
O interesse em construir casas em Portugal continua, num momento em que a falta de oferta é muito superior à procura e os preços da habitação são elevados. E prova disso é a chegada de novas promotoras imobiliárias ao mercado. É o caso da New Life, que nasceu em Braga há cerca de dois anos e já tem 136 casas em marcha nesta região, graças a um “método construtivo rápido e diferenciador". Mas a vontade de construir casas não é imune ao contexto de inflação: a subida dos preços dos materiais de construção - sentida desde a pandemia da Covid-19 e agudizada pela guerra -, a par do custo de financiamento, tem vindo a pressionar a atividade. “Nós tentámos ao máximo manter o valor das nossas moradias, mas não conseguimos aguentar”, admite Manuel Pedrosa, fundador da New Life, em entrevista ao idealista/news.
Foi em 2021, que Manuel Pedrosa decidiu criar uma promotora imobiliária, a New Life. E de lá para cá, o negócio tem corrido bem, estando a desenvolver seis empreendimentos residenciais em Braga e Vila Nova de Famalicão, que, juntos, somam 136 habitações destinadas à classe média-alta. Por detrás deste projeto está a construção em betão armado (ao invés da alvenaria tradicional), que confere rapidez ao projeto. “A estrutura de uma moradia New Life, por exemplo, demora entre 3 a 4 semanas a ser levantada”, explica o responsável pela empresa.
A questão é que, desde a sua génese, a promotora imobiliária tem sentido os efeitos da inflação na construção. “As subidas do preço dos materiais têm sido grandes, sobretudo, do ferro e do betão que são os materiais que utilizamos na estrutura nas nossas casas. (…) Temos conseguido gerir, mas claro que também nos obrigou a subir os preços das casas. Começámos a vender moradias por 285 mil euros e, neste momento, as mesmas casas estão a 345 mil euros”, reconhece. Esta é uma das razões que explica a dificuldade em construir casas para a classe média portuguesa, garante o empreendedor.
Todo este contexto de subida dos preços das casas à venda, acompanhada pela subida dos juros no crédito habitação tem abrandado a venda das casas, sobretudo, a famílias portuguesas. Mas nem por isso o fundador da New Life desanima, tendo previsto alargar horizontes, lançando novos empreendimentos residenciais no Porto e no Funchal, num momento em que a falta de casas é um problema estrutural em todo o país, partilha Manuel Pedrosa, fundador da New Life, em entrevista ao idealista/news para ler em seguida.

Como nasceu a New Life há cerca de dois anos em Braga?
A New Life surgiu no seio da Old Life, uma empresa fundada em 2013, cuja atividade principal era a mediação imobiliária. Foi em 2021, que decidi aliar os 19 anos de experiência nacional e internacional na área da construção – também trabalhei na Alemanha e em Espanha – a este projeto, criando a marca New Life, de construção própria. Assim começou este negócio de promoção imobiliária com a nova marca New Life.
De lá para cá, já contam com seis empreendimentos residenciais. Quantas casas vão colocar no mercado? E para que segmentos? Quais são os intervalos de preços? Qual é o investimento associado?
Sim, neste momento temos empreendimentos em Braga e Vila Nova de Famalicão. Só no empreendimento NEW LIFE Residences Sto. António, em Frossos (Braga), temos 86 lotes para construção de moradias T3 com escritório de 2 e de 3 pisos. Ao todo temos 136 imóveis entre apartamentos e moradias, destinados ao segmento médio-alo. Temos apartamentos a 259 mil euros até moradias a 550 mil euros.
"A estrutura de uma moradia New Life demora entre 3 a 4 semanas a ser levantada"
Qual é o vosso segredo para construir casas rápido? O vosso método construtivo e a escolha dos materiais têm reflexo no preço final?
Normalmente, as casas que vemos no mercado, sobretudo, as casas em banda, são em alvenaria (o típico tijolo). O nosso método construtivo é em betão armado. A estrutura de uma moradia New Life, por exemplo, demora entre 3 a 4 semanas a ser levantada. Faz-se a estrutura em ferro e depois preenche-se com betão. É um método construtivo diferenciador, rápido e que confere elegância e robustez aos projetos.

Como é que a empresa está a lidar com a subida dos custos da construção e dos juros no financiamento bancário?
Desde o início do nosso projeto em 2021, as subidas do preço dos materiais têm sido grandes, sobretudo, do ferro e do betão que são os materiais que utilizamos na estrutura nas nossas casas. Mas tudo o resto aumentou, muitas vezes para o triplo. Temos conseguido gerir, mas claro que também nos obrigou a subir os preços das casas. Começamos a vender moradias por 285 mil e, neste momento, as mesmas casas estão a 345 mil euros. É algo que nos ultrapassa, temos de ir gerindo consoante o que mercado nos vai apresentando.
Nos primeiros quatro meses do ano, sentimos alguma diminuição nas vendas e, sobretudo, pela questão dos financiamentos bancários e juros adjacentes. O processo de decisão do cliente também é mais prolongado, sobretudo, o cliente nacional. No final de abril já começámos a sentir mais procura por parte dos clientes nacionais e internacionais.
"Os nossos projetos são todos vendidos em planta. Comprar em planta permite que o cliente altere a disposição dos espaços"
Como têm corrido as vendas das casas? Quem é que mais vos procura (portugueses ou estrangeiros)? Quais são as nacionalidades?
Em dois anos vendemos 58 imóveis, por isso, o balanço é muito positivo, tendo em conta que a nossa marca existe há pouco tempo. Conseguimos diferenciar-nos do mercado e isso está a surtir o efeito desejado, concretizando-se em vendas. Temos procura de clientes nacionais e estrangeiros. Neste momento temos clientes do Brasil, Chile, Austrália, Estados Unidos da América e Angola.
Têm promovido a venda de casas em planta. Porquê? Quais são as vantagens?
Os nossos projetos são todos vendidos em planta. É em autoconstrução, ou seja, a obra avança e o cliente vai pagando conforme o seu avanço.
Comprar casa em planta permite que o cliente altere a disposição dos espaços. A determinada altura do processo reúne com a nossa equipa de personalização e escolhe todos os acabamentos, desde cerâmicos, loiças sanitárias, torneiras, armários, cor das paredes e até pontos de luz.

Na sua perspetiva, o que falta para que os promotores imobiliários sejam incentivados a construir casas para a classe média portuguesa?
Acredito que o incentivo seria maior se:
- houvesse uma baixa da inflação no que diz respeito aos materiais de construção;
- terrenos com preços mais justos;
- redução do IVA e demais impostos.
A classe média perdeu poder de compra e por muito que queiramos construir também para eles, não podemos fechar os olhos aos aumentos constantes dos preços dos materiais. Nós tentámos ao máximo manter o valor das nossas moradias, mas não conseguimos aguentar. Neste momento, as moradias mais baratas estão a 345 mil euros, mas podem aumentar a qualquer momento.
A New Life tem novos investimentos residenciais planeados para 2023? E para os próximos anos? Alargar horizontes além do distrito de Braga está nos vossos planos?
Procuro sempre empreender e estar sempre atento ao mercado. Estamos prestes a lançar um empreendimento no Porto, com apartamentos T0 e T1, em Lindo Vale. Também está nos planos da empresa apostar no Funchal, mas aí com moradias. Temos ainda alguns projetos de casas térreas também em Braga.

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