Os deputados com assento na Assembleia da República discutiram e votaram uma série de propostas na área de habitação esta sexta-feira, dia 9 de janeiro. Mas só o pacote fiscal do Governo destinado a aumentar a oferta habitacional é que obteve luz verde. Todos os projetos de lei apresentados pelos partidos da oposição acabaram chumbados, à exceção da proposta do PS relativa ao combate à especulação imobiliária, que baixou à especialidade sem votação.
A manhã desta sexta-feira, dia 9 de janeiro, foi marcada por um debate focado, sobretudo, na área da habitação. Mas os resultados foram apenas animadores para o Governo e para o PS. Isto porque as duas propostas de lei que compõe o pacote fiscal da habitação do Executivo de Montenegro – uma sobre com alívios fiscais e outra com simplificação de licenciamentos – obtiveram luz verde na votação, baixando à comissão. E os socialistas baixaram à especialidade, sem votação em plenário, uma proposta para combater a especulação imobiliária. Todas as outras propostas legislativas na área da habitação apresentadas pela oposição caíram por terra. Explicamos ponto por ponto.
- Combate à especulação imobiliária: a proposta do PS que baixa à especialidade
- Descida de IVA e isenção do IMI propostas pelo Chega chumbadas
- Livre tentou pôr tetos nas rendas – mas foi travado
- Reduções no IVA na construção propostas pela IL caem por terra
- Programa nacional para cooperativas do PAN reprovado
Combate à especulação imobiliária: a proposta do PS que baixa à especialidade
O PS apresentou um projeto destinado a reforçar o acesso à habitação permanente e de combate à especulação imobiliária, que desce diretamente à especialidade, não tendo sido votado na generalidade depois de a bancada ter apresentado um requerimento nesse sentido. Assim, o grupo parlamentar socialista terá 90 dias para aprimorar estas medidas contando com o contributo de outras bancadas antes da votação final.
Em concreto, o PS liderado por José Luís Carneiro propõe a isenção de tributação de mais-valias em segundas habitações que sejam colocadas no mercado de arrendamento em zonas de pressão urbanística, desde que os imóveis sejam efetivamente destinados a habitação própria e permanente.
Os socialistas preveem ainda um agravamento de impostos sobre as mais-valias imobiliárias associadas à retenção especulativa de imóveis, que seria aplicável a imóveis durante o período em que são detidos pelo proprietário e “não tenham sido habitados, nem arrendados para fins habitacionais”.
O PS pretende um aumento do IMI para imóveis devolutos para serem colocados no mercado habitacional e combater, assim, a "retenção de património edificado". Também quer aumentar o IMT a todos os imóveis detidos por não residentes e apoios fiscais aos arrendatários, “através do aumento do limite máximo da dedução à coleta em sede de IRS dos encargos com rendas, fixando-o em 1.000 euros” a partir de 2027.
Por outro lado, os socialistas viram reprovado o seu projeto de resolução que recomenda ao Governo o alinhamento da política nacional de habitação com as linhas orientadoras do Plano Europeu de Habitação Acessível. A iniciativa caiu com os votos contra do Chega, CDS-PP, PSD e Iniciativa Liberal, a abstenção do PCP e os votos a favor do PS, PAN, JPP, Livre e BE.
Descida de IVA e isenção do IMI propostas pelo Chega chumbadas
O Chega apresentou uma iniciativa para reduzir o IVA na construção de habitação e outra para isentar de IMI os imóveis destinados a habitação própria e permanente, com um valor patrimonial tributário até 350.000 euros. Ambas acabaram chumbadas.
Em concreto, o partido liderado por André Ventura pretendia isentar o pagamento do IMI a casas destinadas a habitação própria e permanente e cujo valor patrimonial tributário não excedia os 350.000 euros. E previa ainda um período de isenção de seis anos com a possibilidade de ser prorrogado por mais dois.
Além disso, o Chega queria ainda avançar com a descida do IVA sobre as “empreitadas de construção ou remodelação de imóveis” que tivessem “natureza pública ou privada, desde que comprovadamente afetos à habitação”.
Livre tentou pôr tetos nas rendas – mas foi travado
O Livre de Rui Tavares viu rejeitado o seu projeto de lei que define limites máximos de valor de renda em contratos de arrendamento habitacional, e outro que estabelece o zonamento inclusivo para uma quota de habitação pública nas operações urbanísticas.
O partido queria que fossem implementados limites máximos para novos contratos de arrendamento, restringindo-os a “um máximo de 30% acima dos preços de referência por localização, tipologia e escalão”. E pretendia ainda determinar a obrigatoriedade de uma percentagem mínima de habitação pública ou a programas de arrendamento a valores acessíveis.
A obrigatoriedade da afetação deste tipo de construção seria aplicada a operações urbanísticas que possuam uma área bruta de construção total igual ou superior a 1.500 metros quadrados e/ou “resultem na constituição de 10 ou mais frações, habitacionais e não habitacionais”.
A medida permitiria ainda aos municípios definir critérios mais exigentes, “em função da realidade urbanística local e às necessidades habitacionais identificadas nos termos da Carta Municipal de Habitação”, refere o projeto.
Reduções no IVA na construção propostas pela IL caem por terra
Também foi chumbado um projeto de lei da Iniciativa Liberal (IL) para reformar a construção e aumentar a oferta de habitação. A proposta obteve apenas os votos a favor do Chega e da própria IL, enquanto CDS, PSD, PS, PAN, Livre, BE e PCP votaram contra.
A IL agora liderada por Mariana Leitão queria reduzir o IVA de toda a construção de 23% para 6% e a disponibilizar património imobiliário devoluto do Estado "à melhor oferta para construção de habitação”. Os liberais queriam possibilitar aos municípios a opção de baixar o IMT, “acabar com o limiar mínimo do IMI” e propõem ainda a redistribuição do IRS dos rendimentos prediais às respetivas autarquias.
Entre outras medidas, a iniciativa dos liberais defendia a revogação do direito de preferência do Estado em imóveis, a redução do IRS sobre as rendas de 25% para 10% e a isenção deste imposto para os rendimentos prediais nos primeiros cinco anos de quem não tenha tido rendimentos prediais nos últimos cinco anos. Foi proposto ainda o alargamento do regime de isenção de mais-valias na venda de imóveis que não sejam de habitação própria e permanente por proprietários que tenham menos de 65 anos.
Também foi reprovado em plenário o projeto de resolução apresentado pela IL que recomendava ao Governo a criação de um Código da Edificação unificado.
Programa nacional para cooperativas do PAN reprovado
A Assembleia da República também chumbou esta sexta-feira o projeto de resolução do PAN liderado por Inês de Sousa Real que recomendava ao Governo a criação do Programa Nacional de Apoio às Cooperativas de Habitação. A iniciativa caiu com os votos contra do Chega, CDS-PP e PSD, a abstenção do PS e da Iniciativa Liberal. Mas contou com o apoio do PAN, JPP, Livre, PCP e BE.
Igualmente caiu por terra o projeto de resolução do PAN pelo reforço e diversificação dos recursos financeiros dos municípios para as políticas de habitação, com votos contra do Chega, CDS-PP, PSD, PS e IL, a abstenção do Livre e BE, e os votos a favor do PAN e JPP.
*Com Lusa
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