O imobiliário está a ser posto à prova em Portugal e no mundo, estando o cenário de inflação elevada e altas taxas de juro a contribuir para aumentar os desafios. O alerta é dado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que no seu mais recente relatório, “Estabilidade Financeira Global”, deixa alguns alertas, quer para o imobiliário residencial quer para o comercial. A entidade avisa que uma possível crise imobiliária pode afetar a estabilidade financeira.
No caso do segmento comercial, no primeiro trimestre do ano face ao período homólogo, o investimento recuou, a nível global, 55% para 147 mil milhões de dólares, uma quebra que é “uma fonte de risco” para o sistema financeiro. O FMI aconselha, nesse sentido, os bancos e as instituições financeiras não bancárias a fazerem uma “vigilância contínua” na monitorização das “fragilidades” do setor, escreve o ECO, apoiando-se no relatório do FMI.
Os analistas consideram que “a dimensão e as fortes ligações entre o imobiliário comercial e o sistema financeiro” e o envolvimento com a economia possam gerar “tensão no setor”, o que “pode ter implicações significativas para a estabilidade financeira”. Aumentam de tom, portanto, as “preocupações sobre o risco de um défice de financiamento cada vez maior”. Isto ao mesmo tempo que as fontes de financiamento apertam as regras no acesso ao crédito, com os bancos a adotar critérios de empréstimos mais rigorosos.
Com o cenário de taxas de juro elevadas a ganhar força nos próximos tempos, o FMI considera que o imobiliário comercial atravessa um clima de tensão que se reflete numa redução do número de transações, escreve a publicação.
Ganha força, neste contexto, uma tomada de posição mais cautelosa. O FMI aconselha os bancos a reduzirem os financiamentos para o setor e as autoridades a “realizar testes de esforço rigorosos para avaliar os potenciais efeitos do aumento das taxas de juro” na capacidade de pagamento dos créditos e numa queda “acentuada” dos preços das casas e dos imóveis comerciais.
No caso concreto do segmento residencial, o FMI lembra que as dificuldades de empresas e famílias para fazerem face à subida das taxas de juro aumentaram nos últimos tempos, o que está a deixar marcas. “Em certos países, especialmente naqueles com uma percentagem significativa de empréstimos a taxa de juro variável, os preços das casas registaram descidas de dois dígitos desde o seu pico”, explica.
Economia portuguesa cresce 2,3% este ano e 1,5% em 2024
No que diz respeito à realidade nacional, a instituição liderada por Kristalina Georgieva prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 1,5% em 2024, bem como uma redução da taxa de inflação para 5,3% em 2023 e para 3,4% em 2024.
Na atualização das projeções económicas mundiais, divulgadas esta terça-feira (10 de outubro de 2023) no âmbito das reuniões do FMI e do Banco Mundial, que decorrem esta semana em Marraquexe (Marrocos), a instituição revela-se ligeiramente mais pessimista que em junho sobre o crescimento económico português, mas mais otimista em relação à evolução da inflação este ano.
Em junho, a instituição previa um crescimento da economia portuguesa de 2,6% este ano e de 1,8% em 2024, apontando para uma redução da inflação de 8,1% em 2022 para 5,6% em 2023 e 3,1% no próximo ano. No entanto, em abril, o FMI projetava um crescimento de 1% este ano e 1,7% em 2024.
*Com Lusa
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