A venda de 16 imóveis do Estado, nove dos quais em Lisboa e deixados devolutos após a concentração de ministérios, está a gerar contestação política e académica. Em causa está a opção do Governo de colocar os edifícios no mercado privado, apesar de reunirem condições para integrar a Bolsa de Imóveis Públicos para Habitação e poderem dar origem a cerca de 450 casas numa cidade onde o acesso à habitação é particularmente difícil.
Segundo o Público, dois dos 16 imóveis já foram vendidos em hasta pública: um prédio da Avenida Visconde de Valmor por 15,7 milhões de euros e um na Rua Filipe Folque por 5,2 milhões. Ambos foram alienados por valores por metro quadrado (m2) significativamente abaixo do preço mediano registado nas respetivas zonas, escreve a publicação, apoiando-se em dados do Instituto Nacional de Estatística.
Um terceiro edifício, a antiga sede da Presidência do Conselho de Ministros, foi cedido à Câmara Municipal de Lisboa, mas o Executivo liderado por Luís Montenegro mantém a intenção de vender os restantes seis imóveis que se encontram na capital.
O Governo, escreve o jornal, rejeita as críticas e nega que tenha havido vendas “ao desbarato”, sustentando que os preços-base foram definidos com base em avaliações independentes validadas pela Estamo e que tiveram em conta o “maior e melhor uso” dos ativos. O Ministério das Infraestruturas e da Habitação argumenta que está a ser confundido o valor de mercado atual com cenários futuros de desenvolvimento urbanístico que implicariam investimento significativo.
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