Depois da compra de casa e do preço da habitação atingirem máximos históricos em 2025, está-se a sentir uma desaceleração do mercado no arranque deste ano. A venda de casas em Portugal voltou a cair pelo segundo trimestre consecutivo, tendo-se registado uma redução das transações de 8,7% no início de 2026 face ao mesmo período do ano passado. E os preços das casas abrandaram a subida para 17,8% pela primeira vez em cerca de dois anos.
“No primeiro trimestre de 2026, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) aumentou 17,8% em termos homólogos, taxa inferior em 1,1 pontos percentuais (p.p.) à observada no trimestre anterior”, informa o Instituto Nacional de Estatística (INE) no boletim divulgado esta terça-feira, dia 23 de junho. Trata-se da “primeira desaceleração de preços desde o segundo trimestre de 2024”, ocorrendo logo depois de ter atingido uma subida histórica de 18,9% no fim de 2025.
A desaceleração da subida de preços foi mais significativa nas casas usadas do que nas casas novas, ainda que os valores continuem a subir de forma mais expressiva, mostram os dados:
- Casas usadas: os preços aumentaram 19,7% no início de 2026 em termos homólogos, menos 1,2 p.p. face ao trimestre anterior;
- Casas novas: os preços subiram 12,6% no primeiro trimestre face ao mesmo período do ano anterior, tratando-se de um abrandamento de 1,1 p.p.;
A variação trimestral do Índice de Preços da Habitação confirma esta tendência de abrandamento: passou de 4,0% no último trimestre de 2025 para 3,8% nos primeiros três meses de 2026 (- 0,2 p.p.). “No período em análise, os preços das habitações existentes aumentaram 4,2%, acima da taxa de variação observada nas habitações novas (2,7%)”, tendo-se observado atenuações de -0,4 p.p. e -0,1 p.p., respetivamente.
Venda de casas em Portugal está a cair há seis meses
Entre janeiro e março de 2026, foram vendidas 37.745 habitações, menos 8,7% que em idêntico período de 2025. Esta é mesmo a segunda vez que se regista uma redução na venda de casas no país (caiu 4,7% no fim do ano passado). Ainda assim, o valor das habitações transacionadas totalizou 9,9 mil milhões de euros, mais 3,2% face a idêntico período de 2025, refletindo os altos preços das casas.
Esta queda de venda de casas pode ser explicada por um conjunto de fatores. A falta de oferta de casas a preços acessíveis e a incerteza provocada pelo conflito no Médio Oriente – que está a fazer subir a Euribor com impacto nos créditos habitação – tem levado as famílias a ponderar e a aumentar os tempos de decisão, segundo comentaram especialistas do mercado ao idealista/news.
O que os dados do INE também mostram é que a queda das transações foi mais acentuada nas casas novas do que nas existentes (talvez por serem mais caras e requererem mais dinheiro para dar entrada quando se compra em planta):
- Casas usadas: foram vendidos um total de 30.356 fogos existentes (80,4% do total das transações) no início de 2026, menos 8% face ao mesmo período do ano passado. “Neste período, observou-se uma taxa de variação homóloga de 6,9% no valor das transações das habitações existentes, para 7,5 mil milhões de euros”, detalha. Portanto, menos casas usadas vendidas, mas mais caras.
- Casas novas: a redução do número de transações foi de 11,6%, perfazendo 7.389 unidades. Estes fogos de construção nova movimentaram 2,4 mil milhões de euros, menos 6,8% em termos homólogos.
A nível geográfico, sentiu-se uma contração anual do número de venda de casas em todas as regiões do país. A Região Autónoma da Madeira (-25,6%), assim como a Região Autónoma dos Açores (-11,4%) e o Algarve (-10,7%) registaram as reduções mais expressivas. “Ainda que se tenha observado um decréscimo no número de transações realizadas, os valores das transações de alojamentos continuaram a crescer em algumas das regiões do país”, como a Península de Setúbal, Oeste e Vale do Tejo, Alentejo e Norte.
Face ao fim do ano passado, a diminuição do número de transações de habitações foi mais expressiva, (-12,4%). E as casas novas a registaram uma queda maior (-14,3%) do que as casas existentes (-11,9%). Também foi movimentado menos capital na venda de casas (7,9%) entre o início de 2026 e o último trimestre de 2025. “A redução do valor das transações foi observada em ambas as categorias de alojamentos tendo sido mais pronunciada no caso dos novos (-11,2%) relativamente aos existentes (-6,8%)”, conclui o instituto.
Quem está a comprar casas em Portugal? Famílias dominam e não residentes afastam-se
Embora com reduções nas transações, a grande maioria das casas compradas em Portugal continua a ser protagonizada pelas famílias. No primeiro trimestre de 2026, as habitações adquiridas por famílias ascenderam a 32.828 unidades, 87,0% do total. Trata-se de uma redução das transações de 8,7% em termos homólogos e de 12,4% face ao trimestre anterior.
“Em valor, as aquisições efetuadas por famílias totalizaram 8,6 mil milhões de euros (86,4% do total), mais 3,4% relativamente ao mesmo período de 2025 e uma diminuição de 8,1% face ao trimestre precedente”, informa o INE no boletim. Isto quer dizer que as famílias estão a comprar menos casas face há um ano, mas por valores bem mais altos.
A esmagadora maioria da venda de casas é realizada por quem tem domicílio fiscal em território nacional (portugueses e imigrantes), totalizando 88% das transações e 92% do valor movimentado. Enquanto as aquisições caíram 8,4% no último ano para 35.975 unidades, o valor transacionado subiu 3,4% para 9,1 mil milhões de euros, confirmando que se estão a vender casas cada vez mais caras.
A redução de venda de casas é ainda mais expressiva para quem vive fora de Portugal (estrangeiros e emigrantes portugueses), seguindo a tendência já identificada de queda de transações há cerca três anos justificada por menos incentivos fiscais, como o fim dos vistos gold para investimento imobiliário e o término do antigo regime para residentes não habituais, por exemplo.
No início de 2026, os não residentes no país compraram 1.770 casas, o que representa uma redução homóloga de 15,6% (-20,9% no 4º trimestre de 2025). Já o valor desembolsado aumentou 1% neste período para 795 milhões de euros. “De entre as categorias de compradores com domicílio fiscal fora do Território Nacional, a categoria União Europeia foi aquela que apresentou a maior contração no número de transações (-16,8%), superior à observada na categoria Restantes Países, a qual se fixou em -14,4%”, lê-se ainda no boletim.
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