O imobiliário foi um dos setores que melhor resposta deu à pandemia da Covid-19. Resiliência e confiança são, por isso, palavras de ordem, apesar de haver alguns desafios no horizonte, como por exemplo a aposta na sustentabilidade e no aumento da oferta de casas construídas para o mercado de arrendamento, o chamado ‘Build to Rent’. Isso mesmo foi abordado na apresentação do estudo “Emerging Trends in Real Estate Europe 2022 - Road to Recovery”, realizado pela PwC e pelo Urban Land Institute (ULI) e apresentado em Lisboa esta terça-feira (9 de novembro de 2021). A capital portuguesa caiu, de resto, uma posição no ranking das melhores cidades europeias para investir em imobiliário, ocupando agora a 16ª posição.
Os grandes investidores imobiliários estrangeiros mantêm-se atentos ao mercado europeu, que continua a ser encarado como um refúgio e a estar na mira. Lisboa, que em 2019 foi considerada a melhor cidade europeia para investir em imobiliário, tendo caído depois para 10º lugar (em 2020) e 15º lugar (em 2021), voltou agora a descer na hierarquia: é a 16ª cidade mais atrativa para os investidores em 2022.
Esta é uma das conclusões a retirar da 19ª edição do relatório “Emerging Trends in Real Estate Europe 2022 - Road to Recovery”, um dos mais reconhecidos estudos do setor imobiliário. Um dos especialistas referiu, citado no documento, que muitos investidores, tendo em conta os altos preços praticados em várias cidades, nomeadamente alemãs e francesas, estão a “olhar para mercados alternativos”. E “Lisboa, Madrid (Espanha), Milão (Itália) e Amsterdão (Países Baixos) continuam a beneficiar disso mesmo”, frisou.
A liderar o ranking, que contempla 31 metrópoles, está agora Londres (Reino Unido), que destronou Berlim (Alemanha). Paris (França), Frankfurt (Alemanha), Munique (Alemanha), Madrid, Amesterdão, Hamburgo (Alemanha), Barcelona (Espanha) e Bruxelas (Bélgica) completam, por esta ordem, o top 10 das cidades europeias mais atrativas para os investidores em 2022.
O relatório em causa é baseado em centenas de questionários efetuados e de entrevistas realizadas a especialistas do setor – foram ao todo 844 –, incluindo investidores, gestores de fundos, promotores, financiadores e consultores, sendo encarado como uma ferramenta indispensável para a definição de estratégias de mercado.
“Há um sentimento de investimento atraente para a Europa, o que vai atrair capital de todo o mundo, porque a economia subjacente a isso, em relação a outras oportunidades, faz muito sentido”, lê-se no documento.
Desafios antigos e novos setores a emergir
Uma das afirmações mais ouvidas durante a apresentação do relatório foi a de que Lisboa continua a ser atrativa para os investidores e a merecer a sua confiança. “Os investidores fazem fila quando chegam até nós”, comentou Maria Empis, Head of Work Dynamics consultora JLL, uma das participantes no evento, salientado, no entanto, que muitas vezes não há é produto para lhes oferecer.
A necessidade e urgência de apostar no ‘Build to Rent’ também foi abordada na sessão, sendo crucial, neste campo, trazer mais clareza legislativa. Este é visto, de resto, como um dos maiores entraves à entrada de novos investidores no país, sendo necessário “reagir rápido”, até porque a instabilidade legislativa não é um problema e/ou desafio recente.
Uma ideia também partilhada por Francisco Rocha Antunes, Chair da ULI Portugal, Francisco Soares Coutinho, coordenador de Direito Imobiliário da CCR Legal Sociedade de Advogados, e Frederico Arruda Moreira, CEO da Refundos, que participaram, juntamente com Maria Empis, num debate sobre os desafios do setor imobiliário a nível nacional.
A importância de apostar na sustentabilidade também esteve em análise, nomeadamente os desafios e objetivos relacionados com o ESG (Environmental, Social and Governance).
Todos os intervenientes destacaram ainda o facto de, nesta edição do estudo da PwC e do ULI, haver novos setores emergentes na mira dos investidores, com os segmentos de escritórios, centros comerciais e hotelaria, por exemplo, a não integrarem o top dez. Por seu turno, entre os 27 segmentos analisados, há nove relacionados com o residencial, nomeadamente com o aumento da oferta de habitação acessível e social e do mercado de arrendamento.
Estas são as 20 melhores cidades europeias para investir em imobiliário em 2022:







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