumulados, ou seja, nos primeiros quatro meses do ano, foram ocupados 74.427 m2 de escritórios na capital, mais 40% que no período homólogo. Foram ainda concluídas 38 operações, com uma área média de 1.959 m2, um valor “influenciado em alta pelas duas operações concretizadas em abril”, explica a JLL. 

Para Mariana Rosa, Head of Office & Logistics Agency & Transaction Manager da JLL, é preciso olhar, no entanto, “com alguma cautela para o comportamento do mercado de Lisboa durante o mês de abril, o primeiro que esteve na sua totalidade sob influência da pandemia”. Isto porque é influenciado pelas duas operações de grande dimensão já referidas, que estavam a ser “negociadas há vários meses”. 

“O desempenho do mês reflete mais o culminar de um processo do que propriamente uma dinâmica real das empresas na tomada de espaço. De qualquer forma, se isolarmos este efeito, vemos que o mês exibiu uma operação de tomada de um edifício inteiro, o que sinaliza que o mercado não parou por completo. Diria até que este período pode trazer boas oportunidades para empresas com capacidade de reação mesmo no contexto de pandemia, ao criar um banco de oferta por inatividade da procura”, diz a responsável.

Pouca dinâmica no Porto

No que diz respeito ao mercado de escritórios do Porto, “ao contrário do que aconteceu em Lisboa, o mês de abril contribuiu de forma pouco expressiva para o acumulado anual, verificando-se uma baixa atividade e a concretização de apenas uma operação, nomeadamente a tomada de 1.564 m2 pela Synopsys na Tecmaia, na zona 7 (Maia)”, conclui a JLL.

A consultora lembra, ainda assim, que a atividade acumulada de janeiro a abril está 41% acima da verificada no mesmo período do ano passado: “A ocupação, num total de 17 operações, atingiu os 20.713 m2. O CBD Boavista é o destino mais procurado, com 35% do take up anual, sendo as empresas de Outros Serviços, Serviços de Empresas e TMT & Utilitie’s as mais dinâmicas, com quotas semelhantes em torno dos 30%”.