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InPortugal 2020 "valoriza a qualidade do imobiliário e do ‘lifestyle’ português"

"O interesse em Portugal não diminuiu", diz Ricardo Simões, diretor do salão, ao idealista/news.

jisoo kim on Unsplash
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A edição de 2020 do InPortugal - Salão de Imobiliário e Investimento, que durante anos foi conhecido como Salão do Imobiliário e do Turismo Português em Paris, realiza-se de 22 a 24 de setembro e será 100% online, devido à pandemia da Covid-19. "Uma edição que assegura a continuidade da promoção ativa e coletiva das vantagens de residir, investir e empreender em Portugal", diz Ricardo Simões, diretor do salão, em entrevista ao idealista/news.

Segundo o responsável, a 9ª edição do evento "valoriza a qualidade do imobiliário e do ‘lifestyle’ português", sendo muito importante "para ouvir e avaliar o impacto da pandemia nas intenções, decisões e motivações das pessoas, mas também para lhes transmitir confiança e informações seguras para o avanço dos respetivos projetos". "Pelo seu formato e por ser em francês e inglês, interessa a todos aqueles que não residem em Portugal mas têm interesse em residir ou investir", conta.

Ricardo Simões, diretor do salão / Jorge Marques - sipp2019
Ricardo Simões, diretor do salão / Jorge Marques - sipp2019

O que se pode esperar da edição deste ano, a 9ª, do Salão do Imobiliário e do Turismo Português em Paris, que agora se chama InPortugal - Salão de Imobiliário e Investimento?

Uma edição inovadora em formato digital, adaptada ao contexto de pandemia que vivemos, que oferece aos expositores a oportunidade de acelerar e integrar a importância do digital no presente e futuro das relações comerciais. Uma edição que vai ao encontro das pessoas mais interessadas onde elas estiverem: em casa, no trabalho, de férias ou em Roland-Garros, através de smartphone, tablet ou computador. Uma edição que assegura a continuidade da promoção ativa e coletiva das vantagens de residir, investir e empreender em portugal. Uma edição que valoriza a qualidade do imobiliário e do ‘lifestyle’ português. Uma edição importantíssima para ouvir e avaliar o impacto da pandemia nas intenções, decisões e motivações das pessoas, mas também para lhes transmitir confiança e informações seguras para o avanço dos respetivos projetos. 

Será um evento adaptado à realidade que vivemos. Quais os pontos fortes e fracos de organizar um evento deste tipo online?

Os pontos fortes são o alcance que o evento tem em termos de visitantes, pela facilidade que têm de aceder, por dispensar a deslocação, por terem a informação concentrada no mesmo espaço, pela simplicidade com que podem identificar, comparar e contactar os expositores que propõem imóveis e serviços que lhes interessam. Também a extensão a mercados anglófonos, como o Reino Unido e os EUA, com as temáticas, ângulos e oradores adaptados a esses mercados.

Para os expositores, é a oportunidade, por exemplo, de mostrarem quase em “pré-visita” os seus imóveis através da câmara dos seus telemóveis, a vista, as áreas, os interiores...

Os pontos fracos é sobretudo a ausência do encontro fortuito, nos corredores, ou junto ao café, a imersão num cenário construído de propósito para receber e entreter. Estamos todavia a explorar algumas possibilidades em termos de dinâmica de ‘networking’ que podem abrir novas vias a esse tipo de encontros.

"Os eventos virtuais têm registado uma taxa de comparência superior em média 20% aos eventos presenciais"

Acredita que o evento terá muita adesão, apesar de não se realizar fisicamente?

Sim! Os eventos virtuais têm registado uma taxa de comparência superior em média 20% aos eventos presenciais. O interesse em Portugal não diminuiu, a imagem da gestão da crise sanitária é positiva, o custo de vida continua inferior 20 a 30% relativamente às maiores economias europeias, apesar da revisão dos dispositivos de atração de investimento, como o RNH, a fiscalidade portuguesa permanece atrativa. 

Que balanço faz das últimas edições? Por exemplo, da edição de 2019 face à de 2018? 

Um balanço muito positivo. Constatámos que os visitantes, particularmente os franceses, conhecem cada vez melhor Portugal, amadureceram os seus projetos de instalação ou de investimento, sabem o que querem, estão devidamente informados e mais perto de os concretizar.

