Portugal encerrou 2025 com um stock de crédito em incumprimento/malparado (NPL – Non-Performing Loans) de 4.100 milhões de euros, um valor cerca de dez vezes inferior aos 42.100 milhões de euros registados dez anos antes, no final de 2015. Os dados, divulgados em comunicado esta quarta-feira (1 de abril de 2026) pela Prime Yield, que os analisou com base na informação da European Banking Authority (EBA), confirmam uma década consecutiva de desalavancagem do sistema financeiro nacional.
“Ao longo destes dez anos, Portugal destacou-se como um dos mercados europeus mais eficazes na redução de crédito malparado. Esta evolução é igualmente visível no rácio de NPL, que mede o peso do incumprimento no total do crédito concedido: de 19,6% em 2015, caiu para apenas 2,0% em 2025. No mesmo período, o volume total de crédito no sistema financeiro manteve-se relativamente estável, situando-se nos 208.700 milhões de euros em 2025 (versus 215.200 milhões de euros em 2015)”, lê-se na nota.
De acordo com a consultora, 2025 comprova a trajetória de sucesso na desalavancagem do sistema financeiro nacional, tendo o crédito malparado diminuído 500 milhões de euros: de 4,600 milhões de euros no final de 2024 para 4.100 milhões de euros no final de 2025, o que representa uma descida anual de 11%. O rácio de NPL acompanhou a tendência, comprimindo de 2,3% para os atuais 2,0%, aproximando-se da média europeia (1,8%), acrescenta a empresa.
Um desempenho, destaca, totalmente distinto do verificado há uma década, quando Portugal apresentava um dos níveis mais elevados de incumprimento da Europa: em 2015, concentrava cerca de 4% do total de NPL europeu, apesar de representar apenas 1% do crédito ativo. Em 2025, mantém essa quota no crédito, mas reduziu o seu peso no malparado europeu para apenas 1%.
A Prime Yield explica, ainda, que o “dinamismo do mercado imobiliário – com as vendas residenciais a crescer 8,6%, os preços 17,6% e o crédito habitação 34% - contribuiu para reforçar a qualidade dos colaterais e sustentar a redução do incumprimento”.
Um dos mercados "mais eficientes" da Europa
Citado no documento, Francisco Virgolino, Managing Director da Prime Yield, diz que Portugal foi protagonista, ao longo da última década, de “uma transformação estrutural no tratamento do crédito malparado, passando de um dos mercados mais pressionados da Europa para um dos mais eficientes”.
Um percurso, salienta, que “reflete não só a ação dos bancos, mas também a maturidade crescente do ecossistema de investidores e servicers, bem como um enquadramento regulatório mais robusto”. “Hoje, entramos numa nova fase, marcada por maior seletividade, operações de menor dimensão e um papel crescente do mercado secundário”, conclui.
"Portugal foi protagonista, ao longo da última década, de uma transformação estrutural no tratamento do crédito malparado, passando de um dos mercados mais pressionados da Europa para um dos mais eficientes"
Francisco Virgolino, Managing Director da Prime Yield
De acordo com a consultora, o mercado de transação de carteiras de crédito malparado em Portugal está a atravessar um processo de reposicionamento, tendo o volume de vendas rondado os 2.000 milhões de euros no ano passado, refletindo uma recuperação face a 2023 e uma normalização após um 2024 atípico, marcado por uma operação de grande escala: superior a 4.000 milhões de euros, envolvendo a venda de projeto Cascais.
Em 2025, a maioria das carteiras diretamente colocadas no mercado português para venda não ultrapassou 200 milhões de euros, e entre as principais transações estão a venda dos projetos Solaris e Pegasus.
Para 2026, a Prime Yield antecipa que as tendências verificadas nos últimos 12 meses se mantenham, prevendo-se um mercado mais seletivo, maior relevância do segmento secundário e adaptação progressiva ao novo enquadramento legal para a cessão e gestão de créditos. “A evolução verificada em 2025 comprova que Portugal se tornou um mercado muito eficiente na redução de NPL, enquanto mantém níveis de crescimento acima da média europeia. Esta dualidade torna o país particularmente atrativo para operações complexas e especializadas, num momento em que o setor enfrenta consolidação e transformação regulatória”, remata Francisco Virgolino.
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