Juros no crédito habitação sobem para 1,898% - o máximo desde 2012

Prestação média da casa fixou-se em 299 euros em dezembro, o valor mais elevado desde abril de 2009, diz INE.
Subida dos juros no crédito habitação
Foto de Mikhail Nilov no Pexels

Nos últimos meses, os portugueses têm sentido os juros no crédito habitação a subir, por via do aumento da Euribor. E, em resultado, a taxa de juro no conjunto de contratos atingiu os 1,898% em dezembro, o valor mais elevado desde setembro de 2012. A prestação da casa também tem refletido esta evolução chegando aos 299 euros em dezembro, o maior valor desde abril de 2009, mostram os dados esta quinta-feira publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A maioria dos contratos de crédito habitação em Portugal são de taxa variável, espelhando diretamente a evolução das taxas Euribor assim que as prestações da casa são atualizadas a 3, 6 ou 12 meses. E é por isso mesmo que a taxa de juro tem vindo a subir no nosso país, agravando as prestações da casa.

Publicidade

Em concreto, “a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação foi de 1,898% em dezembro, o valor mais elevado desde setembro de 2012, traduzindo uma subida de 30,1 pontos base (p.b.) face a novembro (1,597%)”, revela o gabinete de estatística português no boletim divulgado esta quinta-feira, dia 19 de janeiro.

O que hoje se verifica é uma subida tanto das taxas variáveis (indexadas à Euribor) como das taxas fixas, já que os bancos ajustam os juros ao preço do dinheiro. E, por conseguinte, as famílias que contrataram empréstimos para comprar casa nos últimos meses fazem-no com juros bem mais elevados do que no início de 2022 ou em 2021. Os dados do INE também refletem esta realidade: nos contratos de crédito habitação celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro foi de 2,715%, o que traduz um aumento de 35 p.b. face a novembro (2,365%). É preciso recuar a maio de 2015 para encontrar uma taxa de juro nos contratos celebrados nos últimos três meses tão elevada.

“Para o destino de financiamento aquisição de habitação, o mais relevante no conjunto do crédito habitação, a taxa de juro implícita para o total dos contratos subiu para 1,903% (+29,7 p.b. face a novembro). Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, a taxa de juro aumentou 35,0 p.b. face ao mês anterior, fixando-se em 2,722%”, explica ainda o instituto.

Prestação da casa atinge máximo dos últimos 12 anos

A subida dos juros nos créditos habitação reflete-se na subida da prestação da casa. E o INE dá conta que “a prestação média fixou-se em 299 euros em dezembro, traduzindo uma subida de 11 euros face a novembro e 46 euros (18,2%) comparativamente com dezembro de 2021”. Este é o valor mais elevado desde abril de 2009.

O valor médio da prestação da casa apurado em dezembro, de 299 euros, para a totalidade dos contratos, desagrega-se da seguinte forma:

  • 99 euros (33%) correspondem a pagamento de juros;
  • 200 euros (67%) dizem respeito ao capital amortizado;

De notar ainda que o capital amortizado tem vindo a cair em detrimento da subida dos juros na prestação da casa. Comparativamente a dezembro de 2021, a componente de juros representava 16% do valor médio da prestação (253 euros) e agora pesa o dobro.

Nos contratos celebrados nos últimos 3 meses, o valor médio da prestação subiu 29 euros, para 536 euros, o valor mais elevado desde que há registos contabilizados pelo INE (janeiro de 2009).

Mesmo com os juros altos, as famílias continuam a comprar casa recorrendo a financiamento bancário. Motivo pelo qual o capital em dívida para a totalidade dos contratos tem vindo a subir. Em dezembro o capital médio em dívida aumentou 241 euros face ao mês anterior, fixando-se em 62.004 euros. Para os contratos celebrados nos últimos 3 meses, o montante médio em dívida foi 130.202 euros, mais 1.038 euros que em novembro.

Juros e prestação da casa dão salto em 2022 face ao ano anterior

Em resultado das sucessivas subidas da Euribor, as famílias passaram a pagar juros mais elevados em 2022. E é isso mesmo que dizem os dados do INE: “Para o conjunto do ano de 2022, a taxa de juro média anual implícita nos contratos de crédito habitação fixou-se em 1,084%, superior em 24,2 p.b. à taxa verificada em 2021”. E para o destino de financiamento aquisição de habitação, a taxa de juro média subiu 25,3 p.b. entre estes dois momentos, situando-se em 1,091% em 2022.

A prestação média anual vencida para o total do crédito habitação subiu 31 euros em 2022, para 268 euros. No destino de financiamento aquisição de habitação aumentou mais: verificou-se uma subida de 35 euros entre 2021 e 2022, fixando-se em 293 euros.

Também o capital médio anual em dívida subiu entre estes dois momentos, revela o INE:

  • Para o total de créditos habitação passou de 56.309 euros em 2021 para 60.142 euros.
  • Para o destino de financiamento aquisição de habitação passou de 63.243 euros em 2021 para 67.633 euros em 2022.

Para poder comentar deves entrar na tua conta