Assim foi a edição de 2019 do Salão do Imobiliário e do Turismo Português em Paris / Jorge Marques - sipp2019
Assim foi a edição de 2019 do Salão do Imobiliário e do Turismo Português em Paris / Jorge Marques - sipp2019

Disse-nos, em 2015, que havia cada vez mais franceses interessados em comprar casa em Portugal, nomeadamente no Porto. A tendência manteve-se nos últimos anos? 

Efetivamente, há cerca de cinco anos mencionei que o Porto representava um potencial tremendo e que o interesse estava a aumentar. Na altura, e segundos os nossos dados, a região Porto e Norte aparecia em terceiro no interesse dos nossos visitantes (16%), longe de Lisboa (41%) e do Algarve (39%). A distância encurtou. Se olharmos para os últimos dados do INE (setembro de 2019), relativamente às aquisições de não residentes, a região representa 20% das transações imobiliárias, com o Porto a originar 1.700 transações. 

No que respeita aos franceses, uma em cada cinco casas vendidas a estrangeiros é a franceses. Desde 2016 que estão no topo dos não residentes a adquirir em Portugal. Como se justifica? Pela proximidade geográfica, cultural, qualidade de vida que descobriram em Portugal e que desconheciam, associado a uma promoção coletiva e regular das vantagens de Portugal para se instalar, investir e empreender em Portugal, no qual o salão é em boa parte responsável.

Pode dizer-se que há um pré-Covid-19 e um pós-Covid-19 no imobiliário nacional e que o interesse dos estrangeiros, nomeadamente dos franceses, abrandou ou vai abrandar com a pandemia? 

O que constatamos é que o interesse permanece forte, face à procura de conforto, áreas maiores, espaços exteriores generosos e de um melhor equilíbrio pessoal/profissional com o crescimento do trabalho remoto após a experiência do confinamento. Há um pré e um pós-Covid-19 em tudo. Mas também há um presente ao qual temos de nos adaptar. Se a recuperação é em ‘V’, em ‘W’, ou em ‘swoosh’ só saberemos quando a curva estiver desenhada. Entretanto, por não sabermos quanto tempo este contexto vai vigorar, é fundamental ouvir o maior número de pessoas interessadas, transmitir-lhes confiança e facilitar a concretização dos seus projetos. 

"Por não sabermos quanto tempo este contexto vai vigorar, é fundamental ouvir o maior número de pessoas interessadas, transmitir-lhes confiança e facilitar a concretização dos seus projetos"

Em alguns países, como França, houve um acréscimo de poupança por parte dos particulares durante o confinamento (+20.000 milhões de euros), e num cenário de taxas de juro baixas parte dessa poupança será aplicada no curto médio prazo em valores seguros. O imobiliário é um valor seguro.

Portugal continua a ser um destino atrativo para investir no setor imobiliário? Porquê?

Perfeitamente, a procura assim o demonstra. Pelas suas características, geografia, clima, cultura, qualidade de vida, mas também pelas condições que oferece às tendências sociais emergentes e aceleradas pela pandemia, como o trabalho remoto ou o digital nomadismo. Por exemplo, Portugal tem cinco cidades no top 100 europeu da Nomad List, das quais Lisboa ocupa o topo. Recentemente manteve a terceira posição no Global Peace Index, ranking dos países mais seguros do mundo, sendo o primeiro da UE.

Pela facilidade que oferece aos apaixonados do golfe, dos desportos náuticos, do mar, do sol, dos desportos motorizados (magnífico trabalho do Paulo Pinheiro no Autódromo Intenacional do Algarve, ao conseguir atrair as duas maiores competições mundiais para Portugal). Pelos projetos imobiliários em curso em Portugal, que já incorporam elementos de conforto, áreas, exteriores e eficiência. 

Os emigrantes portugueses que se encontram em França, por exemplo, também estão a pensar em investir no imobiliário em Portugal, quer seja numa ótica de rentabilização de investimento quer seja para “prepararem” o regresso a Portugal?

Temos falado muito de franceses, mas gostava de relembrar que a edição deste ano vai ao encontro das pessoas mais interessadas onde elas estiverem. Esta edição, pelo seu formato e por ser em francês e inglês, interessa a todos aqueles que não residem em Portugal mas têm interesse em residir ou investir. Isso inclui naturalmente os portugueses e luso-descendentes espalhados pelo mundo e que terão oportunidade de conectar-se aos profissionais que podem ajudá-los a concretizar os seus projetos em Portugal. Penso em particular nos que saíram na crise económica de há dez anos, que se estabeleceram e que têm hoje capacidade financeira para olhar, e olham, para Portugal como uma excelente oportunidade, para investir num 'pied à terre'.