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Parque das Nações: Moxy Hotel abre em maio e edifício de escritórios K-Tower já saiu do papel

São dois projetos que a promotora belga Krest Real Estate Investments está a desenvolver em Portugal. Há muitos interessados na torre de escritórios.

Krest Real Estate Investments
Krest Real Estate Investments

A construção da K-Tower, uma torre de escritórios em Lisboa, no Parque das Nações, com 13 pisos e mais de 15.000 metros quadrados (m2), e do Moxy Hotel foi conhecida no final de 2018. Em causa estão dois terrenos que foram comprados pela Krest Real Estate Investments e que representam um investimento de cerca de 60 milhões de euros, diz ao idealista/news Claude Kandiyoti, CEO da promotora imobiliária belga. O hotel abre portas em maio e o edifício de escritórios só agora saiu do papel, com a construção do primeiro pilar.

Claude Kandiyoti, CEO da promotora imobiliária belga / Krest Real Estate Investments
Claude Kandiyoti, CEO da promotora imobiliária belga / Krest Real Estate Investments

“Em 2015, comecei a procurar terrenos para construir escritórios, e ninguém na altura percebeu esta ideia e queria fazê-lo, porque estávamos no pós-Troika e todos os investidores estavam interessados em reabilitar casas, à exceção de algumas promotoras. Começámos a procurar terrenos e como tínhamos uma boa relação com o Estado e com a Câmara Municipal de Lisboa (CML) comprámos dois terrenos no Parque das Nações. É aí que estão a nascer a K-Tower e o Moxy hotel. São dois terrenos um ao lado do outro”, começa por explicar. 

A ideia de construir uma unidade hoteleira num desses terrenos surgiu “no dia a seguir” à Krest comprá-los. “O grupo Marriott [Internacional] ligou-nos a perguntar se queríamos fazer um hotel, disse que sim, se encontrássem um operador, e chegámos a acordo com o Grupo Hoti Hotéis, sendo que somos parceiros nessa operação com o Moxy Hotel. Vai abrir a 18 de maio”, adianta Claude Kandiyoti.

Atrasos nos licenciamentos afastam Krest de Lisboa

Mais complexo está a ser o processo relacionado com a construção da K-Tower. As escavações arrancaram e já começou a ser construído o primeiro pilar, mas Claude Kandiyoti diz estar “muito irritado” com os atrasos verificados com os licenciamentos. “Também por isso comecámos a olhar para outras zonas que não Lisboa”, desabada. 

“Este é o maior problema que existe em Lisboa e faz com que haja dúvidas no mercado, é preciso ter cuidado com esta situação. A licença para o Moxi Hotel demorou nove meses e no caso da K-tower foram 18 meses. É um atraso muito grande, e isso afasta as empresas e os investidores de Lisboa”, lamenta o CEO da Krest.

“[Na K-Tower] estamos prestes a concluir o arrendamento de metade da torre, cerca de 7.500 m2. Há muito interesse"

Quando questionado sobre o facto da CML estar a par do problema e a tentar regularizá-lo, responde de forma perentória: “Os atrasos nos processos de licenciamento, que estão a ficar pior, são um problema. Os ‘timings’ são um problema. Somos promotores, e em Portugal há um ‘problema’: é que as pessoas são simpáticas, dizem sempre que sim a tudo, não sabem dizer que não”. 

Muitos possíveis inquilinos interessados na K-Tower

Para Claude Kandiyoti não há dúvidas de que há falta de oferta de edifícios de escritórios na capital é um entrave à vinda de grandes multinacionais para o país. “[Na K-Tower] estamos prestes a concluir o arrendamento de metade da torre, cerca de 7.500 m2. Há muito interesse. Muitas empresas querem vir para Lisboa, mas a oferta é muito escassa. E mais: muitas multinacionais querem vir, mas percebem que tal só pode acontecer dentro de dois anos, por exemplo, até por motivos de licenciamentos e início de obras, e para eles é muito tempo, têm um problema de planeamento”.

Imóveis adquiridos em hasta pública arrendados ao Estado

E a aquisição de um portefólio de imóveis do Estado, à semelhança do que aconteceu em 2014, está em equação, caso haja essa possibilidade? “Para nós sim, claro, mas não acredito que o Governo volte a fazer hastas públicas idênticas. Na altura, em 2014, o ‘timing’ foi perfeito, houve a queda do BES, o caso Sócrates... Agora não acredito que volte a acontecer”, responde o CEO da Krest. 

Sobre esses ativos imobiiários, Claude Kandiyoti, diz que se tratou da primeira hasta pública realizada no país a contemplar “um portefólio de imóveis totalmente arrendados ao Estado”. “São 11 ativos e continuam todos arrendados ao Estado. Acho que o Governo nunca mais fará algo do género, ou seja, poderá vender ativos que estejam vazios, desocupados, mas nunca mais venderá um portefólio nesta condições”.   

Jardim Miraflores a pensar nos portugueses

O Jardim Miraflores, em Oeiras (arredores de Lisboa), marcou o arranque do investimento da Krest em Portugal no segmento residencial. São três edifícios – a Torre Girassol (com 16 pisos e 68 apartamentos), o Lotus Living (com 9 pisos e 47 apartamentos e 6 escritórios) e a Villa Iris (quatro apartamentos) – com tipologias entre entre T1 e T5 e áreas entre 60 e 274 m2. “Ainda não está em construção. Esperamos que as obras arranquem em junho, julho e deverá estar concluído em 2022”, conta o responsável. 

As vendas, ainda em planta, portanto, decorrem a bom ritmo. “Cerca de 70% dos apartamentos [são 119] estão vendidos, sendo que 75% dos compradores são portugueses. A ideia é mesmo essa, criar habitação que os portugueses possam comprar. Analisámos e fizemos estudos sobre quem seria o público alvo, os clientes, fizemos o trabalho de casa. E esta localização em concreto respondia a todas as questões importantes: em termos de espaço, acessibilidades, educação e/ou existência de escolas, vistas, qualidade de vida, acesso direto a Lisboa etc.”, conclui. 

Krest Real Estate Investments
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