O mercado imobiliário residencial na Europa está a recuperar dinamismo, graças a fatores como o reforço do desempenho do setor residencial, o aumento do interesse institucional e um enquadramento macroeconómico mais estável. No ano passado, o setor registou 59.000 milhões de euros investidos, o melhor resultado desde 2023 e que refle um crescente envolvimento do capital institucional.
De acordo com um recente inquérito da Cushman & Wakefield (C&W), realizado junto de investidores institucionais europeus, cerca de dois terços alocam, pelo menos, 20% das suas carteiras a ativos residenciais. Entre esses investidores, 96% revelam que pretendem aumentar essa exposição durante os próximos cinco anos.
Mercado de arrendamento lidera interesse dos investidores
O principal fator de atratividade para 74% dos investidores continua a ser a estabilidade dos retornos. Nesse contexto, o mercado de arrendamento surge na liderança, nomeadamente o arrendamento privado (PRS) e a construção para arrendamento (Build to Rent/BtR). Em seguida surge o alojamento para estudantes (PSBA), enquanto continua a crescer o interesse por soluções como habitação acessível e ‘co-living’.
Para este ano, o segmento com melhor desempenho esperado é mesmo o de PRS/BTR, ainda que os investidores identifiquem alguns desafios como a escassez de oportunidades, a continuação do desalinhamento de preços entre compradores e vendedores e os riscos políticos e regulatórios.
“O que mais se destaca neste inquérito é a consistência da confiança dos investidores. As alocações estão a aumentar, as estratégias estão a expandir-se e o investimento em habitação está cada vez mais integrado de forma estrutural nas carteiras. O bom desempenho do setor em 2025 reforçou claramente essa convicção”, revela, em comunicado, Patrick Hogan, Head of EMEA Living Capital Markets da C&W.
Investidores convictos na estabilidade
A estabilidade marca (ou marcava) as expectativas macroeconómicas dos investidores, pelo menos antes do atual conflito no Médio Oriente, com mais de metade a não prever alterações nas taxas de juro durante o próximo ano e perto de metade (48%) convictos de que os rendimentos da habitação prime se manterão estáveis.
Quanto às ‘yields’, a expectativa da sua compressão tem diminuído e os investidores preveem que o crescimento das rendas e a eficiência operacional impulsione o seu desempenho futuro.
Alemanha, Espanha e Reino Unido seguem na liderança
Os mercados mais atrativos continuam a ser o alemão, o espanhol e o britânico, dada a sua procura sólida por arrendamento e a dimensão dos seus mercados institucionais. Reino Unido e Alemanha representaram, em conjunto, 66% do investimento residencial na Europa em 2025, ano em que a Irlanda superou França no seguinte grupo de mercados preferidos.
Ativos já estabilizados continuam a convencer investidores
Segundo o inquérito da C&W, entre 80% a 100% das carteiras ativas dos investidores é composta por ativos já estabilizados, refletindo os desafios dos últimos anos como o risco associado a novos desenvolvimentos devido ao aumento dos custos de construção.
As ‘joint ventures’ e aquisições diretas de ativos estabilizados deverão continuar a ser as principais formas de entrada no mercado nos próximos um a três anos, enquanto os modelos de ‘forward funding’ e ‘forward purchase’ se devem manter mais limitados, à exceção dos mercados belga, polaco, italiano e checo, uma vez que, nestes países, a oferta institucional começa a ganhar escala.
Ainda relativamente aos projetos de PRS e BTR, os fatores mais determinantes são a localização e a acessibilidade para inquilinos, seguindo-se as comodidades e os critérios de sustentabilidade.
“Em Portugal, o alojamento para estudantes entrou em 2026 com fundamentos muito sólidos, suportados por uma oferta limitada, uma procura crescente e um interesse institucional cada vez mais forte. Este contexto torna o mercado particularmente atrativo para investidores com foco em rendimentos estáveis no longo prazo. Já o segmento de BtR permanece ainda pouco desenvolvido, mas o recente enquadramento fiscal poderá ser um catalisador importante para a sua afirmação futura”, indica Alvaro Forero, Head of Alternatives & Living da C&W.
Responsabilidade ambiental como objetivo-chave
Cerca de 82% dos investidores coloca a sustentabilidade no centro das suas decisões, com a maioria a demonstrar-se disponível para pagar um prémio por ativos com bom desempenho ambiental, ainda que admitam que este fator continua a ter um peso menor na decisão dos inquilinos.
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