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Herdade da Comporta volta a estar à venda

Herdade já esteve à venda e está avaliada em cerca de 420 milhões de euros (Foto: Expresso)
Herdade já esteve à venda e está avaliada em cerca de 420 milhões de euros (Foto: Expresso)
Autor: Redação

A Herdade da Comporta saiu do controlo da família Espírito Santo quando o Grupo Espírito Santo colapsou e hoje faz parte dos ativos da RioForte que serão vendidos para pagar a credores. Após uma tentativa falhada, o processo avança agora de novo: o terreno será colocado à venda em mercado internacional entre a última quinzena de setembro e a primeira de outubro.

Segundo o Expresso, os tribunais já autorizaram o processo de venda, desimpedindo a razão que antes travou a operação: o arresto de bens da família. Com a autorização do tribunal, os potenciais compradores têm a segurança de que não há riscos legais de permeio, pelo que o negócio poderá concretizar-se.

Foi esta decisão que permitiu avançar agora com o processo, escreve o semanário, salientando que os assessores estão contratados, sob liderança da Haitong, banco de investimento que já está a recuperar a carteira de potenciais interessados que foi contactada no passado, com apresentação de propostas que acabaram por não ser consideradas, por inviabilização da operação.

Nesse sentido, foi já colocado em marcha o processo de escolha de um intermediário imobiliário internacional, tendo a consultora imobiliária CBRE já feito uma avaliação da Herdade que, segundo fontes do mercado, rondará os 420 milhões de euros. Seja qual for o valor do negócio, será preciso descontar ao seu valor as dívidas do fundo e da própria Herdade, que rondam os 130 milhões de euros.

De referir que apesar do vendedor ser formalmente a RioForte, é o tribunal do Luxemburgo que gere o processo, pois é aí que se centra a gestão da “massa falida”.

Não é primeira vez que a Herdade da Comporta está à venda. Entre os interessados, no passado, estiveram os norte-americanos Asher Edelman e David Storper, da gestora de “private equity” Armory Merchant.

O negócio acabou, no entanto, por colapsar, sendo que envolvia cerca de 300 milhões de euros, mais 100 milhões para investimento – 100 milhões por duas unidades da Comporta, 200 milhões para assumir a dívida das mesmas e outros 100 milhões para relançar a atividade da empresa agrícola e do fundo que gere o projeto turístico.

Mas o arresto de bens travou a operação. Em maio de 2015, o Ministério Público de Portugal arrestou o património imobiliário de vários membros da família Espírito Santo e da Herdade da Comporta. Foi a Haitong (ex-BESI) e a sociedade de advogados PLMJ que estiveram envolvidas na primeira tentativa de venda.

A Caixa Geral de Depósitos é o maior credor da Herdade da Comporta, com um crédito de 106 milhões de euros. Os ativos da Comporta estão avaliados, admite-se, em cerca de 420 milhões de euros e o crédito da CGD, concedido quando Ricardo Salgado liderava o GES, tem garantias no valor de 256 milhões de euros.

Situada nos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola, a Herdade da Comporta, historicamente uma das joias da coroa da família Espírito Santo, é considerada a maior propriedade privada em Portugal. Tem 12,5 mil hectares de terrenos, dos quais cerca de 10.000 são agrícolas e florestais. O resto está dedicado a projetos de desenvolvimento turístico e imobiliário.

A Manuel Espírito Santo interessou-se pela Herdade da Comporta em 1955, tendo-a comprou à britânica Atlantic Company. Em 1974, a propriedade foi nacionalizada e no final dos anos 1980 voltou às mãos da família.