A incerteza gerada pelo conflito no Médio Oriente tem vindo a influenciar a subida da Euribor nos últimos meses. Mas os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que a taxa de juro nos créditos habitação existentes em Portugal voltou a descer em maio para 3,065%, o nível mais baixo em três anos. Esta diminuição dos juros pode refletir a alta contratação de taxas mistas mais acessíveis e o facto da maioria dos empréstimos habitação a taxa variável não terem sido ainda revistos por estarem indexados à Euribor a 6 e 12 meses.
“A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação baixou para 3,065% em maio, traduzindo uma diminuição de 1,2 pontos base (p.b.) face a abril (3,077%)”, revela o INE no boletim divulgado esta segunda-feira, dia 22 de junho. Trata-se da taxa mais baixa desde abril de 2023.
Também para o destino de financiamento aquisição de habitação, “o mais relevante no conjunto do crédito à habitação”, a taxa de juro implícita para o total dos contratos desceu para 3,061% (-1,3 p.b. face a abril).
Mas por que motivo estão a descer os juros nos créditos habitação existentes em Portugal numa altura em que a Euribor já sobe há três meses por efeito no conflito no Médio Oriente, tendo antecipado o agravamento dos juros do Banco Central Europeu em junho? Desde logo, os dados do Banco de Portugal (BdP) indicam que os contratos a taxa mista (45%) ganharam terreno no stock total de créditos habitação, tendo um peso muito similar à taxa variável (49%). Os contratos a taxa mista não sofrem com as oscilações da Euribor, pelo menos, num período inicial por terem juros fixos a 2,3 ou 5 anos, por exemplo.
Além disso, a maior parte dos empréstimos habitação a taxa variável estão indexados à Euribor a 6 e 12 meses, pelo que os juros podem estar ainda a sentir os efeitos do alívio das taxas Euribor nos meses anteriores não tendo ainda sido revistos em alta.
No que diz respeito à prestação da casa para a totalidade dos contratos, o INE revela que o valor médio mensal fixou-se em 405 euros, valor superior em um euro face ao mês anterior e 10 euros acima do verificado em maio de 2025. “Do valor da prestação, 198 euros (48,9%) correspondem a pagamento de juros e 207 euros (51,1%) a capital amortizado”, indica.
Este aumento do valor da prestação – que contrasta com a queda dos juros – pode estar relacionado com a evolução do capital médio em dívida para a totalidade dos créditos à habitação, que aumentou 643 euros no último mês, atingindo 78.257 euros em maio.
Novos créditos habitação também sentem juros a descer…
Nos créditos habitação celebrados entre março e maio, a taxa de juro também desceu de 2,833% em abril para 2,820% em maio (menos 1,3 p.b.). E para o destino de financiamento aquisição de habitação, a taxa de juro desceu 1,5 p.b. comparativamente com o mês anterior, para 2,814%.
A descida dos juros nos novos crédito habitação pode ser explicada pela forte adesão às taxas mistas (mais acessíveis) e à grande concorrência entre bancos que se traduz em spreads mais baixos e campanhas promocionais vantajosas.
Desta vez, a redução dos juros fez-se sentir nas prestações da casa. “Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, o valor médio da prestação diminuiu 10 euros, para 692 euros, verificando-se uma subida de 8,0% em termos homólogos”, detalha o INE. Para a diminuição da prestação também terá contribuído a redução mensal de 1.252 euros do montante médio em dívida para 175.805 euros em maio.
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