Tarifas de Trump empurram UE e China para novos mercados globais

Um ano após o "Dia da Libertação", UE e China compensam a queda das vendas para os EUA com exportações para o resto do mundo.
Exportações
Fonte: Público

Um ano depois do autoproclamado "Dia da Libertação", em que Donald Trump decidiu taxar agressivamente as importações para "trazer a prosperidade de volta" aos Estados Unidos (EUA), o balanço é bem diferente do prometido. Em vez de forçar os grandes exportadores mundiais a baixarem preços para manter o acesso ao mercado norte-americano, a nova vaga de tarifas acabou por desencadear um reajuste das rotas comerciais globais. A China, a União Europeia (UE) e outros parceiros encontraram alternativas e deslocaram parte substancial das suas vendas para outros destinos, atenuando o impacto do protecionismo vindo de Washington.

Segundo uma análise do think tank Bruegel, citada pelo Público, mostra que "tanto a UE como a China alavancaram as suas estruturas diversificadas de exportação para mitigar o impacto do protecionismo dos EUA". No caso europeu, após um pico de exportações para os EUA em março de 2025, antecipando as tarifas, as vendas estabilizaram, mas as exportações para o resto do mundo cresceram quase 100 mil milhões de euros. A China foi ainda mais longe: entre abril e novembro de 2025, vendeu menos 109 mil milhões de dólares aos EUA do que em igual período de 2024, mas compensou amplamente com um aumento de 260 mil milhões de dólares nas exportações para outros mercados, em especial no Sul Global e nos países da Iniciativa Faixa e Rota.

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Exportações China
Fonte: Público

Esta capacidade de redirecionar mercadorias explica por que razão os exportadores não sentiram necessidade de cortar preços para continuar a vender aos EUA – e quem acabou por pagar a fatura foram sobretudo as empresas e os consumidores norte‑americanos. Como sublinha um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial, por cada 100 dólares arrecadados em tarifas, 96 dólares saem diretamente do bolso dos norte‑americanos, sob a forma de preços mais altos e inflação mais persistente, enquanto apenas 4 dólares correspondem a menores margens dos produtores estrangeiros. Sem sinais de uma grande vaga de relocalização industrial para os EUA e com tarifas ainda acima dos níveis pré-Trump, o efeito líquido desta política, passado um ano, é claro: os outros países foram empurrados para novos mercados – e os americanos ficaram com a conta.

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