Imobiliário: benefícios fiscais atraem investimentos de 2.000 milhões

Para os economistas, os baixos impostos no imobiliário causam uma “afetação desajustada de capital”.
impostos imobiliários
Foto de Asa Rodger no Unsplash

Em Portugal, as isenções de impostos e benefícios fiscais no imobiliário atraem cerca de dois mil milhões de euros por ano, e estão a transformar a habitação num investimento apetecível para grandes fortunas, fundos de pensões estrangeiros e bancos. Para os economistas, estes baixos impostos causam uma “afetação desajustada de capital” que podia ajudar outros setores da economia.

Em cálculos feitos para o jornal Público, que avança a notícia, Susana Peralta, professora na Nova SBE, trabalhou com os dados oficiais sobre transações imobiliárias, impostos cobrados aos principais fundos a operar em Portugal e comparou estes valores com a taxa média de IRC paga pelas outras empresas.

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A economista concluiu que, em Portugal, o investimento que escolhe o imobiliário apenas porque os impostos favorecem a rentabilidade do negócio supera os dois mil milhões de euros. Ainda assim, a investigadora considera que este é um valor “extremamente conservador”, uma vez que compara os impostos cobrados pelo Estado aos fundos com a média de IRC das empresas e não com a totalidade da carga fiscal que estas pagam, que é muito superior.

“Temos de ter um debate público muito mais alargado e transparente sobre benefícios fiscais”, defende Susana Peralta. “Não fazemos ideia de quem beneficia com estas regras fiscais. O próprio facto de não sabermos é problemático. Devia haver transparência acerca das casas que se constroem, do preço por metro quadrado e do decil de rendimento ao qual se destinam”, acrescenta.

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